A biografia feita pelo psicanalista Peter Gay e relatos do médico Max Schur mostram seus momentos finais, mas o que mais doía em Freud era que seu cão favorito não chegava perto dele, posto que tua mandíbula pútrida afastava seus entes queridos e atraíam moscas, tendo que sobreviver em uma tela para que insetos se afastassem. Então falou, segundo Max: “vamos acabar com isso”, então o médico lhe deu morfina, e por fim faleceu.
Aos 82 anos e com um doloroso câncer na boca, Sigmund Freud fez a última e mais dramática viagem de sua vida. A Áustria fora invadida pelas tropas de Adolf Hitler, que tinha uma opinião previsível sobre os estudos de Freud: “Decadente ciência de judeus”. Com sua enorme coleção de antigüidades e livros, acompanhado da esposa, filhos e alguns amigos, Freud optou pelo auto-exílio e chegou a Londres em junho. Ali seria tratado com respeito e carinho e acomodado numa elegante casa no bairro de Hampstead, mais tarde transformada em visitadíssimo museu.
Se não fosse a pressão de autoridades como a princesa francesa Marie Bonaparte, que chegou a dar-lhe dinheiro para a viagem, e do presidente americano Franklin Roosevelt, Freud provavelmente teria tido um fim menos digno no campo de concentração de Theresienstadt. O cerco se fechava cada vez mais. Seus livros eram queimados em praça pública, a psicanálise tinha sido abolida do Estado nazista e sua casa, na Bergasse 19, num bairro aristocrático de Viena, era invadida constantemente pelos truculentos agentes alemães, que roubavam objetos e extorquiam dinheiro. Numa dessas visitas, a filha de Freud, Anna, foi levada para interrogatório, só voltando tarde da noite.
Freud se sentia amargurado desde antes da subida de Hitler ao poder, em 1933. “Meu idioma é o alemão. Minha cultura e minhas conquistas são alemãs. Intelectualmente, me considerei alemão até perceber que os preconceitos antl-semitas iam aumentando na Alemanha e na Áustria. A partir daí, deixei de me considerar alemão. Prefiro definir-me como judeu”, declarou numa entrevista de 1930. Quando a perseguição se agravou, após a anexação da Áustria pela Alemanha, Freud foi salvo por seu prestígio. Três de suas irmãs não tiveram a mesma sorte e morreram em Treblinka. A Inglaterra, país que Freud disse ter amado desde a primeira visita, aos 18 anos, tornou-se sua pátria adotiva por pouco mais de um ano. Morreu em 23 de setembro de 1939, quando a loucura nazista já levara o mundo à guerra.
Fonte: “Pai da psicanálise foge da loucura”. O Globo, Rio de Janeiro, n. 14, 2000, Globo 2000.
Foto: Chegada a Londres, em companhia da princesa Marie Bonaparte. (Acervo: Biblioteca do Congresso, Washington D.C.; USA)
Jornalista judeu criticou o silêncio das entidades judaicas após o gesto nazista do bilionário.
247 – O jornalista judeu Breno Altman usou as redes sociais nesta terça-feira (21) para criticar o silêncio generalizado de entidades judaicas, que se recusaram a condenar de maneira enfática o gesto nazista feito pelo bilionário de extrema-direita Elon Musk durante um evento realizado após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira, ao discursar, Musk bateu com a mão direita sobre o coração, com os dedos bem abertos, depois estendeu o braço direito para fora, enfaticamente, em um ângulo ascendente, com a palma para baixo e os dedos juntos. Em seguida, ele se virou e fez o mesmo gesto com a mão para a multidão atrás dele. Musk foi acusado de promover o nazismo, mas algumas entidades judaicas, como a Liga Anti-Difamação, discordou. Ele rejeitou as críticas ao gesto com a mão como um ataque “desgastado”.
Segundo Altman, o silêncio das entidades sionistas evidencia o que ele chama de “confluências” com a ideologia nazista. Para ele, judaísmo e nazismo não são necessariamente opostos, mas compartilham, na sua visão, o objetivo de estabelecer um Estado baseado em princípios racistas.
