
Eu namorei uma moça, certa vez, que era muito observadora, detalhista, e tinha instrumentais teóricos para julgar um semelhante.
Um dia ela parou, me olhou firme dentro de meus olhos e sentenciou: – tu é bandido, teu olhar é de bandido, teus traços são de bandidos, teu caminhar é de bandido.
Eu apenas a escutei e não proferi uma só palavra, afinal ela era uma médica-psiquiatra e, certamente, tinha convicção do que dizia.
Eu tirei essa foto hoje a noite, essa é minha cara, nunca quis ser nada além do que eu sou. Sou pobre, vivo sozinho, durmo no chão e não ligo a mínima para minha aparência. Não lavo minhas roupas, não uso perfumes, nunca bebi bebida alcoólica, nem nunca cheguei perto de um cigarro. Não conheço maconha até hoje.
Mas – estranhamente – sou o homem mais processado de Santiago, mais perseguido e mais injustiçado, pois eu, como advogado, sei bem tudo o que me fizeram. E sei quem me fez. Sei o que cada um fez e a participação de cada um.
Tem que gente que se engana e acha que foi o Lucas que baixou 5.300 páginas de ofício, frente e verso, baixadas de aplicativos. Agora, vou pedir ao CNJ autorização para divulgar o teor das conversas baixadas. Eu encontrei um professor de telemática, de CANOAS, que fez tudo para mim, ele é perfeito e faz exatamente o que o Lucas Figueira me mostrou como era fácil fazer.
Quem imaginou que foi o Lucas se enganou redondamente. É que eu procuro manter-me bem informado. Quis saber detalhes de uma trama golpista e esse meu amigo foi certeiro. Foi exato, Foi na mosca e me entregou tudo, tudo, tudo, coisas inacreditáveis. Pessoas que aparentam serem além do bem e do mal, em conversar de aplicativos revelam-se e demonstram como podem enganar tão bem.
Eu ainda não entendi bem de onde essa respeitável médica-psiquiatra concluiu que era bandido no olhar, nos meus traços e até no meu caminhar.
Não a respondi e nem a responderia.