
Sempre que possível, quando Nina estava comigo, eu a levava nos cultos.
Fora do modismo que viraram as igrejas evangélicas no período Bolsonaro, eu batizei-me na Igreja Evangélica aos 12 anos de idade e dali carreguei lições para o resto dos meus dias.
Sempre acho louvável a abertura de uma porta evangélica. Decorre dali pessoas mais sensatas, aflora o humanismo, filhos ganham harmonia com os pais, pais se respeitam mais, os lares não são facilmente destruídos e a harmonia de Cristo Jesus é sempre indicativo de paz, sensatez e equilíbrio. –
Sou imperfeito, sei bem disso, mas houve valores dos quais nunca abdiquei. Pari passu sempre combati o comércio da fé e a exploração do sentimento religioso das pessoas. Mas – mesmo em meio a tantas contradições – o humanismo das igrejas evangélicas é sempre um caminho, uma alternativa decente e uma saída para desajustes que não encontramos no mundo materialista.
Por outro lado, sempre tive cruéis divergências com a linha adotada por teólogos evangélicos em nível mundial. Essa submissão ao Estado de Israel, que vive da carnificina dos povos palestinos, jamais será aceito por Deus. Uma coisa é o Estado de Israel e outra coisa é o governo de Israel, que sempre incitou o conflito com árabes, persas e palestinos.
Quando moço, bem moço, mal conseguia entender o alinhamento evangélico com regimes ditatoriais na América Latina, Ásia e África.
Agora, no Brasil, era Bolsonaro, a coisa degringolou de um jeito nunca imaginado antes. Todos os pastores viraram profetas e não raros profetizavam a vitória de Bolsonaro, como se esse fosse o indicado de Deus e gerou daí um fundamentalismo sem precedentes.
O aparelhamento político-ideológico das igrejas evangélicas é desagradável aos olhos de Deus. Nunca poderia se meter política partidária dentro das igrejas, esse foi um erro histórico.
Eu vejo meu amigos e irmãos de longa data, aqui em Santiago. Boa parte deles são evangélicos e petistas. Alguém perguntou como eles se sentiam diante do cruel aparelhamento político-partidário e ideológico das igrejas?
Parece que não extraíram nenhuma lição dos erros da teologia da libertação católica, que esvaziou o catolicismo e aparelhou-o ao petismo.
Pelo sim, pelo não, eu continuo evangélico, continuo assistindo aos cultos, tendo uma vida em comunhão com Deus e não me importa o governo do país, minha fé continuará sendo a mesma.
Nunca usei a religião para pedir votos e nem para fazer política. Deus cobra a conta, pois a política é cruel, feita por bandidos, em sua maioria, e convém não nos misturarmos, a despeito de nos acharmos diferentes.
Creio que a vitória da Lula dará um novo sopro ao movimento evangélico no país e isso é bom. Sou e sempre serei crítico ao governo do PT, que tenta cercear a liberdade religiosa, isso é inquestionável.
Novas bases emergirão, nova realidade, novos tempos. Essas de ONGs evangélicas embolsando milhões para evangelização de indígenas terão um fim e esses espertalhões devem explicações.
Em tempo: não votei em Lula e não votei em Eduardo Leite. Apenas dei um voto em Olívio para senador e não me arrependo, jamais votaria em Mourão.
Os evangélicos devem seguir com suas lutas e com suas pautas, mesmo que contrariando governos. Sempre foi assim, historicamente. Nossa submissão é a Deus.
Espero que tenhamos extraído lições dos erros recentes e nos voltemos a Deus.
