Despolitizações e mentiras
Um dos discursos mais cínicos na política é esse que propugna pela não politização das atividades estudantis, especialmente pela atividade universitária.
Tudo que diz respeito à vida universitária tem a ver com a política e com os rumos políticos do país. Começa com o ENEM, PROUNI, ensino público e/ou privado, cotas raciais e sociais, passando pelo preço do caderno, do livro, da caneta, do computador, da internet grátis ou não…em suma, tudo que envolve a vida dos estudantes dentro de uma universidade é política, sim.
Peguemos um ponto apenas do debate, a questão do ensino público e gratuito. Quem faz esse debate são os partidos políticos. Os estudantes que não quiserem perder o bonde da história, precisam fazer esse debate, precisam debater o que querem para o seu país e o que querem do seu país.
Se de um lado, toda a questão estrutural do ensino é fortemente política, também o é em termos de conteúdo, seja em história, seja no direito, seja nas letras. Alguém duvida que ao cotejar a linha francesa da análise do discurso com a linha americana não estamos diante de duas posições bem ideológicas? Viva Althusser e Noam Chomsky! Alguém duvida que o conteúdo de um ensinamento de história não esteja eivado de visões político/ideológicas? Ou alguém imagina que os professores de Direito ao omitirem as verdadeiras vertentes epistemológicas do Direito, ao fazerem apologia da lei pura e crua não estão fazendo apologia do establishment? E por que os alunos cricri vão além buscando a teoria dialética do Direito?
Os professores de engenharia ao defenderem os transgênicos como uma verdade absoluta não estão adotando uma posição política? E os que estão contra também estão adotando uma posição política.
O ônibus que nos leva até a universidade também é uma questão política, o custo da passagem, o salário do motorista, a capacidade de usuários, o custo do combustível do nosso carro, o valor dos tributos inseridos no custo da gasolina, o preço de um tênis, a carga tributária desse tênis, a internet que temos em casa, tudo, tudo, tudo, são questões vivamente políticas.
A URI, situada nesse debate, volta e meio é assaltada por alguns supostos moralistas, puritanos babacas que não sabem o que estão dizendo, acusam as pessoas de fazerem política dentro da universidade. É claro que é preciso haver um limite na atividade partidária, mas ninguém segura o debate político e esse é essencialmente partidário. A gente camufla, dissimula, diz uma coisa e faz outra, mas no fundo, no fundo, tudo é político. Por fim, reflitamos com Bertold Brechet sobre o analfabeto político:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
Tem outras coisas que eu conto outro dia só para ver à reação dos que se apropriam da história forjada pela ditadura e falsificam os fatos para ajustá-los aos seus interesses nos dias atuais. Eles sabem que eu existindo, o muro será sempre difícil de ser transposto.
“Se hoje eu sou a estrela, amanhã já se apagou, se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor”
Eu não escrevo para idiotas, que raciocinam apenas em cima do óbvio. Iniciei com um jornal digital no ano 2.000, portanto, pioneiríssimo na internet. Quem conheçe minha história de vida, sabe que as primeiras crônicas no jornal Folha da Tarde, POA, datam de 1980. E daí em diante, nunca mais parei. Afora 6 livros, tenho milhares de artigos escritos ao longo dos últimos 30 anos. EM TEMPO: artigos não são postagens breves como essas que faço no blog. Tem gente que descobriu meu blog na eleição da URI e agora, perturbados, ficam me atacando e querendo me julgar a partir de sua visão de mundo. Pobre gente.
Bem, meu blog é pessoal, não peço para ninguém lê-lo e não peço opiniões. Lê, quem quer.
Já disse que não sou estático, que meu coração é judeu apátrida, adoro mudanças. Sou avesso ao que é como está, hoje tenho uma posição, amanhã, posso ter outra. E aí?Isso é problema meu. Mecanicistas que só veem o mal em contraposição ao bem, jamais vão poder ler meu blog, sob pena de viverem em permanente crise. O ideal é que nem abram mais meu blog. É tão simples. Se eu quiser ser um ateu, que acredita em Deus, qual é o problema? Será que preciso buscar Zélia Gattai? Se eu quiser ser um evangélico, qual é o problema?
