Sobre a política santiaguense

Na tarde de ontem, estávamos em nosso Escritório, eu e os colegas advogados Sérgio Bueno e Júlio Garcia, atual presidente do PT. Nesse momento chegam os vereadores Gildo e Magdiel do PL.

Saudações e troca de ideias.

Eu perguntei ao vereador Gildo se o ex-deputado Marcelo Brum seria candidato a prefeito se se filiasse ao PL. Gildo me disse, laconicamernte, “não sei, acho que o PL não terá candidato a prefeito”.

Essa tese do vereador é frontalmente oposta a posição do ex-deputado Miguel Bianchini. Mas …

Já o vereador Magdiel revelou e não pediu segredos, para mim e para o advogado Júlio Garcia, presidente do PT, que ele e Gildo oficializaram convite ao ex-prefeito JÚLIO RUIVO, para que ele se filie ao PL e concorra a prefeito pelos liberais.

Resta saber o que diz o ex-prefeito de Santiago, Júlio Ruivo, acerca do convite.

Eu e o Júlio Garcia sugerimos que a ele que Ruivo se filie em um outro partido. O ideal é o PSDB, embora ninguém confie no ex-vereador Pozo devido sua proximidade com o establishment. Pelo sim, pelo não, o assunto está aberto.

Magdiel disse-nos que não aceita concorrer a vice e nem a prefeito, eis que é um nome muito forte e seria um bom candidato.

Gildo sentiu-se traído porque ninguém o informou nada sobre o civic batido pela secretária de educação. Mas foi preciso, afirmando que a culpa é dos vereadores que aprovaram a lei municipal autorizando secretários e executivos dirigirem veículos oficiais sem motorista.

Bianchini foi profético, nesse particular e Gildo queria saber como nós recebemos e tomamos conhecimento dos fatos. Ficou mais espantado ainda quando mostramos-lhe a seguradora do carro oficial. Mas isso é bom, a seguradora paga as despesas de conserto do civic da educação, o poder público municipal paga a franquia. Se os danos forem grandes, o carro deve ir a leilão e se compra um outro zero kilômetro, afinal a educação merece.

Agora, são 2.50 da manhã. Tenho que seguir trabalhando, pois vou terminar um Agravo ao longo da madrugada.

Imagino que Bianchini vai ficar p da cara com o convite ao ex-prefeito Ruivo. Deve desautorizar os vereadores e vai dizer que eles estão agindo a revelia do coletivo liberal.

O  bom disso tudo foi o companheiro Júlio Garcia ficar mais integrado na política santiaguense e sentir como são complicadas as relações partidárias quando temos um grupo de oposição de direita e outro de esquerda.

Magdiel que é evangélico, têm raízes familiares no espectro de oposição ao PP.

Vamos ver o que Ruivo vai dizer acerca do convite, embora eu, pessoalmente, não acredite que ele seja capaz de provocar uma ruptura tão grande como sua saída do PP. Ruivo é como o cardeal,  não é bolsonarista.

São tantos vieses que nossa política santiaguense engendra. Mas, aos poucos, vamos decifrando-os.

 

 

(escrito direto e sem revisão).

 

 

As mortes que chocam

A morte é sempre um mistério e deixa um vazio enorme. Eu perdi dois amigos em dois dias. O César Kubiça ( foto), irmão do Katê, um rapaz ainda moço, com muita vida pela frente. Evangélico, não bebia, não fumava e passou mal repentinamente. Foi até o Hospital, onde mediram-lhe a pressão e ficou na espera, pois ninguém contava que viesse a falecer ali mesmo, tão abruptamente.

Eu era amigo do César, ele gostava de conversar comigo, especialmente sobre religião. Era uma pessoa dócil, meiga e homem raro homem dedicado a família, a quem admirava e lutava por ela.

Os relatos são que ele pronunciou, antes de cair sem vida, “eu vou morrer”. Mistérios profundos. Foi uma perda sem palaras para exprimir.

Mas eu entendo.

