“Persistência do DNA do esperma em células epiteliais vaginais por até cinco dias após o coito”…

OBSERVADOR – MAGDA CRUZ

As mulheres podem absorver e guardar o ADN dos seus parceiros sexuais.

É partilhada nas redes sociais a alegação de que um estudo encontrou um “microquimerismo masculino no cérebro de mulheres” e que “as mulheres podem absorver e guardar o ADN dos seus parceiros sexuais”. Em várias publicações, os utilizadores citam notícias recentes, identificando como fonte o site zap.aeiou. É uma afirmação enganadora. O estudo apontado é verdadeiro, mas as conclusões estão fora do contexto.

Verdade ou mentira, essa discussão está tomando conta dos debates mundiais sobre um estudo publicado em 2015 na Scientific Reports, e que agora voltou a tona.  “Persistência do DNA do esperma em células epiteliais vaginais por até cinco dias após o coito”, afirmou que o DNA do esperma humano pode permanecer nas células vaginais por cinco dias após a relação sexual.

Que santa polêmica essa …

Neste texto, é citado um estudo de 2012 da Universidade de Seattle, nos Estados Unidos, e do Fred Hutchinson Cancer Research Center, um centro norte-americano fundado há quase 50 anos. É nesse estudo que se baseiam para afirmar que “as mulheres podem absorver e guardar o ADN dos seus parceiros sexuais”, mas erradamente.

O médico Marcelino Mota, sexólogo e especialista em Psicologia Clínica, explica ao Observador que o microquimerismo diz respeito à “presença de ADN de um indivíduo num outro geneticamente diferente”. No caso da mulher, “a gravidez é a principal causa de microquimerismo, dada a troca bidirecional natural entre mãe e feto (as células fetais podem ultrapassar a barreira hematoencefálica) e, neste caso, um feto do sexo masculino”.

Na publicação, é descrito que, ao analisar o cérebro de um grupo de mulheres, uma equipa de cientistas norte-americanos descobriu que o cérebro feminino “registava com frequência episódios de microquimerismo masculino”. Na descoberta de 2012, era apontada “a presença de fragmentos de ADN vindos de um dador masculino, geneticamente diferente das células do organismo da mulher”.

De acordo com o estudo, que está publicado no site do jornal PLOS ONDE, foram examinados os cérebros de 120 mulheres entre os 41 e os 71 anos. Dessas, 21% das mulheres registavam microquimerismo masculino. Os utilizadores passam a conclusões: “Este microquimerismo foi encontrado em várias regiões do cérebro, o que significa que 21% das mulheres têm células com ADN masculino a ‘viver’ nos seus cérebros”. Está certo, mas só até certo ponto, porque falta contexto a esta alegação.

O estudo em causa explica que o ADN masculino encontrado no cérebro de mulheres é, “muito provavelmente”, de gravidezes com um feto masculino. Assim, o estudo não conclui que as mulheres armazenam ou absorvem o ADN masculino através de relações sexuais.

O autor William F. N. Chan explica à Reuters que, no estudo, “tal como noutros realizados anteriormente, nós apenas especulamos sobre o microquimerismo através de relações sexuais”. E acrescenta que “essa possibilidade existe, mas ainda não foi testada (nem provada)”.

Conclusão

É enganador afirmar que o cérebro da mulher absorva o ADN do homem depois de relações sexuais. O  estudo em causa apenas se debruça no ADN vindo de fetos masculinos aquando da gravidez.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

CNJ dá 5 dias para a juíza explicar explicar agressão a OAB

FONTE – MÍDIA NEWS

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)  determinou prazo de cinco dias para que a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, preste informações sobre o bate-boca ocorrido com advogados da defesa do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, durante júri popular no último dia 15.

O despacho foi assinado pelo corregedor nacional Mauro Campbell Marques, nos autos de uma reclamação disciplinar proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT) e o Conselho Federal da OAB (CFOAB).

No mesmo prazo, a magistrada ainda deve juntar arquivo contendo a íntegra da sessão do tribunal do júri. Durante o bate-boca, a juíza mandou a “OAB se danar”.

A presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, ressaltou que a reclamação foi necessária para a preservar a dignidade da advocacia, o respeito às prerrogativas profissionais e a integridade do sistema de Justiça.

Justiça condena hacker que atacou o TJ-RS

TJ-RS

Um homem de 23 anos foi condenado nesta semana a 9 anos e 26 dias de prisão por comandar um ataque cibernético que paralisou os serviços do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) no último mês de março.

Segundo o G1, a decisão da 12ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre considerou os crimes de invasão qualificada de dispositivo informático e interrupção de serviço de informação de utilidade pública.

O condenado está em regime fechado e não poderá recorrer em liberdade. Ele está preso desde junho, quando as Polícias Civis do Rio Grande do Sul e da Paraíba cumpriram um mandado de prisão preventiva na cidade paraibana de Guarabira.

Na ocasião do crime, um ataque de Negação de Serviço Distribuído (DDoS) ao portal do TJ-RS causou instabilidades no acesso externo ao eProc, sistema que permite o acompanhamento de processos judiciais.

Esse tipo de ação interdita as plataformas de rede por meio do congestionamento de acessos a esses ambientes.

Além disso, o criminoso teria transmitido o ataque ao vivo por meio de um canal na Deep Web, oferecendo pagamentos via Pix para participação em ações coordenadas contra servidores públicos e outros ambientes governamentais.

Esta não foi a primeira vez que o TJ-RS sofreu um ataque cibernético, nem a segunda. Em 2020, o hotsite informativo do Eproc foi adulterado por hackers, mas o incidente não atingiu processos e outros bancos de dados do judiciário estadual.

No ano seguinte, o órgão foi vítima de um ataque de ransomware que deixou seus sistemas indisponíveis.

As consequências foram a perda de dados dos servidores nos computadores de trabalho, além de dificuldades que duraram meses no uso dos sistemas, resultando inclusive em suspensão de prazos processuais.

Em 2023, o Ministério Público expôs um descontrole sobre senhas no TJ-RS que resultava no vazamento de informações sobre operações policiais para criminosos.

Na época, foram feitas três operações para cumprir 20 mandados de busca e apreensão e três de prisão em nove cidades das regiões Central e Metropolitana do estado.