A procuradora-chefe do Ministério Público Federal no Paraná, Paula Cristina Conti Thá, afirmou em ofício que a autoproclamada “força-tarefa da lava jato” gravou conversas de procuradores, possivelmente com investigados e acusados, sem avisar ninguém. Os grampos ocorreram “por equívoco operacional” desde 2016.
Conversas foram gravadas desde 2016 Divulgação
O documento com a confissão, divulgado pelo site O Antagonista, foi enviado ao procurador-Geral da República, Augusto Aras, na última sexta-feira (26/6), depois que a subprocuradora-geral Lindôra Araújo fez uma visita de trabalho ao Centro de Processamento de Dados da Procuradoria da República do Paraná.
De acordo com Paula Cristina, a procuradoria no Paraná abriu licitação em 2015 para adquirir um “gravador de ramal PABX”. O objetivo era gravar ameaças direcionadas a duas servidoras e a ao procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, segundo Thá.
“Uma vez instalado, no início do ano de 2016, o sistema foi imediatamente colocado à disposição de membros e servidores da força tarefa da ‘lava jato’ a fim de possibilitar, por necessidade, conveniência e a pedido de cada usuário, a gravação das ligações originadas ou recebidas de seus ramais institucionais”, afirma o ofício.
Ainda de acordo com o documento, “por um equívoco operacional”, as gravações permaneceram ativas “até o presente momento, vez que os usuários desconheciam a necessidade de solicitar expressamente o encerramento da gravação de seus próprios ramais”.
O ofício afirma que o sistema não se presta a realizar grampos telefônicos, mas apenas registro de ligações realizadas exclusivamente por meio de ramais institucionais. Também diz que o contrato do pregão eletrônico de aquisição do equipamento prevê que não serão aceitas “soluções baseadas em espalhamento de porta do switch ou ligações diretas do DG (grampo)”.
Por fim, Paula Cristina Conti Thá alega que o sistema adquirido pelo MPF-PR tem especificações similares a um que que foi comprado pelo Conselho Nacional do Ministério Público neste ano. Ocorre que o equipamento adquirido pelo CNMP tem menor potencial técnico. Já o dos procuradores de Curitiba pode ser utilizado para fins ilícitos, como grampos ilegais.
A procuradora-chefe não especifica quantos procuradores fizeram uso do sistema, diz apenas que foram gravadas as ligações de “um inexpressivo grupo de ramais, com destaque para aqueles à época utilizados pelos servidores Lucas Pauperio Henche e Maria Mairia Leite Carlos e pelo então procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima”.
Visita de trabalho Para omitir informações sobre seus métodos de trabalho, os procuradores afirmaram que Lindôra — responsável pelo acompanhamento de processos da “lava jato” em Brasília — quis ter acesso a procedimento e bases da dados da operação “sem prestar informações sobre a existência de um processo formal para isso ou sobre o objetivo da medida.
A PGR já sabe que os procuradores de Curitiba abriram mais de mil inquéritos nos últimos cinco anos, que não foram fechados. A “força-tarefa” adquiriu três equipamentos de interceptação e organização de gravações telefônicas (Guardião), mas dois deles sumiram. Grande parte do acervo de gravações acabou apagado no ano passado.
Em nota, Lindôra Maria Araújo disse que a visita foi previamente agendada e visava à obtenção de informações sobre o atual estágio das investigações e o acervo da “força-tarefa”.
“Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal é o de organizar as forças de trabalho. A visita não buscou compartilhamento informal de dados, como aventado em ofício dos procuradores. A solicitação de compartilhamento foi feita por meio de ofício no dia 13 de maio. O mesmo ofício, com o mesmo pedido, foi enviado para as “forças-tarefas” de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Os assuntos da visita de trabalho, como é o normal na ‘lava jato’, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa.”
Clique no link e conheça o projeto da Lei das fake news, PL 2.630/2020, que Institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, aprovado no senado por 44 votos contra 32. Dos 3 senadores gaúchos, Heinze(PP) e Lasier Martins(PODEMOS) votaram contra. O senador petista Paulo Paim, PT, votou a favor. Vamos aguardar a votação na câmara dos deputados.
1. Data a partir da qual é vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato (Lei n° 9.504/1997, art. 45, § 1º).
Entender a recente vitória verde no último domingo, na França, bem como entender a forte presença Verde na Alemanha, Suécia, Áustria … implica em entender a genealogia dessas ideias, que há décadas permeiam a política europeia e que – agora – em meio a pandemia mundial do coronavírus, parecem ter seu apogeu.
FRANÇA, JUNHO DE 2020, PANDEMIA MUNDIAL DO CORONAVÍRUS
Eu já escrevi, domingo, dia 28, sobre a derrota que o presidente da França, Emmanuel Macron, sofreu nas eleições municipais francesas. Quem também naufragou junto foi o primeiro-ministro Édouard Philippe, já bombardeado pela sua política indecisa e fraca em face do coronavírus, assim como os conservadores republicanos e os direitistas históricos de Le Pen, que amargam sua maior derrota.
