Pensava uma coisa, mas o rumo do mundo foi para outro lado

*JÚLIO CÉSAR DE LIMA PRATES

Como sou pai de Nina e toda a cidade e região conhecem minha história, tentarei ser breve e sucinto. Para mim, independente da certeza de DNA, pai é quem cria, que ama e quem educa.

Penso que o legado de uma vida é uma história para sempre, que não morre conosco, mas que se repassa a gerações.

Uma noite, em plena pandemia, caminhando com Nina, observava as casas e as famílias. Havia fogo nas lareiras e o cheiro da lenha queimando exalava o odor típico.

Procurei sempre ser um bom pai. Procurei cuidar de minha filhinha com amor e afeto. E creio que vivemos bem, até onde foi possível, até os belzebus se atravessaram para destruir tudo e aniquilar com minha imagem e destruirem até minha vida profissional.

Restaram apenas cacos de sentimentos e pedaços de histórias, talvez cenas que serão enterradas comigo.

Nessa noite em que caminhava com Nina, uma pergunta fulminante cortou minha alma: – Pai, por que tu é pobre se todos os advogados são ricos, tem casas e carros?

Expliquei a Nina que eu era diferente e nunca busquei dinheiro com meu trabalho e sim era apenas para  ajudar as pessoas pobres e necessitadas. Pensei no legado que construi em minha vida para minha filha. Nunca uma pessoa vai me acusar de ter ficado com dez reais dela, cem reais ou mil reais. Sempre fui limpo em minha vida e nunca tirei um centavo indevido de quem quer que seja,

Sou um péssimo advogado, pois não sei cobrar e fico totalmente constrangido quando tenho que falar em dinheiro para meus clientes. Sou assim, mas nada me fará mudar. Sempre fui assim quando criança e segui assim até minha avançada idade de 65 anos.

Eu não sou desse mundo e essa vida nojenta onde tudo gira em torno do dinheiro apenas me afasta das pessoas. Tenho nojo dessa política podre, de troca de favores e tudo isso se resume a institucionalização da mentira e da falsidade. Não suporto as mentiras desses evangélicos que transformaram suas igrejas em seitas e conduziram esse povo acrítico como manada.

Sei que ninguém acredita em mim, mas nunca fumei um  cigarro e nem conheço maconha até hoje. Cocaína, da mesma forma, nunca sequer a vi, exceto em filmes. Não gosto de cervejas, e apenas tomei refris em minha vida. A mãe da minha filha viveu 12 anos ao meu lado e nunca me viu com um cigarro, com um copo de cerveja ou qualquer bebida alcoólica. Sempre ensinei a ela o peso e o tamanho dos estudos e sempre mostrei que devemos ser justos e íntegros com as pessoas.

 

Quando ainda falava com Nina, fiz ela me prometer que nunca usaria drogas em nenhuma hipótese. Ela me prometeu, mas minha imagem foi completamente destruída por falsas acusações, difamações, armadilhas e sujeiras, sendo que as maiores partiram de pessoas que estavam ao meu lado, me conheceram tão bem, que decidiram terminar com tudo em minha vida e não mediram esforços para concretizar os sonhos de me verem morto.

Eu tenho sofrido muito, e sofro calado e sozinho. Não sou de culpar ninguém e nunca faria nada diferente do que fiz, nunca mudaria, pois eu sempre quis ser uma pessoa honesta, limpa, honrada e tentei passar esse legado de pai a minha filha, que apenas me achava um pobre. 

Com todas as artimanhas dos belzebus, sinto-me triste, enganado e vivendo uma vida sem sentido, sem lógica, sem planos, sem sonhos  e apenas espero o chamado de Deus para deixar essa vida e esse mundo, pois tenho certeza que nasci na hora errada e na sociedade errada. Mas não me arrependo de nada, tudo o que eu fiz foi de coração, consciente e nunca responsabilizei ninguém por meus erros e nem pelos meus acertos. Amo essa sociedade e amo esse povo, amo meus amigos e amigas.

Essa sociedade e esse estilo de vida não me permitiu passar valores para minha filha e nem ajudá-la naquilo que eu sempre valorizei, que foram os estudos. Paciente, espero o passar dos dias, pois preciso acordar e viver mais um dia e mais um dia e mais um dia, embora eu próprio não saiba mais nada e apenas anseio minha despedida dessa vida em sentido, sem lógica e sem sonhos. Mecanicamente, é assim que eu vivo, Dormir, acordar, tomar um café preto e seguir a rotina massante e cansativa de fazer o que eu não gosto.

 

Mas vou vivendo, morto por dentro, porque a fé que tu tive há muito a sepultei, sou um homem sem fé, sem esperanças e cheguei nesse estágio niilista da vida apenas segurando as horas e ansioso pelo que não ficou de vir. Sou um evangélico sem igreja, porque pequei nojo dessas pregações evangélicas contra quem defende os pobres e contra nossas autoridades. Não suporto esses bajuladores de TRUMP.

