Pastor Caio Fabio, você votou em um ladrão? Lula?
Faleceu o advogado João Maria Caetano Balbé
Faleceu no domingo o advogado e economista João Maria Caetano Balbé, pai da advogada Josiane Mallet Balbé,
Atualmente, residiam e mantinham escritório em Santo Antônio das Missões.
A família enlutada nossos profundos sentimentos.
FRENTE FRIA, MUITO FRIO E TEMPESTADES NAS REGIÕES SUL
EU SOU JULGADO PELO QUE ESCREVO, NÃO PELO O QUE EU SOU
Vivo numa sociedade onde as pessoas lêem e julgam-te pelo que tu escreves. O ato de escrever desperta ódios, paixões, identidades e rancores.
Nesta noite, fugindo de mim para dentro de mim mesmo, ciente de que preciso parar de escrever, corro os olhos para parte bem debaixo de minha estante. Num relance, dentre QUO VADIS? e O CRIME DO PADRE AMARO, reencontro um velho livro de BALZAC, Eugênia Grandet.
Pego o livro, tiro da estante, sento no meu sofá preto, coloco a trilha sonora do Burlador de Sevilha, e começo a reler freneticamente a história do velho Grandet. Imediatamente, sou forçado a viajar no tempo. Meu coração está em várias partes do mundo, fui a Gaza, relembrei-me dos tempos dos grupos de estudos psicanalíticos do Museu do Trem, em São Leopoldo. Sou escravo das recordações. São Leopoldo, Porto Alegre, Novo Hamburgo, São Paulo. Quantos livros perdidos no tempo, quantos amores, quantas frustrações, quanto prazer, camusiano, uma vida sem sentido.
Viajando, lembrei-me de um velho professor de antropologia que me disse que BALZAC era o mais sociólogo dos romancistas franceses. Com ele, busquei, na Biblioteca da Ordem Internacional da Companhia de Jesus, mantenedora da Universidade onde estudei e fui expulso, o clássico COMÉDIA HUMANA, em francês La Comédie Humaine. Na verdade, descobri um Balzac demolidor dos hábitos e costumes da sociedade francesa da época. Não sem razão, é apontado como precursor do realismo romântico francês, eis que em sua esteira vêm dois monstros sagrados: Flaubert e Emilio Zolá.
Com Flaubert, relembrei-me da época em que escrevia sobre Madame Bovary e o bovarismo. Quem não se lembra de Emma? E os processos contra meus livros, os pedidos de busca e apreensão? Foram 3 pedidos num só dia. Pela escrita, hoje tenho mais de cem processos cíveis e criminais.
Quando lembro-me de Zolá logo surge em minha cabeça meu velho livro GERMINAL, o qual considero o melhor livro de Emílio.
Não entendo a França sem Balzac, Zolá e Flaubert. O resto, é o resto, Sartre vale pelo seu estilo de vida, Simone, pela ação, mas essa geração atual de Foucault, passando por Guatarri e Deleuze, nada se compara ao triunvirato.
Engênia Grandet me sensibiliza muito, reflito sempre sobre a avareza e a sociedade imbecil e intolerante onde vivo. Cada dia que passa mais me conscientizo que nasci na hora ERRADA, na sociedade errada, na família errada, enfim, sou um errático.
Tenho nojo desses tolos e tolas que lêem o que eu escrevo e passam a me julgar a partir da minha arte, da minha liberdade de expressão. Uma tola, em especial, sinto vontade de fazê-la comer um livro meu, pois desde que o leu, associou o que é imaginação à realidade de minha própria vida.
Eu queria viajar para outro cosmo. Almejo pela liberdade dos homens realmente livres, não pelas meias liberdades. Logo me vem à cabeça o julgamento do livro MADAME BOVARY, onde o próprio Flaubert faz sua defesa. Segundo os censores franceses, as mulheres francesas seriam todas comparadas à personagem do livro, esposa gastadora do médico interiorano francês e de bom coração. Flaubert até que conseguiu mostrar aos tolos a diferença entre a arte, imaginação, fantasia e a realidade.
Escrever me liberta, mas – contraditoriamente – me escraviza. A liberdade, está na parca criação, pois ainda não disse o que tenho a dizer, talvez o dia em que estiver exilado em Martinica, diga tudo o tenho a fizer, da sociedade, aos amores proibidos, às verdade da alma humana e seus instintos que ninguém têm coragem de tocar. Todos tolos acreditam na liberdade de expressão. Todos tolos acreditam na liberdade de imprensa. Digam o que bem entendam e agüentem a superestrutura jurídica sobre nossas cabeças.
Não sei lidar com maquiavelices, não minto, falo somente o que acho que é verdade, e só me ferro. Se nada conseguir, é certo que vou viajar. Estou em busca de liberdade para minha alma, de outros mundos, de outras sociedades, de outras compreensões. Finjo ser estoicista em busca de aceitação, mas não sou, e nem epicurista. Somente me identifico com o ser absurdo da vida de Camus.
Não perdôo ridículos que pegaram postagens de um blog apócrifo, e entregaram a juíza como se fosse minha autoria…e todos sabem quem fazia o blog, pelo menos tudo foi descoberto desde que o secretário de gestão Frederico Peixoto contratou um hacker e descobriu tudo. Sem sequer ter o direito de defesa, fui condenado por algo que não tinha nada a ver comigo, conquanto os autores do blog apócrifo foram todos identificados. E isso que – ainda – se dizem evangélicos.
Voltando a Albert Camus:
Mas não o citei … preconceito. Ele era argelino. Preciso rir de mim mesmo. O caldeirão europeu começou a ferver e a rebelião das colônias, herdeiros da língua e hábitos, é a profecia de MARX e a repetição da história e a dualidade entre a farsa e a tragédia.
Eu já vivi. Confesso que vivi. Adorei a criatividade do PAULO BANDEIRA sobre os espíritos e o mundo digital. Nunca tinha pensado nisso. Por enquanto, quero ver os psicometristas me enquadrarem. Eles não sabem os segredos que eu sei. Por que guardo arquétipos e arqueologias?
Confesso que vivi. Adorava pegar minha filha. Éramos livres. Ela deixava o vento tocar seu rosto, seus cabelinhos voavam, comíamos pastéis no bar de Manoel Viana em Unistalda, íamos na escolinha da Graça, jantávamos no Batista, íamos para a recreação, saímos fazer comprar, jantávamos iscas de peixes na Bodega, almoçávamos no Batista…apesar de pouquinho tempo juntos, éramos tão felizes. Mas o belzebu é zempre belzebu; ele não tem gênero, é apenas belzebu.
Quem vive apenas o hedonismo, nem que seja na fantasia de um pastel com coca-cola, sempre perde para os racionalistas aplicados da vida esquadrinhada. Nós somos da vida fora de esquadros, nossos corpos ainda estão presos, mas nossas almas já estão habitando a mansão do amanhã.
Sou apenas um viajante. Minhas malas estão prontas e a mansão do amanhã me espera como hóspede.