Surge uma tendência política clara no mundo da pandemia do coronavírus.
O interessante nesse contexto foi à abstenção de 59% do eleitorado. Casualmente, sábado recente, conversando com o amigo Guilherme Bonotto, frisei que a eleição municipal de outubro ou novembro próximo seria marcada por alto índice de abstenção. Pois esse cenário se evidenciou na eleição francesa.
Prefeita de Paris, reeleita, só anda de bicicleta e quer proibir os carros na capital da França.
Contudo, essa eleição na França trouxe vários elementos de ciência política novos ao debate. Primeiro, é a forte ascensão dos Verdes, com uma plataforma ambientalista e assentada nos direitos civis. Segundo, foi à reeleição da socialista (natural da Espanha) Anne Hidalgo, coligada com os verdes, e que só anda de bicicleta, que derrotou a conservadora republicana Rachida Dati, ex-ministra da Justiça do País. Em ambos os contextos, sempre a forte presença dos manifestantes coletes amarelos (para mim é verde limão).
Já nas grandes cidades francesas, como Marselha, Lyon, Bordeaux, Poitiers, Annecy e Besancón (terra de Proudhon), a vitória foi dos Verdes, ratificando uma forte tendência já identificada na eleição do parlamento europeu em 2019.
Interessante destacar que o Partido Verde, todos os PVs europeus, tem origem na esquerda, inclusive, na França, com grandes líderes remanescentes de maio de 1968.
Essa guinada à esquerda, experimentada pelo país tido como um dos mais cultos do mundo, já é claramente consolidada na Alemanha, onde os Verdes já representam a segunda força política do país. Ademais, é do pleno conhecimento de quem estudou maio de 1968, na França, que um dos grandes líderes do movimento era o judeu-alemão Daniel Cohn-Dendit, anarquista de esquerda.
É importante, nesse momento uma revisitação histórica sobre o movimento estudantil francês de maio de 1968.
Os Verdes – hoje – têm a ecologia no epicentro de sua proposta política, defendem uma agricultura sustentável e sem agrotóxicos, defesa da agricultura familiar e de subsistência, centrada na pequena propriedade, aproveitamento racional dos recursos naturais renováveis, reciclagens, cuidados extremos com rios e nascentes, não poluição do ar, da terra e dos oceanos e são ligadíssimos nos Princípios do Greenpeace. Destaque para a proposta anti-nuclear, bandeira mundial em comum aos verdes.
É bom entendermos que os verdes, embora com uma variância de origem na esquerda, sempre estabeleceram grandes debates contra os marxistas ortodoxos, socialistas, sociais-democratas e comunistas, justamente pela variância anarquista do pensamento ecologista.
Por incrível que pareça aí surge uma revisitação histórica aos pressupostos teóricos de Pierre-Joseph Proudhon (FOTO). Aliás, Proudhon nasceu em Besançon, grande cidade francesa onde os verdes conquistaram o domínio municipal domingo último.
Sugiro os meus leitores que assistam ao filme “O Jovem Marx”, disponível no Youtube. Esse filme mostra a profunda admiração que Karl Marx tinha por Proudhon, que é, digamos assim, uma espécie de tataravô do movimento anarquista francês.
https://www.youtube.com/watch?v=2M5vo2n6G7Y
Os verdes atuais tem um viés pragmático no que tange as relações exteriores, sendo nacionalistas nas questões ecológicas locais, mas fortemente ligadas às questões internacionais ambientais que une os vários partidos verdes europeus. Bandeiras como combate ao efeito estufa, salve o ozônio, o ozônio salva, combate ao desmatamento, harmonia na agricultura, aversão aos agrotóxicos, combate as poluições urbanas, inclusive com uma crítica tenaz ao atual desenvolvimento industrial, passando por uma forte crítica à indústria automobilística, defesa da energia solar, eólica e hidráulica, repúdio ao petróleo e seus derivados, combate as guerras e a indústria armamentista, combate ao serviço militar obrigatório, defesa radical do saneamento, e – é claro – do acordo de Paris sobre o clima … são algumas das bandeiras verdes. Ademais, vale frisar a aversão verde as grandes lavouras monoculturais (detestam soja) e combatem ferozmente os agrotóxicos.
USO MACIÇO DA BICICLETA
Avessos a carros e motos, os verdes, na França e demais países expressivos da Europa, são famosos pelo uso da bicicleta.
Entretanto, os verdes atuam fortemente em cima dos direitos civis, como o combate ao racismo e qualquer tipo de preconceito e defendem abertamente a liberação da maconha e algumas drogas leves. É claro, os verdes defendem a redução do Estado na economia, mas não pelo viés neoliberal e – sim – anarquista.
