Em crise, mais da metade das prefeituras brasileiras pretende demitir servidores até o fim do ano

ZERO HORA – 2.04 da madrugada

Em crise financeira, mais da metade das prefeituras brasileiras pretende demitir servidores efetivos e comissionados até o final do ano para tentar fechar as contas no azul. No total, 57% dos municípios devem reduzir o quadro de funcionários e 55,6% pretende diminuir o número de CCs.

Os dados foram informados pelas prefeituras em uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Até o momento, conforme a pesquisa, 48,7% já desligaram servidores. No mesmo levantamento, 61% dos municípios disseram que pretendem criar programas de refinanciamento de dívidas, no intuito de ampliar a arrecadação.

Essas medidas serão tomadas para tentar estancar as dificuldades financeiras das prefeituras, causadas pela defasagem no repasse de recursos federais e na disparada nas despesas.

Entre esta terça (3) e quarta-feira (4), um grupo de quase 2,5 mil prefeitos e vice-prefeitos participam de uma mobilização em Brasília, em busca de socorro para ampliar os repasses federais. Os gestores tentarão convencer deputados e senadores a aprovar propostas que aumentam repasses para as prefeituras no Congresso Nacional e recorrerão aos órgãos de controle para demonstrar o impacto da crise no caixa dos municípios.

No quarto bimestre de 2023, 48,8% das cidades que enviaram dados à Secretaria do Tesouro Nacional tiveram déficit primário — no mesmo período de 2022, índice era de 12%. Neste ano, 47,8% tem pendências no pagamento a fornecedores e 10% já estão atrasando o pagamento ao funcionalismo.

De acordo com o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a consequência direta do problema é a redução de serviços de saúde, educação e assistência social, o que recai sobre os prefeitos.

— O cidadão não conhece Brasília, mas conhece a prefeitura. Ele não tem outro lugar para ir reclamar se não for na prefeitura — afirmou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Razões da crise

O principal elemento que pressiona o caixa das prefeituras é a alta nos gastos, tanto no pagamento de pessoal quanto no custeio da máquina. A receita também cresceu, mas em proporção insuficiente para fazer frente aos gastos.

A principal queixa dos prefeitos é de que, nos últimos anos, foram implementadas pelo governo federal medidas que forçam as prefeituras a ampliar os gastos, sem contrapartida federal.

Ziulkoski citou os reajustes recentes no piso nacional do magistério nos últimos dois anos (respectivamente, de 33% e de 15%), o corte no ICMS dos combustíveis e o crescimento em despesas de custeio, com o reajuste de contratos pela inflação.

— Ademais, a União não repassou recursos para obras paradas, que os municípios tiveram de continuar fazendo, e para catástrofes naturais, como essa que aconteceu recentemente no Rio Grande do Sul — explicou.

Resultados recentes

  • No quarto bimestre de 2023, 48,8% das cidades tiveram déficit; no mesmo período de 2022, índice era de 12%.
  • As despesas dos municípios cresceram 21,2% no bimestre, enquanto receitas subiram 9,2%
  • Para 2024, 44,3% dos prefeitos acreditam que a situação fiscal vai piorar, enquanto 38% creem que vai melhorar e 17,6% estão indecisos.

Problemas estruturais

Crise na previdência – entre os municípios brasileiros, 81% possuem débitos com o INSS que superaram, em 2022, os R$ 190 bilhões

Pisos salariais – mínimos pagos a enfermeiros e agentes de saúde são custeados pela União, mas encargos demandam R$ 3,7 bilhões por ano aos prefeitos; outros 150 projetos em tramitação no Congresso criam pisos para categorias como dentistas, fisioterapeutas e vigilantes, com impacto de R$ 39 bilhões ao ano

Salário mínimo – política de reajuste impacta prefeituras em quase R$ 5 bilhões ao ano

Dívidas da União – pendências do governo federal com os municípios para assistência social, conclusão de obras, continuidade de obras paradas e restos a pagar chegam a R$ 47 bilhões

Dinheiro da saúde – com repasses insuficientes, prefeituras precisam alocar mais verba própria na área; média nacional é de aplicação de 22% da receita, sete pontos percentuais a mais do que o obrigatório

Atendimento represado – seriam necessários R$ 13,3 bilhões para equacionar consultas, exames e cirurgias represados do período da pandemia

Assistência social – orçamento da União para o sistema de assistência social é o mesmo desde 2015; mais 18,5 milhões de famílias com renda familiar per capita de até um salário mínimo são atendidas pelos municípios

Piso do magistério – com reajuste sempre maior do que a inflação, salário de professores compromete 27% da despesa de pessoal das prefeituras; CNM avalia que não há lastro legal para correção do MEC

Vagas em creches – decisão do Supremo obrigou oferta de vagas em creches a todas as crianças entre zero e cinco anos; impacto estimado é de R$ 151 bilhões ao ano

Desastres naturais – Entre 2013 e 2023, desastres em todo Brasil causaram mais de R$ 586 bilhões em prejuízos; União aportou apenas R$ 4,9 bilhões (1,2%)

