O cinismo da esquerda e a apologia ao cadeiraço

Eu nunca me liguei no debate municipal de São Paulo. Prefiro sempre acompanhar as notícias no oriente médio e pari passu vivo minha afetividade com os palestinos em Gaza.

Se votasse em São Paulo meu voto seria quieto em Boulos. Não sei nada sobre Marçal, mas nada mesmo, exceto que levou uma cadeirada de Datena.

Quem acompanha as redes sociais no país, como eu acompanho, fico chocado ao ver canais de professores da USP, todos doutores e pós-doutores, elogiando a atitude bárbara de Datena, que virou ícone da esquerda do dia para a noite.

Não vi nenhuma voz crítica reprimindo a violência e mesmo pregando a paz e a não violência.

A conclusão a que eu chego, solitário em Santiago, é que sou uma voz perdida, sem eco e limitado a anotar o que observo.

O risco da apologia da esquerda ao ódio e a defesa da truculência, como fez Datena contra Marçal, depõe contra o mundo civilizado e incentiva episódios semelhantes e similares.

A provocação de Marçal faz parte do debate e isso eu sei bem, seja como advogado, seja como sociólogo. Agora, a apologia a violência contra Marçal, como estão fazendo todos os canais esquerdistas e esquerdizantes, passa um péssimo atestado para a população brasileira e mundial, afinal o episódio virou manchete em todo o mundo.

Sinceramente, ao revirar meus canais do dia de ontem, confesso-me surpreso e estarrecido. A ampla simpatia ao gesto brutal de Datena ocupou boa parte dos debates, quase sempre na mesma linha: incentivo a violência, como se a política fosse a arte de calar os adversários na base da cadeirada.

O exemplo que vem de São Paulo escancara o lado mais cínico de nossa política e os canais de esquerda, que são árduos defensores da paz e do pacifismo, são os primeiros a incentivar a violência e a fazer apologia aos atos bárbaros e violentos.

 

Da morte do santiaguense MARCELO PINTO RIBEIRO

Marcelo Pinto Ribeiro foi uma das raras amizades que eu tive quase somente virtual. Durante muitos anos conversávamos sempre a noite, pela madrugada, pois ele sabia que eu ficava acordado até altas horas.

Um dos homens mais bem informados do Estado, Contador de renome, era uma dessas feras raras. Sabia tudo de todos e sabia filtrar tudo muito bem.

Tinha uma irmã, que é da receita federal aqui de Santiago e um irmão que é chefe do departamento de engenharia da USP.  Quando sua mãe faleceu, ele passou a notícia somente para meu blog e nessa semana, curiosamente, eu falei sobre ele para minha queria amiga MARTA MARCHIORI. Falei e contei sobre suas virtudes, mostrei a foto dele com seus pais no perfil do whatsapp e acabei revelando para a Marta muito das minhas fontes. E como ele sabia coisas.

Não sei quantas horas de longas conversas tivemos. Mas não foram poucas.

Nunca tive amizade com sua irmã, nem nunca falei com ela.

Ele, estranhamente, quando sua mãe faleceu, me disse que me daria uma procuração para atuar em seu nome. Cerimonioso, assinou a procuração e levou-a no Escritório, dando-me amplos poderes para atuar em seu nome.

Ele certamente me conhecia além do que aparentava, pois sabia coisas da NINA que uma pessoa comum não pode saber, assim como não pode saber coisas de desembargadores que só ele sabia. Sabia até da morte de um cachorrinho de um desembargador.

A procuração, entreguei para o juiz do processo em POA e notei o silêncio em responder um pedido do juiz. Quando olhei seu whats, vi que ele não tinha visualizado minhas mensagens, mas eu não sabia que ele tinha falecido.

Hoje a tarde, recebi a visita do arquiteto Artur Viero e ele me contou que sua irmã havia anunciado sua morte. Fiquei espantado e fui vascular o facebook dela e de fato ela estava anunciando a morte do seu irmão.

Fiquei assustado, pois ele me falou que estava com câncer e brincou comigo me dizendo que teria poucos dias de vida. Confesso que não levei a sério. As pessoas quando têm câncer duram anos e não acreditei que ele fosse morrer.

Mas no anuncio de hoje sua irmã comunica que há 5 dias atrás ele faleceu.

Era uma pessoa sábia, magistral, um homem com rara visão de tudo e sagaz em praticamente tudo.

Quando ele deixou-me a procuração quis me pagar adiantado, mas – como sempre faço – nunca o cobraria em função de nossa amizade. Éramos amigos de longos anos e ele sabia muito sobre mim, muito mesmo, até detalhes, pois ele era próximo do desembargador que a Teca trabalhava. Noto o quanto ele sofria e sentia as minhas dores.