OS VERDES NO BRASIL
No Brasil, o PV foi articulado enquanto ideologia política por Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Carlos Minc, dentre outros, mas com um viés no MR8, de origem marxista, nos idos dos anos 80, mas legalizado enquanto Partido Político em 1986.Eu anotei muito e observei o nascimento e desenvolvimento do PV em nosso país, e denota-se uma vertente muito mais ligada à liberação das drogas, aborto e direitos civis, do que uma proposta econômica propriamente dita, que foi apropriada pelo PT.
CHICO MENDES E MARINA SILVA, NO ACRE
O PV teve seu auge com Chico Mendes, no Acre, de onde também emergiu Marina Silva, que foi do PV e depois rompeu com os verdes, passou pelo PT e criou o REDE DE SUSTENTABILIDADE. Entretanto, por ser conservadora e evangélica, Marina nunca fechou com os verdes mais genuínos, também defensores do aborto, da liberdade do corpo (leia-se homossexualismo e todas as formas de amar). As propostas verdes acabaram sendo engolidas pelos PT e PSOL. Hoje, o PV têm uma bancada de 4 deputados federais no congresso nacional e o REDE tem 1. O atual líder do PV no Congresso é o jovem advogado paulista Enrico Val Blarcum Graaff.
Fernando Gabeira, aos 79 anos, comentarista da GloboNews e fundador do PV no Brasil, em 1986. Foto: MARCOS DE PAULA/AGENCIA ESTADO/AE
O PV no Brasil foi bastante esteriotipado, especialmente com as candidaturas a presidente do país do jornalista Fernando Gabeira, hoje GloboNews, que ficou famoso no mundo por liderar o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Até hoje é proibido de entrar nos EUA e, se entrar, existe ordem de prisão contra si. Gabeira foi deputado federal e quase ganhou as eleições para governador do Rio de Janeiro. Atualmente, tem 79 anos. Escritor e jornalista de grande credibilidade. Autor de livros mundialmente reconhecidos, foi objeto de filmes, novelas e séries na rede Globo.
Muito criticado pela esquerda, virou ícone dos bolsonaristas na sucessão de 2018. Leia mais no DCM:
Entender a recente vitória verde no último domingo, na França, bem como entender a forte presença Verde na Alemanha, Suécia, Austria … implica em entender a genealogia dessas ideias, que há décadas permeiam a política europeia e que – agora – em meio a pandemia mundial do coronavírus, parecem ter seu apogeu. Se olharmos a forte presença verde no parlamento europeu, é indicativo de uma tendência pesada.
É um espectro que assombra a Europa. O espectro do anarquismo ecológico.
*Jornalista, MTb-RS 11.175. Editor do Blog. Advogado e Bacharel em Sociologia.
Chamado de G4, o vírus é derivado da cepa H1N1, que causou a pandemia de 2009.
Pesquisadores chineses identificaram um novo tipo de vírus da gripe suína, capaz de gerar uma pandemia, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica americana “PNAS“.
Chamado de G4, o vírus é derivado da cepa H1N1, que causou a pandemia de 2009. “Ele possui todas as características essenciais de ser altamente adaptável para infectar seres humanos”, assinalam os autores do estudo, cientistas de universidades chinesas e do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças chinês.
De 2011 a 2018, pesquisadores colheram 30 mil amostras de secreções nasais de porcos em abatedouros de 10 províncias chinesas e em um hospital veterinário, o que lhes permitiu isolar 179 vírus da gripe suína. A maioria era de um novo tipo, dominante entre os porcos desde 2016.
Os pesquisadores realizaram vários testes, inclusive em furões, animais muito usados em estudos sobre a gripe por apresentarem sintomas semelhantes aos do homem, principalmente febre, tosse e espirros. O G4 se mostrou altamente infeccioso, replicando-se em células humanas e causando mais sintomas sérios nos furões do que outros vírus. Os testes também mostraram que qualquer imunidade adquirida com a exposição à gripe sazonal não oferece proteção contra o G4.
De acordo com exames de sangue que mostraram anticorpos criados pela exposição ao vírus, 10,4% dos trabalhadores da indústria de carne suína já foram infectados. Um total de 4,4% da população em geral também parece já ter sido exposta ao vírus.
O vírus já passou dos animais para o homem, mas não há evidências de transmissão entre seres humanos, maior preocupação dos cientistas. “É preocupante que a infecção humana pelo vírus G4 promova a adaptação humana e aumente o risco de pandemia”, assinalam os pesquisadores, que pedem medidas urgentes para monitorar as pessoas que trabalham diretamente com porcos.
“O trabalho vem como um lembrete salutar de que corremos um risco constante de surgimento de novos patógenos de origem animal, e de que animais de criação, com os quais o homem tem maior contato, podem atuar como fontes de vírus importantes geradores de pandemias”, adverte James Wood, chefe do departamento de medicina veterinária da Universidade de Cambridge.