Eu tenho comigo um livro escrito em 1920, intitulado Verdades Indiscretas. Neste, o autor, Antônio Torres, aborda a questão da corrupção no Brasil. Vejam bem leitores, o livro foi escrito em 1920. Segundo o autor, os políticos roubavam do setor público para manter as amantes em bordéis finíssimos. E havia um pacto entre oposição e situação. Um não denunciava o outro, pois ambos cultivam o mesmo hábito, o mesmo costume. Ali mesmo o autor já colocava que os homens que traíam suas famílias, esposa e filhos, não vacilavam em roubar da pátria, em se macular com o desvio de recursos públicos, com a corrupção e com a propina. Repito: isso foi escrito em 1920.
TRECHOS:
Geralmente se diz que as mulheres são mais honradas que os homens em matéria de dinheiro público. Confesso ser verdade. De ordinário, as mulheres não furtam. Mas não furtam porque?
Porque os homens furtam por elas. Essas negociatas, chantagens, essas roubalheiras formidáveis que se praticam por aí serão feitas pelos homens somente para comprar gravatas? Si os homens prevaricam, é por causa dos chapeos, dos vestidos, das meãs e das jóias das mulheres.
Si as mulheres para dar seu amor não exigissem tanta coisa cara, tão prevaricadores não seriam os homens.
Ora, no dia em que ellas fossem deputadas e ministras, seriam também brasseuses d`affaires e cometeriam as mesmas indignidades que os homens.
Apenas sem justifica: um homem furta? Não, o homem furta por amor, isto é, para não perder as coxas de uma mulher, está muito longe de merecer absolvição, mas inspira certa sympatia – a sympatia pelo menos se tem dos imbecis. Uma muljer que furtasse – furtava apenas para si, para comprar jóias e chapeos. Amor? Não: simples vaidade…






