PAULO GIRALDELLI é filósofo, mestre e doutor em filosofia pela USP. É doutor em educação pela PUC-SP e Pós-Doutor pela UERJ. Professor Universitário aposentado, tem 67 anos.
Em meados do século vinte, quando o mundo balançava à beira de outra guerra global, uma força insidiosa começou a solidificar seu domínio na Alemanha Nazista: a Schutzstaffel, mais notoriamente conhecida como SS. Estabelecida em mil novecentos e vinte e cinco, inicialmente servindo como guarda-costas pessoais de Adolf Hitler, essa unidade sombria metamorfoseou-se em uma das organizações paramilitares mais implacáveis e formidáveis que o mundo já havia testemunhado. Sob a liderança arrepiante de Heinrich Himmler, a SS expandiu seu domínio, tornando-se não apenas o escudo protetor do Führer, mas também a lâmina do carrasco.
A temida Waffen-SS, o ramo militar da organização, espalhou terror nos campos de batalha, enquanto as unidades Cabeça de Morte da SS guardavam zelosamente os campos de concentração e extermínio, executando alguns dos genocídios mais horríficos da história. No entanto, quem eram os homens por trás desses uniformes negros adornados com insígnias de cabeça de morte? E o que os levou a participar, e muitas vezes se deleitar, em tais atrocidades? Lembre-se das histórias angustiantes de Auschwitz, Sobibor e Treblinka.
Estes não eram apenas campos, mas fábricas de morte, onde milhões encontraram seu destino sombrio nas mãos da SS. Com métodos que variavam do trabalho forçado à extermínio sistemático, a SS demonstrou uma eficiência brutal na execução da Solução Final de Hitler. Ao trilharmos este caminho assustador, ecoamos as palavras de Primo Levi: “Monstros existem, mas são poucos em número para serem verdadeiramente perigosos. Mais perigosos são os homens comuns.” Junte-se a nós, enquanto revelamos a cortina sobre a Schutzstaffel, desenterrando a realidade sombria que se escondia por trás de seus uniformes negros e insígnias de cabeça de morte. Bem-vindo ao diário de Júlio César. Os Esquadrões Sombrios. A Inquietante Ascensão da SS. No caos giratório da Alemanha de Weimar, onde a instabilidade política e o desassossego social eram tão comuns quanto o jornal matinal, emergiu uma força que eclipsaria todas as outras em termos de brutalidade e impacto – a Schutzstaffel, mais conhecida como SS. Originada em mil novecentos e vinte e cinco como um mero destacamento da SA (“Sturmabteilung” ou Destacamento de Assalto), a SS foi inicialmente concebida como uma unidade de guarda-costas pessoal para Adolf Hitler e outros principais oficiais nazistas. Liderada por Julius Schreck e composta por apenas oito homens, essa entidade teve, de fato, inícios humildes. No entanto, no crisol de ambição e ideologia, esses oito homens eram as sementes do que se tornaria uma máquina implacável e vasta.
A transformação da SS de guarda-costas para arquitetos do genocídio tomou várias reviravoltas cruciais, cada uma adicionando outra camada de complexidade e poder à organização. Heinrich Himmler, um homem tão despretensioso quanto cruel, assumiu a liderança em mil novecentos e vinte e nove. Sob seu comando, a SS metamorfoseou-se em um verdadeiro estado dentro de um estado. Ela expandiu seu tamanho, assumiu operações de inteligência e começou a polícia interna do próprio Partido Nazista. Em mil novecentos e trinta e três, quando os nazistas chegaram ao poder, a SS já tinha sua própria ala de inteligência – o SD ou “Sicherheitsdienst”.