Mas não foi o Raul Seixas quem disse isso:
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Há, um detalhe para aquela criança perturbada, eu escrevo sobre assuntos que domino. E mais: se vcs duvidarem, me chamem para um debate sobre EUGENIA, já que fui provocado.
Quanto as criticas ao meu blog?
Será que eu tenho o direito de decidir ou não? Se eu não quero receber comentários, o problema é meu. Sigam me odiando, vcs serão mais inteligentes agredindo o que não conhecem.
Sobre Pesquisas e Pesquisas eleitorais: anatomia dos erros ou tentativa de indução do eleitorado?
Por que escrevo: por que vivo?
O que dizer e o que pensar de uma quarta-feira? Todos se recolhem cedo, o movimento logo acaba e parece um ritual coletivo comunitário de todos dormirem juntos.
A cidade fica estranha, às ruas vazias e a única sentença é a certeza do silêncio e que logo mais, ao clarear do dia, tudo recomeça nesse rotina amorfa. Mas todos guardam doses de esperanças e ilusões, cultuam sonhos e correm atrás deles. Outras pessoas nem tanto. Vão em busca de um destino incerto e de um calendário patético que registra os traços de uma vida já sem sentido.
Pelas filas médicas e postos ambulatoriais crassa a dor e a melhor busca de esperança reside na magia de alguma religião. Na fila do desemprego, onde arde a catinga nauseante do desespero, um novo dia é sempre um sinônimo de recomeço, visto como uma pontinha de luz numa promessa de fé.
Hoje preferi curtir a madrugada ao longo e penetrar nela sem medo das malidecências de um passado em que vivia intensamente o pavor do pânico noturno. Caminhei pelas ruas, olhei cada detalhe da arquitetura das casas, curti o vôo rasante dos morcegos e decifrei o enigma morto no horizonte pálido que não fala, mas que emite uma sentença fatal.
A praça onde sentei-me décadas a fio observando céus, nuvens e prelúdios de tempestades está deformada pela engenharia necessária de pistas de skates. Emerge uma nova paisagem urbana, um redesenho na acomodação comercial, na semeadura dos sonhos da igreja universal e na desfiguração de uma arquitetura que teve arte, traços leves e graça. Agora, é só compacto bruto de um processo embrutecedor.
O núcleo de Santiago onde impera a náusea, a semeadura da insensatez, está inerte, resistindo ao tempo e dando assas a boçalidades e complôs. Lá está o sindicato do atraso, “reconstruído” sobre heranças de um processo decadente, mas, mesmo assim, resistente, colossal e redefinido, reestilizado, reinventado. Patética heresia.
Gosto, depois de deixar o centro, estacionar o carro ao longo da rodovia que corta nossa cidade, margeando o fundo da artilharia. Afora pensar no cemitério de cavalos e na linha de tiros voltada para dentro da cidade, artes que povoaram minha imaginação inventiva de criança, tenho uma vista contemplativa do núcleo pobre, carente e indigno da cidade. A paisagem não é a mesma. A simplicidade dos traços e da lâmpada posta em frente às casas, os gritos histéricos dos cães, a poeira e o sereno que cai parece mais penetrar no abismo das almas que propriamente dito na telha das casas. Tudo é um cenário de dois mundos, duas realidades e duas construções de sonhos.
Adentro vila Jardim dos Eucaliptos em direção a vila Daer. Um povoado habitacional de expressão que cresceu e tomou um vulto avolumado. As águas sujas de esgotos correm e ouço seu ruído ante o silêncio que reina, cortado apenas por latidos e pelo rangido -ao longo- de uma bicicleta. Olho e vejo um senhor magro, pedalando ofegante. Parece carregar ferramentas, numa caixinha, na garupa. Ele passa e eu fico pensando nele. Para onde estará indo. Ainda não são 5 horas. Deve ter levantado por volta das 4 e pouco. Penso que talvez ele seja feliz. Talvez não tenha consciência da indignidade de sua vida, talvez apenas marche em busca de uma rotina que não lhe afeta sonhos e nem perturba sua existência.
Penso como teria sido diferente minha vida se não tivesse escolhido esse caminho de tentar entender as coisas e decifrar os pactos sociais. Quão bom seria ter sido eu um operário da construção civil? Não sei, nunca saberei. A única coisa que sei com grau relativo de certeza é que sou um grande curioso, gosto de ver as coisas e depois escrever, escrever e escrever.



