Terminou sem acordo a reunião em Belarus

O escritório do governo ucraniano acaba de divulgar o término das negociações entre russos e ucranianos em Belarus.

Sem consenso.

Os ucranianos exigiram a retirada total das forças russas e que a Criméia e Donbass voltem ao comando da Ucrânia.

Pode estar surgindo uma outra reunião sem horário definido.

BARBÁRIE: Massacre na Casa dos Sindicatos: O dia em que neonazistas da Ucrânia carbonizaram militantes comunistas

REVISTA FORUM – MARCELO HAILLER

Ao justificar a operação militar na Ucrânia, Vladimir Putin declarou que um dos objetivos é “desnazificar” o país.

Ao se pronunciar sobre os ataques militares na Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (25), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou um dos objetivos da ação é “desnazificar” o país.

“Vamos tentar alcançar a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia. E levar à Justiça aqueles que realizaram múltiplos crimes sangrentos contra civis, incluindo cidadãos da Federação da Rússia”, disse o líder russo em um trecho de seu discurso.

Um dos crimes sangrentos a que Putin se refere, ocorreu no dia 2 de maio, de 2014 e ficou conhecido como “Massacre na Casa dos Sindicatos”, quando grupos neonazistas, que estavam em ascensão na Ucrânia após o Euromaidan (levante que derrubou o governo de Viktor Yanukovych, que era pró-Rússia).

O ataque foi organizado pela milícia paramilitar neonazista Pravyy Sektor (Setor Direito, em português) e reuniu mais de mil pessoas que invadiram o prédio que era sede de organizações sindicais e do comitê regional do Partido Comunista da Ucrânia. Mais de mil militantes da extrema direita participaram do ataque.

O Pravyy Sektor, que contou com o apoio dos hooligans do clube Chermorets, perseguiam manifestantes pró-Rússia que se esconderam na Sede dos Sindicatos. No ataque, 39 pessoas morreram carbonizadas.

Entre as vítimas está o jovem militante comunista Vadim Papura (foto abaixo) que tinha 17 anos.

Aqueles que conseguiam fugir do prédio, eram cercados e espancados por nazistas. A polícia ucraniana presenciou, mas não interveio.

Um dos líderes do grupo Pravyy Sektor, Dmitry Ragovsky, declarou, à época do ataque, que o objetivo do grupo era eliminar os cidadãos pró-Rússia.

Uma aposta na paz

Existem dois desdobramentos paralelos que podem apontar no sentido da paz. A reunião da ONU, onde os 193 países membros esboçarão suas posições e – finalmente – ainda não sabemos o que pode sair do encontro entre ucranianos e russos em Belarus.

Espera-se, com otimismo, que o Putin recolha seu arsenal nuclear e mesmo as potências do ocidente, que também lançaram mão da perspectiva de violência reativa nuclear, cheguem a um consenso e segurem suas ogivas nucleares.

A Rússia errou ao atacar alas residenciais na Ucrânia, isso é indescutível. E a Ucrânia também errou em jogar sua população civil contra o exército russo.

Logo mais assistiremos aos desdobramentos da diplomacia mundial e da diplomacia russa e ucraniana em Belarus.

Espera-se a volta do bom senso, sempre reconhecendo o delicadíssimo momento por que passa a humanidade ante a iminência de um confronto nuclear, que, ontem, esteve quase iminente.

Lamentável nesse contexto o papel belicoso da OTAN e o fomento cínico dos EEUU e da Grã-Bretanha, que jogaram com ucranianos o tempo todo, fazendo-os, inocentes, de bucha de canhão. Lastimável demais tudo isso.