AS COMPLICAÇÕES do COVID SÃO PIORES do que PARECE. Miguel Nicolelis
Metodistas convocam coordenadores para anunciar fechamento do IPA
Centenário, de Santa Maria, também deverá encerrar atividades. Método utilizado segue modelo da Rede Metodista em outras de suas instituições. Sinpro/RS convoca reunião para segunda-feira, 7.
Jornal Extraclasse – Marcelo Nenna Barreto
Coordenadores e funcionários do Centro Universitário Metodista IPA, de Porto Alegre, RS, foram chamados nessa sexta-feira, 4, para receber uma informação que já circulava à boca pequena em suas redes de contato.
Por decisão vinda da direção central da Rede Metodista, de São Paulo, a Instituição, que remonta ao Porto Alegre College, fundada em 1923, encerrará definitivamente suas atividades da educação superior.
Apesar de procurada por mais de um contato e via assessoria de imprensa, a Instituição ainda não se pronunciou.
Extra Classe, no entanto, checou a informação com diversas fontes. Está para ser confirmado ainda a possibilidade de uma manifestação da reitora, Vera Maciel, na segunda-feira, 7, à comunidade acadêmica.
“Infelizmente sim, é real. Minha sobrinha me informou agora que os alunos foram chamados para uma reunião na segunda-feira para direcioná-los”, disse uma das fontes consultadas.
Há indicação também que outra instituição deverá ser fechada pela Rede Metodista, a tradicional Faculdade Centenário, de Santa Maria.
Segundo informações que chegaram a professores, no IPA, o segundo semestre deste ano será o último e somente para alunos que estiverem concluindo suas graduações.
Os demais serão orientados a buscar transferência para instituições como PUC e Ulbra.
Também, a Rede Metodista, para evitar custos com desligamentos, pretende manter os docentes com carga horária reduzida.
Método padrão na Rede Metodista
O processo de encerramento das atividades do IPA segue à risca o procedimento da Rede Metodista em outras de suas instituições.
Em fevereiro de 2021, a mantenedora anunciou o fechamento dos cursos de ensino superior em três campi da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).
A justificativa dada foi busca o equilíbrio financeiro e retomada do crescimento.
Os alunos receberam comunicados por e-mail informando a decisão e solicitando seu comparecimento à universidade para detalhar as “soluções alternativas”.
Sindicato de Professores convoca reunião urgente
Marcos Fuhr, diretor do Sindicato do professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS), disse que a entidade foi surpreendida ontem à noite com os rumores e agora, confirmando o que afirmou ser um total desrespeito, irá realizar reunião urgente para discutir a situação e as perspectivas dos professores.
Será no final da tarde da próxima segunda-feira, 7, de forma virtual.
“É muito aparente a pretensão deles em não honrar os seus compromissos rescisórios com seu professores”, protestou Fuhr.
O jornalista Leo Nuñes, ex-professor da extinta faculdade de jornalismo do IPA, diz não ter se surpreendido com a ação.
“Já tentaram outras vezes fechar”, diz ele que tem uma visão muito crítica da mantenedora.
“Não cumprem nada que prometem. Não tem honra”, afirma ao se referir ao pagamento de R$ 10 mil para professores que foram demitidos durante o processo de Recuperação Judicial do IPA e que está previsto até dezembro deste ano.
Segundo Nuñes, “tem gente que precisa muito desse dinheiro e, para fazer uma média, eles disseram que iam pagar até março, depois passou para abril, maio; juraram de pés juntos que seria em junho e nada. Estão empurrando com a barriga até dezembro”, conclui.
A primeira revolta islâmica no Brasil: 1835

Dias atrás estava num grupo de estudos com o pessoal da UFSM e fui surpreendido com a pergunta se eu sabia sobre a primeira revolta islâmica em nosso país.
Na verdade, é um dos assuntos que eu mais domino e citei uma longa viagem de Cruz Alta a Porto Alegre, com o advogado Carlos Orling, ocasião em dissecamos a obra A Revolta dos Malês, do professor Décio Freitas, ocasião em que ficam expostas, para o meio acadêmico brasileiro, a influência pouco conhecida dos pressupostos do islamismo no meio dos nossos negros escravos.
A rigor, foi em janeiro de 1835, na Bahia, um grupo aproximadmente de 1500 negros, liderados pelos muçulmanos Pai Inácio, Manuel Calafate, Aprígio, dentre outros, armou-se uma conspiração com o objetivo de libertar seus companheiros islâmicos, matar brancos e mulatos traidores.
Creio que é um grave erro em nossa historiografia em não citar a presença do islamismo no Brasil e – pior ainda – em negar que tivemos revoltas vivamente islâmicas em nossa história recente, menos de 200 anos atrás.
De um lado, tive sorte pois gostava muito do historiador Décio Freitas e, de outro, louvo o bolivros, então líder do PC do B, que foi quem me falou pela primeira vez acerca de uma revolta islâmica em nosso país. Bolivar era casado com a deputada Cony e era apenas um livreiro, mas um livreiro raro, com amplos conhecimentos das ciências sociais e humanas. Ele estava sempre no gabinete do Bisol, sempre cheio de livros e sempre com uma história subjacente. Pois foi assim, nesse contexto, que soube da influência do islamismo em nossa história, do contrário, seria um mero alienado. Bolivar contou-me sobre essa revolta islâmica no ano de 1984, aliás, foi quando soube da influência do islamismo em revoltas regionais. Foi ali que percebi o furo da historiografia oficial.
Décio Freitas narrava as duas visões políticas que predominavam no meio dos negros escravos. Uma dócil, onde os negros fugiam, e queriam dançar ao redor do fogo e não alimentavam nenhum tipo de vingança. Outra, eram dos negros que fugiam e voltavam para matar os brancos, suas esposas e filhos/filhas, assim como os mulatos que apoiavam a escravidão.
Soube que os teóricos portugeses quebravam a cabeça tentando entender os sentimentos que havia na escravidão, pois eram dois campos bem opostos e totalmente antagônicos. Onde residia o sentimento de vingança e vontade de matar os brancos e suas famílias?
A resposta é quase exata, bastava localizar os negros escravos que eram oriundos de países islâmicos e islamizados; basta recordamos que o islã foi trazido ao Brasil no final do século XVIII pelos escravos oriundos das regiões da África. A influência islâmica na África começou no século VII com a invasão pelos árabes do norte do continente. Essa é uma herança muito fecunda do islamismo em nosso caldeirão cultural e não temos como negar, até hoje, essas raízes, embora pouco estudadas, e mais grave: um fato desconhecido do nosso povo e do nosso meio acadêmico.
De certa forma, existem erros nos dois lados da história, inclusive dos islâmicos atuais que não procuram contextualizar suas raízes históricas.
Contudo, não deixa de ser promissor a reflexão acerca dessas raízes em nossa história, onde certamente existem herdeiros e, por extensão, raízes históricas.
Essa é minha contribuição para o final de semana.
