Anotações livres sobre o companheiro Júlio Garcia
Conheci o companheiro Júlio Garcia em 1978, ainda antes da fundação do PT, que foi fundado em 10 de fevereiro de 1980.
Sempre foi um companheiro exemplar e comprometido com os trabalhadores. Não é de hoje que o conheço.
Júlio Garcia é um às, sempre foi um homem raro, sempre foi, um homem sério, honrado e inabalável.
Recebi Olívio Dutra em minha casa em 1980, assim como Raul Pont, que foi meu professor de ciência política, no curso de sociologia, em 1984, mas o conheci em Santiago na mesma ocasião que Olívio Dutra, em junho de 1980, quando o suplente de vereador do PMDB, César Moura, decidiu filiar-se ao PT e chegou a usar o parlamento como vereador pelo PT.
Júlio Garcia tem origem e é dos raros. Admiro-o demais por sua origem e compromisso, desde cedo, ao lado dos fracos e oprimidos. Quanto ao vereador Deio, respeitosamente, sequer o conheço pessoalmente, mas desejo que siga os passos e a origem de Júlio Garcia.
Júlio Garcia é um advogado raro e pai de uma psicóloga rara, que fez minhas oitivas e fez meus laudos quando em disputa, pela minha filhinha Nina Mello Prates. Pessoa rara, Laís Garcia, tem berço e tem origem.
Assim como sua mãe, Psicopedagoga Rosani Garcia, minha extraordinária amiga de décadas. Em suma, uma familia rara e sempre ao lado dos fracos e oprimidos.
Júlio Garcia foi subchefe da casa civil do governo Olívio Dutra, integrou a assessoria do deputado federal Marcos Maia, quando presidente da câmara federal e hoje apenas advoga em Santiago e região, sendo um amoroso filho que cuida incansavelmente de sua genitora. Integrou, também, 1º e o 2º Governo Lula na CGTEE, também dois anos no governo Tarso Genro (PT/FP, 2011/2013), a PGM do município de Canoas (2014/16) e, agora, mesmo sem integrar as atuais direções do PT (em Santiago e no RS), continua militando ativamente, contribuindo também, de forma independente , nas fileiras do DAP (Diálogo e Ação Petista), articulação supra-tendencial do PT nacional, que faz uma oposição construtiva “pela esquerda ” às direções nacional, estadual e municipal do partido.
Quando eu não sou eu, quando sou aqui, já não sou mais ali …
*Júlio César de Lima Prates
Em cada leitor, gostem ou não, existe um grau de interatividade e esse se expressa na compreensão que se estabelece entre o que é lido com o nível de informação do receptor/leitor. De nada adianta eu falar, por exemplo, em Ymir, Vili, Ve e Odin se o leitor nada sabe acerca da mitologia nórdica. Assim, me cuido de tudo o que escrevo e levo em conta a necessidade de compreensão. Eu conheci Zélia Gattai, ouvi suas palestras e li algumas de suas obras. É claro, sou mais Jorge Amado, sou mais Cavaleiro da Esperança que Anarquistas Graças a Deus. Meu sobrinho, Guilhes Damian, foi o primeiro a perceber que minhas inclinações eram muito mais afetas ao anarquismo do que ao marxismo.
Mas como nunca me preocupei com rótulos, sempre fui um pouco de cada coisa. Poucas pessoas aprenderam a dominar a dialética como eu aqui em Santiago. Por isso mesmo, permito-me construções e desconstruções, sem me importar com o que abomino no marximo: o autoritarismo, as fórmulas prontas, a arrogância e o mecanicismo.
Mas me serve o paradigma e uso-o como ninguém. Não vejo o anarquismo como algo estanque e repudio com igual veemência seu arquétipo fechado, mecânico, uma nova religião dogmática, que negando faz apologia do que diz combater. Mas o individualismo dentro do coletivismo me serve e não me seduz a anulação do eu em nome de uma proposta coletiva. Curiosamente, até onde eu sabia, notei minha filhinha transitando do marxismo ao anarquismo.
