Identidades, laços entre mãe e filho

Minha mãe foi a única pessoa no mundo que sempre me amou e sempre cuidou de mim com afeto e amor.

Certamente, ela sabe tudo que eu tenho passado com as crises de hipoclicemia e essa diabete descontrolada.

Tomara que os espíritas estejam certos, pois é muito gratificante ter a companhia espiritual de minha mãe. Hoje, deitei no sofá e peguei brevemente no sono. Cansado de passar acordado cuidando as crises, medindo a pressão e coletando sangue dos meus dedos, peguei cedo no sono e tive mais um sonho maravilhoso com minha mãe.

Eu sempre ouvi falar, nas histórias de nossa gente, em Florida, que quando estamos partindo os mortos acampanham ao nosso redor. Minha debilidade física é uma realidade e enfrento o crônico problema de não ter fome. Até como, mas muito a contragosto.

Eu ainda quero descobrir como eu tenho um condão mágico de amizades com o pessoal de SÃO PAULO, embora no livro do advogado Simões, aqui de Santiago, tem uma história dos SOARES, família de miha mãe, que eram todos grandes assassinos e matadores, e todos vieram de SÃO PAULO para o Rincão dos Soares, aqui antes de Florida.

Gostei muito de saber a história dos SOARES, pois minha mãe era SOARES DE LIMA, esses me encantaram com suas histórias, eram genuinamente assassinos, matadores, bandidos, bondosos e justos. Descobri num livro de autoria do Advogado José Élvio Simões, aqui de Santiago, a história dos SOARES e – curiosamente – eram todos paulistas. Que ironia, ironia fina!!!

DEIO RANCHÃO SOARES era muito ligado a minha família e tinha um venerável respeito pela minha mãe, que fazia-lhe comida e chás de hortelãs. Deio ía em nossa casa pelos fundos, sempre sendo cassado, alimentava-se e dava muito amor a uma irmã, que era bem loirinha e bem magrinha, sendo uma criança ainda, segundo minha mãe me contava.

Por fim, hoje, quando fui buscar meu almoço, encontrei o meu prezado amigo Historiador Joaquim, um dos teóricos mais preparados na Igreja da Comunidade, tanto que faz missões na África e viagens a Israel. Gosto muito do Joaquim e somos amigos . Joaquim sabe que eu rompi com Israel por causa de GAZA. Sou antissionista mas não antissemita, apesar de viver no meio da insipiência.

Esse lado dos SOARES muitas vezes me preocupa. Pois é uma vertente incontrolável que temos dentro de nós: Somos todos assassinos, embora vivamos em paz e fugindo do nosso verdadeiro eu.

Prefiro falar com os espíritos em busca de um conselho decente, por isso alimento a fantasia dos sonhos com minha mãe para ir resistindo a doença que se abateu sobre mim.

 

Outros saberes e outros conhecimentos

* Júlio Prates

Eu li Erich Fromm, A ARTE DE AMAR, em 1984, pela primeira vez. Pertencia ao Centro de Estudos Freudianos e nos reuníamos todos os sábados a tarde, no Museu do Trem, em São Leopoldo. Éramos jovens, mas ali já emergiam sumidades como Mario Fleig e Paulo Ricardo Petry.

Nosso grupo era aplicado, ficávamos meses só na filosofia, meses na sociologia, meses na psicanálise … e passaram-se alguns anos. Para mim, o bom foi descobrir o arquétipo das várias ciências e certamente era o mais versátil, pois trafegava ao mesmo tempo na ciência política (recomendo que todos leiam o livro “Tudo Começou com Maquiavel”, de Luciano Gruppi), na Antropologia, pois era fascinado pela proposta de Lévi Strauss e entender a fonologia, a psicanálise e marxismo, a partir de uma concepção dialética e interativa; foi com Florestan Fernandes, a quem conheci em vida, que rompi com a idéia de um sistema funcionalista único e foi um simples texto dele sobre como estudar uma tribo de índios, isolada, que emergiu em mim a possibilidade de usar outros métodos, além da dialética, o estrutural-funcionalismo. E desde então, embora eu use a dialética como método, dou vivas incursionadas noutros métodos e até fundo vários métodos para estudar e aplicá-los sobre alguma realidade.

Mas, como dizia, eu vivia uma certa inquietação. Não tinha como ler todos os clássicos, que dariam a arqueologia do saber de cada ciência, então pus-me a ler os resumos, dos autores franceses principalmente. E como estava certo, impossível era eu ler, dissecar e entender o pensamento de Hegel, mas foi lendo CONHEÇA HEGEL, de Roger Garaudy, que pude ler aos 27 anos entrar para dentro do sistema; é claro, comprei a pequena enciclopédia hegeliana e de Marx, e sabia muito, pois já vinha de 3 anos do curso de Sociologia e o lia no dia a dia.

Assim, fui fazendo o mesmo com todas as ciências e seus paradigmas, não estudando tudo, mas buscando compreender os pensamentos dominantes, na economia, já dominava Marx, foi-me fácil chegar em Ricardo e Adan Shimitz…Hume, Quesnay…tudo me virou uma facilidade.

Nesse período decidi abandonar todos os estudos formais. Fui no Direito e descobri um a um dos seus paradigmas: jusnaturalismo, positivismo e – é claro – apaixonei-me pela Teoria Dialética do Direito, enquanto vertente epistemológica do Direito.

Daí, fui para a Sociologia das Religiões e descobri o quanto tudo isso, mais o ocultismo de Pappus, tenho uma coleção de 20 livros somente de autores ocultistas mexeu comigo…e aqui acho que matei minha alma. Perdi a fé, fui tomado pela descrença e agora volto ao início desse artigo, Erich Fromm e A ARTE DE AMAR.

Com Fromm, descobri os vários amores, do pessoal ao inter-sexual. E como é complicado esse debate e a separação dos limites da amizade e do amor carnal.

E quantos amores existem assim em Santiago? Aposto que milhares, talvez as pessoas não saibam compreender, nem exteriorizar e nem abrir o debate, que é necessário.

Por fim, eu fiquei feliz demais por tudo, por ela saber que seremos apenas amigos nessa vida, com os campos bem delimitados, e ela vai seguir a vida dela, com o tempo, encontrar um esposo, constituir uma família, mas eu ficarei gravado na vida dela, como um amor diferente, puro, voltado para a edificação e para a espiritualidade, como era Jesus Cristo com Madalena.

O problema vai ser a NINA entender isso tudo. Minha filha é totalmente anormal para a idade dela.

Explico-a então que isso não agrada aos olhos de Deus; ela fica pensativa, pensativa…mas esse é o começo do amor em Fromm e nossa discussão local.


*Jornalista MTb-RS 11.75, Jornalista Internacional com registro de Editor nº 908225, Sociólogo e Advogado. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual e também em Sociologia Rural.