Dias atrás, estava no Chico Gorski renovando meu tókens do processo eletrônico. Eu também não bebo, não fumo, apenas tomo remédios para controlar a diabete. Dentro do escritório, de súbito, perco totalmente os forças, mal podia parar em pé. Socorrido por amigos, minha glicose deu 50, foi uma queda abrupta que quase me levou. Notei ali que tudo estava sem controle. Minha glicose oscila dos 500 a 50. Isso é um pavor. É claro, numa dessas eu vou.

Imagino que o caso do César foi muito parecido com o meu, embora ele seja bem mais moço que eu.

Triste também a perda do médico Nestor Pês (foto), outra morte que assustou a todos nós, embora seu quadro de saúde fosse bem debilitado.

Pessoa sensata, equilibrado,  excelente médico, pai efetuoso. Li sobre sua morte no facebook da Aline, que estava na Bahia, onde mora, com seu esposo, Cleudo Irion, fillhas e filho.

O relato da Aline é chocante, emocionante e descreve bem a perda de um pai. Ela soube transcender o amor em palavras e o sentimento da perda com riqueza de detalhes.

Eu não divulgo mortes e nem crimes em meu blog, exceto as exceções e hoje é um dia excepcional. 

Eu perdi dois amigos, duas pessoas maravilhosas e fica essa lacuna que fica quando todos nós deixamos esse mundo. Uns mais cedo, outros um pouco mais, um pouco menos, mas todos nós deixamos a vida para seguir não sei o quê? A rigor, não tenho certeza do que vem após a morte e nem sei se existe vida após após a morte. Sei que as crenças são boas, são ilusões agradáveis, pois todos falam em reencontros.

Não acredito em céus e nem em infernos, por isso, talvez, eu sofra demais, mais que as pessoas que acreditam que a vida segue numa alma ou num espírito. Em suma, nunca saberemos, exceto se o avanço da IA for porrada mesmo. Aí até será bom, pelo menos, sairemos desse mar de dúvidas.

Têm coisas na vida que eu gosto muito, especialmente pessoas, amigos e amigas e de animais, como gatinhos e cachorros.

Meus sentimentos mais profundos a todos !!!!!!!!!!!!

 

 

O caráter classista do ensino superior no Brasil

*Júlio Prates

O ensino superior no Brasil desenvolveu-se, desde suas raízes históricas, sob o signo de instituição problema. Além de não desempenhar as suas funções sociais que justificassem sua razão de ser, alcançou sempre rendimentos baixíssimos, a partir de um péssimo aproveitamento dos fatores humanos educacionais. A má escola perpetua-se pelo mau ensino.

A escola superior, criada à luz de uma sociedade oligárquica, de estruturas rígidas, desempenhou em seu limiar funções societárias bem definidas, a transmissão dogmática dos conteúdos importados e a formação dos filhos das elites dominantes  de então, ambas necessárias à manutenção do “status quo” dessas elites.

Sufocada pelo caráter elitista e pelo compromisso classista com as forças conservadoras, a escola superior não engendrou o que seria um processo dinâmico de desenvolvimento a partir da valorização do pensamento crítico, no incentivo à pesquisa e da criação científica e tecnológica. Consequentemente, não reproduziu os valores humanos e intelectuais necessários ao pleno amadurecimento como instituição, seu desenvolvimento foi atrofiado desde as origens.

A revolução de 30, aparentemente, destruiria o caráter árquico da sociedade imperial, abrindo novos horizontes dentro de uma sociedade télica de sociedade emergente: a republicana. Uma sociedade voltada para para o desenvolvimento , onde a nova função social possibilitaria como instituição, das características atrofiantes  de suas raízes.

Mas, dentro do extenso quadro social, as forças conservadoras galgaram novas posições, articularam a reorganização da sociedade nacional, segundo seus interesses, limitando a pequenos passos de uma elite o que deveria ser o início da caminhada de inteira de um  povo.

