
A complexa situação do ex-presidente Bolsonaro tem reflexos, mesmo que sejam indiretos, em nossa conjutura local. Para completar o caso das joias, agora César Trali noticiou na Globo News que o FBI entra no caso nos EEUU para investigar desvios de patrimônio público, lavagem de dinheiro e crimes conexos praticados por brasileiros dentro do território norte-americano.
A situação do grupo de Bolsonaro em nosso país é horrível, pois arrasta consigo o Exército Brasileiro e provoca fortes danos a imagem das Forças Armados.
Confesso e admito que eu era um dos cidadãos do nosso país que via as FFAA como uma forte reserva moral. Contudo, esse lamaçal envolvendo general Cid, o Tenente Coronel Cid e uma escala de subordinados, assim como o general Bento, provoca um dano sem precentes na imagem do Exército. O dano do caso Bolsonaro e o contrabando de jóias do Estado brasileiro arranha mais a imagem do Exército que os longos anos de ditadura militar. Afinal, mesmo que o desvio de jóias seja um caso menor diante das décadas de ditadura, a forma minuciosa como o caso vem sendo delatado e pormenorizado, assombra qualquer cidadão/cidadã do nosso país.
O caso, ademais, revela pequenês no desvio de tantos bens públicos e amadorismo sem precedentes desse grupo militar ao lado de Bolsonaro. A foto do general Lorena Cid revelada atrás de uma escultura, presente de país árabe, chocou a nação brasileira, afinal o general Cid é um general de 4 estrelas, a mais alta e o último grau do generalato, que tem generais de 2, 3 e 4 estrelas. A simples presença da corajosa Polícia Federal na Vila Militar, Brasília, fazendo buscas na casa de um general 4 estrelas, por si só é um escândalo sem precedentes em nossa história, pois nem a ditadura militar e nem os anos de chumbo provocaram cenas tão repugnantes.

Ademais, a presença da Rede Globo, com o Jornal Nacional de ontem a noite, sendo 18 minutos de cobertura do caso muamba/contrabando provocada por integrantes da alta corte militar, ao lado da imagem do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, amplia-se e massifica-se o dano que atinge a instituição como um todo.
Na minha observação é o maior dano que a imagem das FFAA sofre, sem nenhuma discussão, embora a presença de generais ao lado de Lula abrande um pouco toda essa confusão tropicalista.
Vão levar muitos anos para recompor a imagem das FFAA. Ainda não sei como os teóricos – ligados as FFAA – farão a recontrução dessa imagem.
Por fim, pari passu, cresceu vertiginosamente o prestígio do Ministro do STF Alessandre de Morais, que age com incrível sabedoria e é elogiado por sua coragem e destemor. Não tem como negar que a Corte cresce como um todo e cala até os mais tenazes críticos.

Nosso país terá uma redescoberta e uma reescrita do papel das Forças Armadas, especialmente a partir dos desdobramentos da Operação Lucas 12.2: ” Mas nada há encoberto, que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser conhecido”. É uma máxima bíblica transbordante e que se ajusta perfeitamente ao atual contexto político. Aliás, essa escolha foi de uma sabedoria muito grande, pois as revelações da operação estão chocando o país e todos estão entendendo a conexão danosa entre governantes e o poder.
O Brasil não será o mesmo a partir dessa operação.