Com razão, a crise sanitária grave, a pandemia, impôs aos partidos políticos uma cegueira quase generalizada ; por extensão, o adiamento ou não da eleição, a desmobilização, a desarticulação, a incerteza e o desconhecimento dos detalhes das novas regras eleitorais para a eleição municipal de outubro (?) próximo.
Os partidos estão às cegas. Detalhes como as pré-convenções possíveis para junho, formação das listas de eventuais candidatos, até a possibilidade de captação de recursos, via vaquinhas eleitorais eletrônicas, tudo passa ignorado.
Existem mudanças nas regras de doações, limites por pessoa física, passando pela nova sistemática de formação das bancadas nos parlamentos municipais, tudo corre tão solto quanto ignorado.
Existe um novo cálculo a partir do cociente eleitoral e das sobras que vai mudar completamente a feição das futuras convenções e poucos atentaram para isso.
Como pouquíssimos sabem que o cálculo para a composição das câmara de vereadores mudou substancialmente, vou fazer uma simulação, sobre como seria a composição da atual legislatura (2016/2020) se fosse com as atuais regras que vão reger a eleição de 2020, eleições proporcionais.
A conta será feita pelo cociente, que é soma dos votos válidos, excluindo os brancos e nulos, dividido pelo número de vagas. As demais vagas seriam preenchidas pelas sobras.
Pelas novas regras o PP de Santiago/RS será enormemente prejudicado. É claro, isso é uma simulação, usando os resultados da eleição de 2016, quando houve 29.811 votos válidos. O cociente eleitoral foi de 2.293 votos.
O PP ficaria com 6 vagas.
PDT – 1
PMDB – 1
PSDB – 1
PT -1
PSD – 1
PTB – 1
Solidariedade – 1
Ademais, lembro a todos que a ADI nº 5947, do DEM, que questionava a constitucionalidade das sobras, foi julgada improcedente pelo STF. Assim, vale a regra do cociente e das sobras para a eleição desse ano.
Por fim, é esperada uma notícia, a qualquer momento, mudando as datas das eleições; o bom senso indica que dificilmente voltaremos à normalidade. É impossível pensarmos numa eleição sem campanha, reuniões, comícios e contatos.
O quadro é de incerteza e talvez isso explique a apatia e o desligamento generalizado. Quem está bem, não quer mudanças, por eles tudo continua como está. Os que almejam mudanças, encontram conspirações contrárias aos montes. E assim vamos indo. É claro, a prioridade deve ser à busca para solucionar a dor, o caos, a fome, o desemprego e até o pavor médico-sanitário que amplos setores dos diferentes segmentos sociais enfrentam.
O absurdo e o caos andam de mãos dadas. Camus e Saramago atiçam nossas lembranças.
Contra o absurdo, à cegueira e o niilismo, que brote à fé e à esperança .