A TRAGÉDIA DE MIYAKO: A cidade apagada por um Tsunami em poucos minutos | Documentário completo

Sexta-feira, 11 de março de 2011, 14h46. A trezentos quilômetros a leste da costa de Miyako, no fundo do Oceano Pacífico, duas placas tectônicas que estavam presas uma contra a outra há mais de mil anos finalmente se rasgam. Em três minutos, um pedaço de crosta terrestre do tamanho da Grécia inteira desliza cinquenta metros. É o quarto maior terremoto já registrado por sismógrafos em toda a história — magnitude 9,1. Trinta minutos depois, o mar chega a Miyako. Não como uma onda comum. Como uma parede de água escura de mais de 20 metros de altura, densa, cheia de barcos, carros e casas inteiras dentro dela. No distrito de Taro, o grande dique de concreto de 10 metros — chamado orgulhosamente de a Grande Muralha do Japão e considerado inexpugnável desde os anos 1970 — é engolido em segundos, como se fosse uma linha de giz. 181 pessoas morrem naquele bairro. Na cidade inteira, 517. E ao longo de toda a costa nordeste do Japão, quase 22 mil. Mas a história mais impressionante de Miyako não está na destruição — está numa aldeia pequena chamada Aneyoshi, no alto de uma encosta acima da cidade. Ali, no meio do caminho, uma pedra centenária esculpida em 1896 pelos sobreviventes do terremoto Meiji-Sanriku traz uma única frase gravada em kanji: NÃO CONSTRUAM CASAS ABAIXO DESTE PONTO. 115 anos depois, todas as 11 famílias que respeitaram a pedra sobreviveram. Todas que ignoraram, e construíram abaixo dela, morreram. Neste documentário você vai entender exatamente o que fez o fundo do Pacífico se rasgar naquele dia, por que Miyako já tinha sido apagada do mapa em 1896 e reconstruída no mesmo lugar por três gerações seguidas, o que os japoneses tentaram fazer para se proteger e por que nada disso foi o suficiente, a história dos avisos ancestrais gravados em pedra que foram obedecidos por poucos e ignorados pela maioria, o momento em que a onda alcançou o pico de 40,5 metros no ponto mais alto do desastre, e por que essa continua sendo, até hoje, a maior lição de humildade que a natureza já deu ao país mais preparado do mundo para desastres. 📚 FONTES PRINCIPAIS — Japan Meteorological Agency (JMA) — Relatório oficial do Terremoto do Litoral do Pacífico da Região de Tōhoku, 11 de março de 2011. — Mori, Nobuhito; Takahashi, Tomoyuki; Yasuda, Tomohiro; Yanagisawa, Hideaki. Nationwide field survey of the 2011 off the Pacific coast of Tohoku Earthquake tsunami. Coastal Engineering Journal. — Suppasri, Anawat; Shuto, Nobuo; Imamura, Fumihiko; Koshimura, Shunichi; Mas, Erick; Yalciner, Ahmet Cevdet. Lessons Learned from the 2011 Great East Japan Tsunami. Pure and Applied Geophysics. — Tōhoku University — International Research Institute of Disaster Science (IRIDeS) — Arquivo digital 3.11. — USGS — M9.1 Near the East Coast of Honshu, Japan, technical summary. — Kingston, Jeff. Natural Disaster and Nuclear Crisis in Japan: Response and Recovery after Japan’s 3/11. Routledge. — Iwate Prefectural Government — Relatório oficial de vítimas por município, cidade de Miyako e distrito de Taro. — Okada, Norio; Ye, Tao; Kajitani, Yoshio; Shi, Peijun. The 2011 Eastern Japan Great Earthquake Disaster: Overview and Comments. International Journal of Disaster Risk Science. — Yamamura, Etsuo. Tsunami stones and folk memory: pesquisa etnográfica sobre as pedras de aviso ancestrais da costa Sanriku (Aneyoshi, Kesennuma, Ryōishi). — Miyako City Great East Japan Earthquake Memorial Museum (Taro) — arquivo testemunhal e fotográfico. — NHK — arquivo audiovisual da rede pública japonesa, transmissões ao vivo de 11 de março de 2011. #Miyako #Tsunami2011 #Tohoku #Japao #Sanriku #TerremotoJapao #De