Na verdade, não sei se existe uma verdade na sociedade. Prefiro acreditar que somos uma síntese de várias verdades, existem núcleos de verdades em quase todas as teorias. Outras, não. Não acredito em prevalência só dessa ou daquela teoria. E também não tenho medo de me expor em exposições teóricas. Acho que quanto mais compreendemos uma teoria ou algumas teorias, mais incertas se tornam nossos seres. Quando eu não sabia muito, era muito mais convicto. Agora que sei um pouco mais, sou um pouco menos convicto.
Mas, afinal, a dialética me permite descrever-me como marxista e protestante e permite-me comparar o marxismo a uma religião. Se é ou não é, sei lá, pode não ser, mas que os pressupostos me parecem muito idênticos, me parecem mesmo.
No estudo da sociologia das religiões, preferi conhecer todas elas: Judaica, Egípcia, Nórdica, Hindu, Sino-japonesa, greco-romana, persa, maia, asteca, yorubá… … cada uma tem um núcleo de verdade e todos os que professam suas crenças, acreditam suas verdades como prontas, verdadeiras, dogmáticas, absolutas e únicas. E é dessa crença e dessa fé que se derivam os fundamentalismos. Os budistas acham que suas verdades são únicas e acreditam somente no arquétipo e nos pressupostos teóricos do budismo. O mesmo raciocínio vale para os judeus, para os cristãos, para os islâmicos…Irracional é discutir religião. Religião é como nariz, cada um com o seu. Eu gosto muito de ler e entender o evolucionismo, não raras – às vezes – ando com minha cabeça no período cambriano, transito do paleozóico ao mesozóico e não encontro guarida para fantasias no cenozóico.
Confesso que há alguns anos atrás imaginei que ingressaríamos numa sociedade de luzes, com as luzes da ciência e da razão se sobrepondo aos misticismos. Porém, errei feio, pois nunca pensei que estaríamos mergulhados numa terrível onda mística, onde a fantasia e a ilusão fazem escola. Nada contra a fantasia e a ilusão, pois bem sei de sua imprescindibilidade. Mas defrontei-me com uma sociedade de fé, cuja crença irracional no fundamentalismo das crenças, é vingativo e punitivo para quem não se submete ao sistema de dogmas e crenças. Poucas pessoas em Santiago ardem na carne o custo de falar a verdade sobre Deus, crenças, fé e religiões.
O que poucos notam é que eu sou honesto ao externar minhas dúvidas e não ter medo de assumir minhas incertezas. E assim vou indo, desafiando o linchamento moral a cada esquina, convivo com as pragas de que mais dias menos eu me dobro ao deus dos crentes e suas loucuras de que quem não vem por amor vem pela dor. Mas quem é que disse que eu quero ir para algum lugar?

Sobre minha alma, se é que ela existe, decido eu. Até hoje não temos prova alguma da existência de alma e espírito, tudo são criações humanas, assim como o céu e o inferno.
A inquisição moderna é diferente, é excludente, finge que aceita os desajustados e – no fundo – nos quer ver mortos para satisfazer suas profecias de fé. Mas eu quero que todos tenham o direito sagrado e universal de escolha.
Luto e morro lutando pelo direito de as pessoas poderem escolher sua fé, sua crença e sua igreja. Um dia qualquer, arrumo uma igreja e vou lá fingir que sou normal, afinal, humano eu sou da espécie. Só os princípios dos iluminattis me fazem bem, e por isso adoro meus amigos trabalhistas, petistas e tudo mais que for comunismo e socialismo. No fundo, é tudo a mesma coisa. Apenas depositários de sonhos diferentes,
Quando digo que sou e não sou, não estou brincando. Quando digo que sou, já não sou mais, e o que sou aqui, não sou ali. Dialética pura. Quem não compreender isso, não compreenderá que um homem não se banha duas vezes no mesmo rio e que meu blog é somente para leitores com senso bem refinado e discernimento dialético, sem verdades prontas, fechadas e dogmáticas.
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*Autor de 6 livros, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registro Internacional de jornalista nº 908 225, Sociólogo e Advogado.
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A matéria está nos Jornais Correio Braziliense e Folha de São Paulo. Apenas não vou replicá-las.