“O silêncio de entidades sionistas acerca da saudação hitleriana de Elon Musk simboliza confluência entre nazismo e sionismo. Essas doutrinas nunca foram efetivamente contrapostas. Sionismo não é sobre enfrentar nazismo ou antissemitismo, mas sobre criar um Estado racista judaico“, escreveu Altman na plataforma X.
Após tomar posse, Trump assinou um decreto para criar um grupo consultivo chamado Departamento de Eficiência Governamental com o objetivo de realizar cortes drásticos no governo dos EUA, atraindo ações judiciais imediatas que contestam suas operações.
O grupo — apelidado de “DOGE” — está sendo dirigido por Elon Musk e tem metas grandiosas de eliminar agências federais inteiras e cortar três quartos dos empregos do governo federal.
O debate mundial aberto pela saudação do bilionário sul-africano Elon Musk na posse de Trump, ontem, nos EEUU, abriu um debate, onde a saudação foi vista como a mesma usada pelos nazistas na Alemanha.
É claro que ainda devemos esperar pela explicação do bilionário, pois pode sim ser um gesto feito por engano, embora seja difícil ele convencer que desconhecia o gesto. Musk é uma pessoa bem informada e com largo acesso as informações.
Musk deixou um legado bem preocupante devido ao fato de seu filho Xavier Musk, ter trocado de sexo e mudado de nome, passando a ser chamado de Vivian Jenna Wilson. Até aí tudo normal, anormal é conflito gerado entre pai e filha, pois ambos dizem que um está morto para o outro. É claro que Musk encarnou o combate a cultura woke, gíria empregada nos EEUU para combater a liberdade de escolha de políticas liberais, feminismo e ativismo LGBT. Alias, o assunto foi alvo do discurso de Trump, em sua posse, atacando o casamento entre pessoas do mesmo sexo e fazendo apologia ao relacionamento homem e mulher.
Eu, pessoalmente, entendo que as pessoas devem ser livres para escolherem seus parceiros sexuais e/ou parceiras sexuais e escolherem livremente suas opções, sem interferência estatal. Por outro lado, reconheço que o movimento de direita avançou muito no mundo e, agora com Trump, a expressão dessa direita será ainda maior. Não vejo com bons olhos a emergência desse movimento em nível mundial e sei que isso pode ser o prelúdio de um movimento maior e mais grave contra as pessoas que querem apenas viver em paz com sua liberdade de amar e expressão do seu amor.
Entendo que o amor de um pai por um filho ou filha não deve ter restrições de ordem sexual, pois quem ama, ama a pessoa e respeita sua liberdade e seus posicionamentos afetivos. Eu teria vergonha de mim mesmo se não respeitasse a liberdade de escolha de minha filhinha.
O presidente TRUMP tem uma filha, Tiffany, sabidamente gay e ela sempre elogiou o pai em suas manifestações, pois segundo ela, ele sempre a respeitou e a apoiou. É claro, o discurso de TRUMP ontem, deve ter chocado Tiffany, assim como a comunidade homoafetiva nos EEUU e no mundo.
Eu nunca participei de comunidades homoafeticas, mas sempre vi com bons olhos a posição do PT, defendendo a liberdade de escolha das pessoas, sem interferência estatal. e o livre relacionamento de quem quer que seja. Nisso, o PT é altamente coerente e tem meu respeito pela coragem de se contrapor a essa velha ideologia de discriminação e opressão contra as pessoas por suas escolhas sexuais, sejam do sexo que forem, sejam as escolhas que forem.
Agora, encerro meu breve artigo apenas externando minha preocupação com o futuro e um certo receio com o avanço dessa direita radical com posições expressas por TRUMP e MUSK. E vamos ver o que dirá MUSK sobre seu gesto, se foi consciente ou não. Hoje se combatem as pessoas pelo sexo, amanhã as estarão combatendo pela cor da pele, sendo que negros, judeus, ciganos e outras minorais estarão sempre em risco e numa zona minada pelo preconceito e pelas suas escolhas. Precisamos abrir os olhos, pois estamos aceitando, passivamente, a naturalização do absurdo.
*É escritor, autor de 6 livros, jornalista brasileiro registrado no Ministério do Trabalho sob nº 11.175, jornalista com registro internacional nº 908225, Bacharel em Direito, em Sociologia e em Teologia. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural.