Reflexões do Professor Paulo Giraldelli

Paulo Giraldelli é Filósofo, Mestre e Doutor em Filosofia pela USP. É também Doutor em Educação pela PUC-SP.  É professor universitário aposentado e líder da esquerda reflexiva no Brasil. É petista. Tem 67 anos.

Estado do Colorado decreta estado de emergência devido a gripe aviária

O governador do Colorado, EEUU,  decretou estado de emergência devido a gripe aviária. No Estado, serão sacrificadas 1 milhão e 800 mil aves poedeiras.

Os leitores do nosso  blog sabem que esse assunto não é novo, só que a crise no Estado do Colorado, governado pelo democrata Jared Polis, a rigor insere-se num contexto macro que tende afetar o gado e também os humanos.

 Eis aí mais um capítulo desse crise anunciada.

Como a oposição de Santiago pretende chegar a eleição de outubro?

A eleição municipal que se aproxima demonstra as forças de oposições totalmente rachadas, embora por alguns momentos até foram unidas.

Nossa oposição é bem contraditória e cada bloco emerge com suas forças e suas particularidades. A oposição de direita é bem maior e bem mais expressiva. Têm os dois vereadores do PL, Gildo e Magdiel(Oziel), tem a liderança forte do Presidente do PL, Miguel Bianchini, que já foi vereador e deputado estadual. Ademais, a ala a direita da oposição santiaguense conta ainda com o nome do ex-deputado federal Marcelo Brum, Republicanos, que fez 8665 votos, 30.69% dos votos válidos para deputado federal em Santiago, em 2022. Miguel Bianchini é um nome sério, muito respeitado por todos.

Já nossa oposição de esquerda é representada pelo PT e o PDT, que não tem nenhum líder de expressão nas últimas eleições.

Temos, ainda, a ala centrista de oposição municipal, representada pelo MDB, que tem a vereadora Eva Müller como a maior expressão.

Temos ainda o grupo do PSD de Guiherme Bonotto, que é um grande líder e fez uma bela campanha em 2016 contra Tiago Gorski, obtendo 10.658 votos, ou seja, 35.75% dos votos válidos.

O problema da oposição municipal é que houve uma cisão muito forte em seu núcleo maior, pois até um certo trecho andaram juntos e tanto o PT quanto o PL participavam de reuniões conjuntas. 

Após a cisão fratricida no espectro oposicionista cada um saiu para um lado. O PT, antecipadamente, lançou nomes de candidatas a prefeita e vice-prefeita, fechando as portas para eventuais coligações. O PDT, que tem raízes históricas e nomes como Mauro Burmann, ficou fora dos planos do PT e se quiser, deverá apoiar os nomes do PT já escolhidos.

Sinteticamente, a oposição tem nomes fortes, dentre eles, Guilherme Bonotto e Marcelo Brum, Vulmar Leite, Mauro Burmannn e Miguel Bianchini. Só que não existe uma unidade do bloco de oposição, não existe diálogo e um não fala com o outro.

O MDB corre solto e sozinho, embora tenha o nome do ex-prefeito Vulmar Leite em seus quadros. O PDT corre solto e sozinho, embora tenha em seus quadros um nome respeitável como o de Mauro Burmann. O Republicanos corre solto e sozinho, embora tenha em seus quadro o nome de Marcelo Brum. O PL, pelo visto, segue a mesma trilha, embora totalmente fechado, em que pese o nome forte de Miguel Bianchini e Gildo Fortes, embora ninguém saiba sequer os desdobramentos da petição judicial de Gildo Fortes pela sua reintegração ao poder legislativo. O PSD de Guilherme Bonotto segue a mesma trilha do solitário e solto de todos os demais.

Eu sempre defendi uma união de toda a oposição, seja do grupo de esquerda, seja do grupo de direita. A recente eleição francesa mostrou que esquerda, centro e direita podem – sim – marchar juntos, só que aqui em Santiago sequer se falam e sequer existe debate e muito menos reflexões.

Creio que até a Nina, com seus apenas 14 anos seria capaz de prever o resultado da eleição em Santiago a se manter esse quadro, onde um não fala com o outro.

A direita tradicional e consolidada dentro do PP agiu quieta e em silêncio. Como sabiam que só poderiam ter 14 candidatos a vereadores, tratou de criar extensões, e assim fez com o União Brasil e com o PSDB, que deverão apoiar Piru Gorski.  Não sei quantos candidatos a vereadores o grupo de direita situacionista deverá ter, mas falam em 40 ou mais.

O problema do imbróglio da direita de oposição e da direita de situação é que ambas são bolsonaristas.

É evidente que se o trâmite seguir assim, a eleição será um passeio para Piru Gorski.

É possível, ainda, reunir a oposição?

Não sei, mas creio que não, pois não sei o que rola no PL e nem no Republicanos. É tudo muito delicado.

Ninguém é capaz sequer de chamar uma reunião das forças de oposição ao PP.

A seguir esse roteiro, nem precisa eleição.

 

O caso Thomas Matthew Crooks e a insanidade em série

*JÚLIO CÉSAR DE LIMA PRATES

O caso desse jovem, de apenas 20 anos,  que atentou contra a vida do ex-Presidente Trump traz, embutido em si mesmo, o perigo do descontrole em série.  Assim como ocorrem com os serial killers, onde um caso desperta outros, esse caso do Thomas certamente moverá as atenções de outros jovens nos EEUU e no mundo.

Primeiro, tudo indica que o mesmo sequer tinha ficha corrida policial, era filiado ao Republicanos mas fez uma pequena doação aos Democratas.