Com o passar dos anos, minhas leituras e minhas vivências, aprendi a conhecer as pessoas, entender a falsidade e o cinismo e valorar nas pessoas sentimentos que a sociedade pós-moderna matou. Para mim, a bondade das pessoas não tem ideologias e existem pessoas boas em todos os espectros ideológicos e pessoas ruins, más e perversas em todos os espectros. A bondade de uma vida não tem ideologia.

Choro a dor do povo palestino e procuro entender a dor daquelas miseráveis crianças vilipendiadas e chorando as mortes de familiares. Ou umas chorando a morte das outras.

Pensei que o mundo fosse avançar rumo a uma revolução verde para saciar a fome dos povos, mas o que vejo são os incrementos bélicos cada vez mais avançados e o morticínio desenfreado fomentado por guerras estúpidas e sem nexo, exceto da morte pela morte, tudo banalidade.

É muito triste descobrir o mundo que eu descobri e o anti-sentido dessas vidas.

Mas torço para que todos os pais vivos e com seus filhos que sejam felizes e construam um mundo melhor e diferente, assentado na paz e no amor.

Estou preparando minha mudança de endereço, pois a casa foi colocada a venda e devo desocupar aqui o quanto antes. Eu já paguei meu plano crematório para evitar a ocupação de espaços, pois sei que todas as pessoas se preocupam com túmulos, adereços e adornos onde fiquem seus  restos mortais.  Como eu não tenho família, já fui arrumando tudo, pois as igrejas de Santiago só semeiam ódios, especialmente as evangélicas e também os católicos. A rigor, não conheço os espíritas e nem os umbandistas, embora me dê tri-bem com os islâmicos.

Amanhã eu assino os originais da publicação do meu livro virtual PAI MORTO, PAI VIVO.


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225,  Sociólogo, Teólogo e Advogado.

Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural. Autor de 6 livros.  

Autor de 6 livros. 

 

 

 

Respeito, prostituição e Dignidade

*JULIO CÉSAR DE LIMA PRATES

Sábado para domingo, fui dormir tarde, ouvindo até o clarear do dia as análises de PAUL KRUGMAN, um grande e talentoso economista que o leio há anos, embora seja Nobel de Economia em 2008.

KRUGMAN virou meio esquerda, embora seja um liberal.  Contradição? Mas quem não é? Só que suas análises sobre o governo TRUMP e seu pacote tributário imposto ao Brasil é altamente depreciado por ele, que é um dos maiores economistas do mundo. O cenário não é bom para o futuro próximo e soa mais como uma birra pessoal de Trump, embora a política brasileira esteja na velha guerra de torcidas maniqueístas.

Eu levo KRUGMAN muito a sério.

Acordei um pouco passado do meio dia e sai buscar meu prato de risoto, Lá chegando, a senhora dos risotos tinha entregue e peça e fiquei sem almoço.

Esperei a tarde, o Mercado Camelo abre as 17 horas e fiz minhas compras, duas mines coxinhas e dois pãeszinhos. Cheguei em casa, fritei-as, piquei alho e fiz tudo com arroz. Finalmente, almoçei e jantei junto e ainda guardei os pães para um eventual café noturno.

Embora ex-evangélico, quase ateu, sempre agradeço a Deus pelo alimento,  meu velho hábito de orar sem saber bem para quem. Mas agradeço pela saúde, pela paz e peço forças para seguir minha luta. Certamente, o meu Deus não é o mesmo do pastor Cláudio, do Pastor Ribeiro e de todos esses pastores que só usam a igreja para fazer política partidária. Meu Deus é um Deus diferente, é um Deus de paz, de amor, de solidariedade e de afeto entre os seres humanos. Noto que esses pastores só pregam ódio e jogam uns contra os outros .

Teônia Pereira, jornalista petista, acusou Michele Bolsonaro de ter sido prostituta. Eu não tenho nada a ver com essa senhora, sequer sou do seu partido, mas o ato sintetiza bem o nível da baixaria, o desrespeito e o vilipêndio contra a condição de mulher. O que eu vejo de críticas contra Michele, por sua sexualidade, chega a assustar. O que importa se ela tive uma filha antes de conhecer Bolsonaro? Nada, simplesmente nada. A mulher, no Brasil, faz o que quiser com sua sexualidade, o mesmo raciocínio vale para Michele, Janja ou qualquer outra mulher.

Eu vejo a política como totalmente podre, não escapa mais nada, nem o minimo do respeito existe. Eu sempre tratei as prostitutas com o maior respeito e, mesmo sua profissão, para quem faz o uso do corpo para sobreviver, merece o nosso respeito.

