Nesse dia 13 de agosto, foi comemorado o Dia Mundial do Canhoto. Eu sofri muito na escola, pois peguei uma época em que os professores ensinavam que o certo era escrever com a mão direita.
Antes de eu ir para a Escola, vivi a assombração que caracteriza as crianças canhotas. Minha mãe queria que eu escrevesse com a mão direita, mas como explicar a ela que meu lado direito até hoje não funcionava?
Na minha turma, 1º ano do Grupo Escolar da Sede, atual Cândido genro, eu era o único canhoto. Tinha que ouvir chacotas e brincadeiras à minha condição de canhoto.
Nunca me importei com essa condição. Segundo o IMPA, “durante boa parte da história da humanidade, quem escrevia com a mão esquerda sofria preconceito cultural, social e religioso. E houve casos até de pessoas queimadas vivas por “tamanho sacrilégio”. O que já foi considerado bruxaria, maldição ou superstição é, tão somente, uma questão de genética”.
Eu peguei muito caro por ser canhoto. Assim como por ser nascido em agosto. No colégio eram grandes as brincadeiras com as crianças nascidas em agosto. Todos aludiam ser o mês do cachorro louco e o estigma era horrendo.
Nasci canhoto e dia 12 de agosto. Sorte que os tempos mudaram. Mas não foi fácil vencer o preconceito institucional, pois canhotos e nascidos em agosto eram vivamente vítimas de toda a sorte de preconceitos. E não pensem que o preconceito ainda não é presente em muitas comunidades.
O maior preconceito que eu sofri foi o de ser associado a rituais de magia negra e feitiçarias. Invenção tola, que todos destilavam contra nós, especialmente contra as crianças.