O que os prefeitos pleiteiam

Mais recursos – aprovação de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara que cria repasse adicional de 1,5% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para o mês de março; impacto estimado em R$ 11,5 bilhões ao ano

Dinheiro extra – aprovação de PEC no Senado eleva FPM por 24 meses, com ganho estimado em 23,3 bilhões ao ano

Recomposição de perdas – aprovação de projeto de lei em tramitação na Câmara recompõe FPM de 2023 e antecipa compensações de ICMS de 2024; impacto de R$ 5,3 bilhões

Alívio na previdência – aprovação de projeto no Senado que reduz para 8% contribuição previdenciária dos municípios; custo estimado ao INSS seria de R$ 11,1 bilhões por ano

Encontro de contas – CNM cobra cumprimento de lei que prevê acordo com a União para reduzir déficit previdenciário e estima que medida renderia R$ 50 bilhões às prefeituras

Parcelamento – apresentação de PEC que parcela dívidas dos municípios em 240 meses, com juros equivalentes à Selic ou depósitos de poupança

Programas federais – aprovação de projeto que atualiza orçamento de programas federais, hoje complementados pelas prefeituras

Iniciativa – Aprovação de PEC na Câmara que permite à CNM ingressar no Supremo com ações pedindo a nulidade de leis como o piso da enfermagem

Royalties – julgamento pelo STF da ação que trava a distribuição de royalties do petróleo; em 10 anos, deixaram de ser distribuídos R$ 77 bilhões aos municípios

Saúde – aumento do repasse federal para o Programa Nacional de Redução de Filas (PNRF), viabilizando a contratação de prestadores para a execução da iniciativa.

O INÍCIO, MEIO E FIM

Essa é a primeira vez que escrevo um texto dessa natureza. De um lado, corroído pela diabete, que hoje mediu 712. Isso afeta muito minha visão e escrevo com lupa no maior formato de letras do sistema. Mas a doença é normal, vem para todos nós e isso não me assusta, não me preocupo muito com a vida e nem temo a morte. Penso que, se eu morrer, está dentro da lógica, da minha idade e da doença que contraí. Na semana passada, o médico João Luiz Azambuja, apresentou meu prontuário ao seu colega de Santa Maria que está me tratando. Tudo começou dia 22 de julho de 2013. O Dr. Azambuja é um grande médico e uma excelente figura humana, sempre prestativo e cordial, mesmo agora que parou com a medicina.

Nos últimos 4 anos tenho me arrastado entre uma crise e outra, sendo que – pelo menos – uma vez por mês, quase me deixa sem visão. Mas resistir é parte do jogo da vida, embora as pessoas atingidas pela retinopatia diabética sejam as mais penalizadas. Nunca me esqueço que  acompanhei os últimos dias de Jorge Amado, que perdeu totalmente a visão e morreu cego.

Já fui alertado que os danos podem romper os músculos e aí meu quadro fica bem dramático. Por enquanto, em meio a todas as dores que sinto, preciso resistir essa doença.

Para mim que escrevo é uma perda sem precedentes, pois ainda não encontrei uma fórmula para me ajustar. O médico, hoje, ficou impressionado com a minha perda de peso, na verdade, perdi 10 kilos.

 

Nunca pensei que a diabete fosse algo tão terrível, tão tétrico e tão machucado. Mas vou seguindo, vivo sozinho e torço por um novo amanhecer, que, talvez, nunca venha. Ademais, sofro efeitos altamente colaterais pelos remédios, enjoos, vômitos e um estado permanente de depressão e desgosto.

O médico quer que eu me afaste da escrita, mas a escrita, é também minha profissão. Sem a escrita não existe advogado.

Sei que a luta, assim como a doença, é parte da vida e não tenho nenhuma visão mística. Viver e morrer, para mim, são faces da mesma moeda, fazem parte do jogo da vida.

Tudo o que eu faço e fazia estou fazendo tudo ao meio, por isso peço desculpas a todos os amigos leais e sinceros que eu tenho.

No fundo, como não minto para as pessoas, é a primeira vez que me sinto um pedaço de mim, o eu inteiro não existe mais.

Mas sigo convicto de minhas posições e firme em minhas crenças. Viver, viverei até quando Deus quiser, morrer, será uma consequência da vida, que não assusta e nem me apavora. Só não gostaria de ficar sofrendo, sozinho, carcomido e caindo os pedaços. Aí creio que é melhor buscar o outro lado da vida. Se é que existe esse outro lado. Ou tudo é apenas uma passagem? Um dia, saberei.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Indústria lança novo biocombustível e investirá R$ 80 milhões na fábrica de Passo Fundo

zero hora – GIANE GUERRA

Maior produtora de biodiesel do país, a Be8 (antiga BSBios) investirá R$ 80 milhões para fabricar um novo biocombustível, que está sendo lançando no mercado nesta segunda-feira (2). Para isso, fará uma “fábrica dentro da fábrica” de Passo Fundo, no norte gaúcho. À coluna, o presidente Erasmo Carlos Battistella explicou que foram dois anos de pesquisa da tecnologia, que enfatizou ter sido desenvolvida por uma equipe no Rio Grande do Sul.