A essência de uma pessoa, homem ou mulher, não está em sua sexualidade, está, sim, nos valores éticos e morais dela ou dele. Eu conheço muito pouco a prostituição em nossa cidade, para ser bem sincero, sequer conheço alguma prostituta. Mas assevero que o respeito pelo trabalho e pela dignidade de quem usa o corpo como fonte de renda, merece o nosso respeito sempre.

O mesmo respeito vale para as opções sexuais das pessoas, bi, hetero, tri … Não podemos é deixar aflorar essas teses preconceituosas e que violam a Dignidade humana. Seria tão simples vivermos bem, em paz e em harmonia.

Eu defendo um cliente meu que sofre horrores pelo fato de ser negro, como se ser negro e de umbanda, o fizesse diferente dos demais seres humanos.

Estava na hora de refletirmos sobre a extensão desse cinismo e desses preconceitos que são altamente vivos em nosso meio. E o que é pior: ainda são valores cultuados.


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225,  Sociólogo, Teólogo e Advogado.

Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural.

Autor de 6 livros. 

 

A ORIGEM DO CIÚMES E O DESTRUTIVO PODER DO BOATO

*JULIO PRATES

Reza a mitologia grega que os “deuses” Céfalo e Prócris viviam um amor intenso, eram casados, tinham uma filhinha e havia fidelidade recíproca; durante muitos séculos curtiram a intensidade desse amor.

De repente, um dia, Aurora, que era amiga de Prócris, começa a ver as belezas de Céfalo, seu corpo, seu modo de falar, o amor dele com a filhinha e descobre-se apaixonada por ele; sem nunca revelar nada, começou a assediar o deus, que nunca correspondeu aos assédios de Aurora.

Inconformada de ver aquele casal lindo e sua filhinha, Aurora decide amaldiçoar o destino da família. Elaborou um plano.

Passou a seguir Céfalo em suas andanças pela floresta.   Certo dia, ouviu ele pronunciar “VENHA BRISA SUAVE, LEVE O CALOR QUE ME QUEIMA”.

Aurora ouviu tudo e levou a história para Prócris. Contou que Céfalo tinha uma amante, jovem e linda, tinha os olhos verdes e chamava-se Brisa. Ademais, deu detalhes de como eles se encontravam nas florestas.

O relato teve um efeito devastador na vida da Prócris, que passou seriamente a desconfiar do marido. A desconfiança tornou-se obsessiva e passou a seguir os passos do marido pela floresta.

Dias e dias sucedem-se.

Sem nada desconfiar, o deus Céfalo seguia suas caçadas. Até que numa tarde ensolarada, cansado, abriu os braços, fitou os céus, fechou os olhos pruridos e exclamou “ venha minha BRISA”.

Entre os arbustos e sem ver o marido, Prócris, possuída de ciúmes, ensaia uma corrida em direção ao marido e sua suposta amante.

O deus caçador, ouvindo os ruídos de galhos quebrando-se, reage, pensando ser um animal da floresta que vinha em sua direção.

A reação virulenta do deus é o arremesso de sua lança contra quem ele imaginou ser um animal. E o que acontece? Acaba acertando sua própria amada esposa, que morre por suas mãos.

A lenda enseja uma reflexão, especialmente sobre as Auroras, “amigas” das famílias, que freqüentam nossas casas. O boato e as mentiras, movidos pelos ciúmes, têm o condão de destruir os lares, reputações, justificam obtusidades e escondem limitações.

A propósito, conclui a lenda, que, em agonia, antes de espirar fatalmente, a deusa Prócris pede ao seu amado esposo Céfalo que não se case e nem leve Brisa morar com a filhinha do casal.

Só aí, então Céfalo entendeu tudo e desesperado exclamou que apenas conversava com o vento e que adorava curtir a brisa da floresta.

Foi a vitória da intriga e do efeito do boato. Aurora, pois, viu sua maldição realizada.

Reflitamos.

As Auroras. assim como os falsos amigos,  estão em todos os lugares, inclusive dentro de nossas casas. Fingem ao extremo, até a hora de cravarem um punhal em nossas costas.


 

*Autor de 6 livros todos publicados pela PALLOTTI e GRUPO EDITORIAL FRONTEIRA-OESTE, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registration International Standard Book Number nº 908 225 no Ministério da Cultura do Brasil, desde 17 de abril de 2008, Sociólogo 1983/1987, 90/91, Advogado 1994/2004 e Teólogo 2021/2024. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual 2007/2008, com o livro A LINGUAGEM JURÍDICA NA IMPRENSA ESCRITA e também Pós-graduado em Sociologia Rural,  2000/2001, com o livro O IMPACTO DO MERCOSUL NAS PEQUENAS PROPRIEDADES FAMILIARES DO RIO GRANDE DO SUL ( não editado). Embora santiaguense, até hoje nunca foi convidado para a Feira do Livro de Santiago.

Não suporto traidores e nem traidoras, sou homem de uma só palavra.