Dentro da instituição do ensino superior, a vitória das forças conservadoras deu-se sobre o prisma de universidade conglomerada . A simples conglomeração de cursos superiores em universidades, sem um interrelacionamento dinâmico entre os cursos e um redirecionamento funcional, fez com que se mantivesse o caráter anacrônico do padrão de escola superior original, além de permitir um controle mais eficaz, a partir da centralização nas reitorias e nos conselhos universitários. Mais uma vez, o ensino superior não obteve fôlego para acompanhar os progressos sociais limitados de uma sociedade contraditória: télica, voltada para o futuro, o progresso , pela sua nova nova estruturação republicana é árquica – voltada para o passado, para suas raízes, pelas suas condições econômicas.

Apesar das aparências modernizantes da universidade conglomerada, a simples aglomeração de escolas  superiores não vingou uma universidade multifuncional. Isto é, a multiplicidade de interrelações  entre as diversas escolas da universidade de forma funcional , dinâmica e participante do processo social em curso. A universidade conglomerada não atingiu, portanto, os anseios da vanguarda intelectual tanto do corpo docente como discente. Assim, como uma nação inteira buscava sua emergência dentro do processo histórico.

É nesse quadro estéril qualitativamente que se desencadeou a reprodução quantitativa dos estabelecimentos de ensino superior.

Nos meados da década de 60, as pressões da vanguarda universitária, aliada a evolução política da época, possibilitaram experiências novas, de uma universidade que exercesse realmente suas funções sociais a partir de uma visão progressista de esquerda, como foi o caso da UnB.

O resultado dessa experiência foi a formação de um padrão médio intelectual bem acima do padrão médio, além do desenvolvimento do pensamento crítico.Esse processo, é claro, não se deu apenas no âmbito do ensino superior, mas sim no amplo contexto social, provocando imediata reação das forças dominantes.

Paradoxalmente, foi esta reação às forças de vanguarda que  possibilitou a unificação e o direcionamento de seus  movimentos políticos. Detectado o erro, a reação partiu para uma nova tática. Impossibilitada de reprimir pela força e repressão, fragmentou campus, afastou-os dos centros urbanos e isolou-o do conjunto social mais expressivo.

Com a redemocratização, nos governos Collor e FFHH, Temer e Bolsonaro houve um visível sucateamento, corte de verbas, a pesquisa e o ensino viverem momentos dramáticos.

Contudo, nos governos Lula e Dilma houve novas diretrizes. Abertura de novas universidades, fomentação de centros tecnológicos, IFETs, redefinição de verbas públicas para a pesquisa, valorização do ensino, rede de estrutura predial, corpo funcional valorizado, em suma, foi o melhor período do ensino superior no Brasil, inclusive com linhas de financiamentos paternalistas que propiciaram aos filhos das camadas sociais mais humildes de sociedade atingirem o ensino superior e até freqüentarem mestrados e doutorados.

Quando eu escrevi que com Temer e Bolsonaro tudo isto iria entrar em refluxo, os imbecis alunos do IFF e seus familiares me atacarem de todas as formas possíveis. Tenho uma a uma das mensagens agressivas. Estava na cara que não entendiam nada de política e sequer sabiam ler uma conjuntura. Gente burra, pois eu apenas analisava os desdobramentos do que seria o futuro dos IFFs e universidades federais nas mãos dessa gente. Apenas isso.

O ex-ministro boliviano da educação brasileira já declarou, dentre outros absurdos, que a universidade precisa ser para uma elite. Filhos de pobres que se preparem para virarem empregados, mão-de-obra barata e desqualificada.  O único investimento mais visível nos 4 anos de Bolsonaro/Mourão foram as escolas cívico-militares.  Assim foram os 4 anos de educação superior no governo Bolsonaro, um governo identificado com a direita nacional. Os investimentos em escolas tecnológicas federais e universidade federais viveram o caos. O recém iniciado governo petista/socialista deve retomar a linha de investimentos na educação superior e tecnológica, mas ainda é muito cedo para uma avaliação do governo Lula/Alkimin.

*Júlio Prates é jornalista, sociólogo e advogado. 

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