Perdi um raro amigo e um ser humano maravilhoso, coração bondoso, e um homem justo, acima de tudo, justo.

Fiquei chocado com a notícia de sua morte e estou muito triste, pois era um amigo que eu valorizava muito e nossa amizade era pura e sincera.

A excelente entrevista de Vulmar Leite da TV União Web

O  CANDIDATO a prefeito pelo MDB/PDT concedeu na noite de ontem uma excelente entrevista ao jornalista Maico, diretor da emissora.

Afora a condução ser muito bem feita, o ex-prefeito Vulmar demonstrou conhecimentos, atualidade e demonstrou os porquês que representa assombro no PP.

Eu não estou autorizado a republicar a entrevista e por isso me limito a emitir um juízo. Na minha opinião, Vulmar foi muito pontual, acertou em cheio nas questões mais centrais que afetam aos santiaguenses .

A crítica as rádios locais foi vergonhosa para quem é da imprensa, e criticou quem quer ser monarca do povo de Santiago.  Ademais, ao criticar o horário da prefeitura, que encerra o expediente as 14 horas, nisso também foi pontual, pois a crítica da população é generalizada sobre esse horário da prefeitura.

Acusou a câmara de vereadores de conivente ao não investigar as denuncias do vereador Gildo, do PL, sendo que citou o caso sem citar nomes.

Frisou que dará 4 anos de sua vida para reorganização de Santiago e também nisso foi elogiável.

Criticou o pronto socorro municipal e disse que a pessoa precisa de uma radiografia na costela e fazem da mão. Frise-se, para saberem, que o Pronto Socorro Municipal é do Município e não do Hospital.

Abordou muito bem a questão educação, criticou o exagero de CCs e disse que Santiago  é meu país. Devo lealdade ao povo daqui.

Insistiu na prestação de contas de cada centavo arrecadado e criticou os esgotos correndo a céu aberto.

E concluiu dizendo: vou ser o prefeito e sinto isso nas ruas. Criticou a postura autoritária do chefe maior (sem citar Tiago Gorski) e seus prepostos.

Eu recebi a entrevista agora ao meio dia e não recebi a dos demais candidatos.

O ponto fraco da entrevista foi a crítica as lombadas, pois as ruas são pistas de corridas e as lombadas ainda ajudam aos pedestres. Confesso que não gostei dessa crítica.

Mas, em suma, Vulmar foi muito feliz, saiu-se muito bem, demonstrou conhecimentos amplos e alargou o debate com críticas pontuais e certeiras. É disparado nosso político mais experiente e melhor preparado.

Parabéns ao Maico pela excelente entrevista e ao Vulmar pelo excelente desempenho. Foi o momento mais rico dessa eleição apática de Santiago e sem emoções.

O meu sangue é ruim

Todos nós sabemos a verdade sobre nossos destinos. É estranho isso, mas eu sempre soube o meu. E tudo começou quando eu tinha 7 anos.

Eu vendia bolinhos no portão da Artilharia, era o ano de 1967.  Um dos jovens que estava ingressando no serviço militar comprou-me um bolinho e depois não quis me pagar.

Fui até minha casa, sem a menor  dúvida, apanhei um punhal muito bem pontiagudo, tapei com o pano de prato e voltei a procurar o malfeitor.

Procurei-o bastante, mas quando o encontrei, não tive a menor dúvida, cravei o punhal em sua perna. Foi um banho de sangue e ele foi socorrido para dentro do quartel.

Como meu pai não falava comigo, fui para casa e contei tudo para minha mãe.

Ela me ouviu atentamente e não me repreendeu, pois ela sabia quem eu era e apenas mandou eu ter cuidado.

Durante anos, na medida em que fui crescendo, sempre notei que eu tinha um lado vivamente assassino dentro de mim. Mas sempre fugi do meu verdadeiro eu e nunca dei vazão as brigas. Mas sempre soube quem eu era.

Formei-me em Direito e sempre quis viver dentro da legalidade e do Estado democrático de Direito. Contudo, sempre soube os limites do Direito, onde termina o Direito e onde começa o homem primitivo.

Os últimos acontecimentos de minha vida fervilharam meu lado escondido e pensei seriamente que minha hora chegou.

Eu sei exatamente o papel que cada um fez para destruir com minha vida, sei exatamente quem é quem e o que fez cada um dos planejaram me destruir por completo. Só se esqueceram que minha derrota completa só de daria com minha morte.

O meu sangue é ruim. Muito ruim.