É claro que ao fato de Thomas existem fatores subjacentes. Primeiro, a radicalização político-partidária que se vive nos EEUU. Segundo, a facilidade ao acesso a armas e, terceiro, sempre surgem esses casos de descontrole quando se polariza muito uma eleição e a política tende a atrair esses esteriótipos. Esse caso será muito estudado e analisado por psicólogos e especialistas afins, afinal o que leva um jovem de apenas 20 anos colocar sua vida em risco? Convicção ideológica é pouco provável, exceto o autoconvencimento do jovem, limitado ao que ele vê e assiste.

É evidente que a cultura da morte é altamente privilegiada na sociedade norte-americana e isso contagia e insufla negativamente diversos perfis, sendo quase impossível ao campo psicanalítico prever esses casos, que, afinal, geram enorme surpresa e perplexidade.

Mas os casos de ataques e mortes em escolas, que é uma marca da sociedade norte-americana, são altamente debatidos por especialistas e até hoje ainda não se chegou a consenso sobre como evitar essa proliferação de casos, que, na era da telemática expandiu-se mundo afora, inclusive em nosso país.

Eu escrevi um artigo após o debate na CNN entre Biden e Trump que a baixaria tinha dominado o tom de ambos os lados. Não precisa sequer ser um especialista para ver que isso contamina, especialmente as cabeças mais jovens e ávidas pela intervenção sociopolítica.

Esse caso ainda não foi sequer analisado com profundidade, mas ele já gera muita complexidade. O que levou a primeira guerra mundial em 28 de junho de 1914? Acaso não foi o assassinato do arquiduque do império austro-húngaro Francisco Ferdinando e sua esposa Shopie na Bósnia? Acaso não foi a ação do jovem anarquista  Gavrilo Princip, integrante da organização MÃO NEGRA? É claro e evidente que as condições objetivas e subjetivas pesaram fundamentalmente, mas o episódio em si contribuiu sobremaneira para a eclosão do movimento em si.

Sabe-se lá que tipo de influência esse jovem americano tinha? Ninguém ainda traçou um perfil de Thomas e com a pluralidade de acessos midiáticos nada pode ser descartado.

A banalização exposta no debate da CNN e a facilidade do acesso as armas no país podem ter influenciado o jovem Thomas, que sequer se preocupou com seus 20 anos e tampouco com seus pais. É claro que muito ainda vai aparecer, mas o certo é que o exemplo do caso é altamente negativo para a relação da sociedade com os atores políticos.

Em nosso país vivemos uma semelhança de radicalização ideológica há muito tempo exposta nas redes sociais, especialmente com o advento da massificação armada defendida pelo bolsonarismo e a banalização da vida pelo ímpeto político-ideológico-militarista que cresce na esteira de políticas públicas de incentivo a escolas cívico-militares.

Há muito esse germe está solto em nosso meio, assim como na sociedade norte-americana. Ademais, a conjuntura belicosa mundial, especialmente detonada a partir da invasão da Ucrânia pela Rússia, contribui em muito nessa fomentação, aliás, nessa mesma puerilidade do trato banal à vida assistimos com o genocídio israelense em Gaza desde 7/8 de outubro de 2023. É claro que nem o atentado do Hamas pode ser esquecido, mas a desproporção do ataque das FFAA de Israel em Gaza também contribuem nesse caldeirão, onde fervilha o ódio reprimido.

Em termos amplos de eventual conflito global toma corpo a leitura chinesa pela retomada de Taiwan, que encontra todas as condições subjetivas e objetivas favoráveis, especialmente pelo conflito russo-ucraniano e pelo desastre nas eleições norte-americanas, onde o senilismo de Biden ocupa os debates.

É evidente que existe uma retomada mundial pelo armamentismo, especialmente pela união russo-persa, assim como o russo-coreano e russo-vietnã,  assim como o conflito israelente x palestino que ganha corpo excepcional e contagia o mundo, a ponto de fomentar Xi Jinping e o partido comunista chinês na retomada de Taiwan desde Chiang Kai-Shek.

Nesse espectro todo que emerge no mundo não há como negar que a despeito de todos os avanços científicos e tecnológicos do mundo trilateral na era da inteligência artificial, tão decantada por Miguel Nicolelis, emerge também o descontrole primitivo que todos temos dentro de nós e o resultado dessa unicidade individual com a macro-política coletiva é o claro exemplo do atentado ao ex-presidente Trump, pois em todos está presente o germe da violência, seja na forma que for, mas que ninguém mais segura a explosão coletiva que insufla o individualismo, como foi com Thomas em face de Trump.

Ademais, a leitura complexa dessa anômala perversidade social enseja múltiplos conhecimentos, sob pena de gravitarmos em torno da mediocridade jornalística e dos fragmentos teóricos pinçados aleatoriamente de um ou de outro especialista, sem o todo ontológico necessário para a devida compreensão que exige conhecimentos históricos, sociológicos, filosóficos, políticos, jurígenos, psicanalíticos e até sociolinguísticos, pois sem a compreensão da relação língua-sociedade, tudo fica perdido e solto. Assim, não basta a sociolinguística, sem a leitura histórica, como não bastam essas sem a leitura psicanalítica, como também não bastam essas sem a leituras jurígenas (e não jurídica), assim como a sociológica, política e a filosófica.


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225, Sociólogo e Advogado inscrito na Sociedade de Advogados nº 9980 OAB-RS. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural. Autor de 6 livros.