Maior lançamento de livros na História do interior do Rio Grande do Sul no ano de 2004

Cenas do lançamento dos meus livros PAMPA EM PROGRESSO e BOCA DE LOBO, 3 de janeiro de 2004. Foi a primeira vez na história que 3 redes de Televisão vieram a Santiago fazer uma cobertura local de lançamento de livros, RBS, SBT e TVE. A mesa, teve 32 autoridades, na foto primeira, Prefeito Chicão, o Secretário-geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, Dr. Vanderlan Vasconcelos, representando a Presidência da República, o blogueiro/escritor, e o Deputado Federal Wilson Covatti, representando o Congresso Nacional. 

Cenas de uma parte do Auditório, Deputado Celso Bernardi, representando a mesa da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Deputado Covatti, representando o Congresso Nacional Juca, Prefeito da Bossoroca e de costas Roger Ross. Estiveram presentes, ao final, 500 pessoas, 42 autoridades, dentre 4 deputados estaduais, dois deputados federais, 8 prefeitos da região, liderados pelo Prefeito Ivo Patias, de Jaguari. Atrás de Celso Bernardi, aparece meu amigo de todas as horas, Promotor Barbará. Também compareceu o Comandante do Estado Maior das Forças Armadas General Roberto, que foi orador na cerimônia.



Anatomia de um homem sem preço

*JULIO PRATES

Já há questão de 8 para 10 anos tenho lutado pelo descontrole de minha diabete. Não existem mais remédios, é tudo fora de controle e o que é pior é a perda sucessiva de visão, que intercala períodos razoáveis e outros completamente adversos, onde mal consigo identificar um vulto em minha frente.

Como nada disso é novidade, venho me arrastando, impossibilitado de trabalhar e com o quadro cada dia mais adverso.

Escrevo em caixa 72 e depois reduzo para 20, mas mesmo assim é tudo muito precário.

Nada a me lamentar, sei que a vida é assim mesmo e estou muito sereno para o que vier. Seja o que for.

Sei que nas horas de doenças, todos falam em Deus e buscam soluções milagrosas em Deus. Eu sei que Deus não é um torneira para soluções individuais, por isso sequer peço por mim. Entrei naquela fase que muitos temem, mas, curiosamente, estou cada vez mais convencido de minhas idéias, de minhas convicções e de minhas crenças.

Sei da doença, mas sou um homem tranquilo diante de tudo, de todos os obstáculos e todas as barreiras que tenho pela frente. Sei o que pode vir, por isso estou calmo e manso. Nenhum desespero, nada me assusta, estou em paz pelo que eu fiz e nada de arrependimentos.

Se que partir hoje, amanhã, ou qualquer dias desses, podem ter certeza que comigo tudo está em mansidão, pois estou agindo segundo meus princípios e por isso não existe em mim arrependimento, remorso ou aversão por algo que eu tenha feito.

Não esperava essa situação tão complicada nessas alturas, mas sei como é a vida, a fragilidade da vida e nossas debilidades. Somos todos iguais, uns vão mais cedo, outro vão tarde, mas – no final – todos vão. O que resta é a certeza de que agimos segundo nossos princípios, nossa ética e nossa honra.

Sempre fui um homem sem preço. Exceto que minha honra, minha ética e meus princípios não têm valores.


*Autor de 6 livros, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registro Internacional de jornalista nº 908 225  inscrito no Ministério da Cultura do Brasil, Sociólogo e Advogado, Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural. 

Apenas um anotador nesse blog que fará 24 anos de existência e nem sei quando será sua morte.

 

 

Reflexões sobre o ensino superior no Brasil

* Júlio Prates
O ensino superior no Brasil desenvolveu-se, desde suas raízes históricas, sob o signo de instituição problema. Além de não desempenhar as suas funções sociais que justificassem sua razão de ser, alcançou sempre rendimentos baixíssimos, a partir de um péssimo aproveitamento dos fatores humanos educacionais. A má escola perpetua-se pelo mau ensino.
A escola superior, criada à luz de uma sociedade oligárquica, de estruturas rígidas, desempenhou em seu limiar funções societárias bem definidas, a transmissão dogmática dos conteúdos importados e a formação dos filhos das elites dominantes de então, ambas necessárias à manutenção do “status quo” dessas elites.
Sufocada pelo caráter elitista e pelo compromisso classista com as forças conservadoras, a escola superior não engendrou o que seria um processo dinâmico de desenvolvimento a partir da valorização do pensamento crítico, no incentivo à pesquisa e da criação científica e tecnológica. Consequentemente, não reproduziu os valores humanos e intelectuais necessários ao pleno amadurecimento como instituição, seu desenvolvimento foi atrofiado desde as origens.
A revolução de 30, aparentemente, destruiria o caráter árquico da sociedade imperial, abrindo novos horizontes dentro de uma sociedade télica de sociedade emergente: a republicana. Uma sociedade voltada para para o desenvolvimento , onde a nova função social possibilitaria como instituição, das características atrofiantes de suas raízes.
Mas, dentro do extenso quadro social, as forças conservadoras galgaram novas posições, articularam a reorganização da sociedade nacional, segundo seus interesses, limitando a pequenos passos de uma elite o que deveria ser o início da caminhada de inteira de um povo.
Dentro da instituição do ensino superior, a vitória das forças conservadoras deu-se sobre o prisma de universidade conglomerada . A simples conglomeração de cursos superiores em universidades, sem um interrelacionamento dinâmico entre os cursos e um redirecionamento funcional, fez com que se mantivesse o caráter anacrônico do padrão de escola superior original, além de permitir um controle mais eficaz, a partir da centralização nas reitorias e nos conselhos universitários. Mais uma vez, o ensino superior não obteve fôlego para acompanhar os progressos sociais limitados de uma sociedade contraditória: télica, voltada para o futuro, o progresso , pela sua nova nova estruturação republicana é árquica – voltada para o passado, para suas raízes, pelas suas condições econômicas.
Apesar das aparências modernizantes da universidade conglomerada, a simples aglomeração de escolas superiores não vingou uma universidade multifuncional. Isto é, a multiplicidade de interrelações entre as diversas escolas da universidade de forma funcional , dinâmica e participante do processo social em curso. A universidade conglomerada não atingiu, portanto, os anseios da vanguarda intelectual tanto do corpo docente como discente. Assim, como uma nação inteira buscava sua emergência dentro do processo histórico.
É nesse quadro estéril qualitativamente que se desencadeou a reprodução quantitativa dos estabelecimentos de ensino superior.
Nos meados da década de 60, as pressões da vanguarda universitária, aliada a evolução política da época, possibilitaram experiências novas, de uma universidade que exercesse realmente suas funções sociais a partir de uma visão progressista de esquerda, como foi o caso da UnB.
O resultado dessa experiência foi a formação de um padrão médio intelectual bem acima do padrão médio, além do desenvolvimento do pensamento crítico.Esse processo, é claro, não se deu apenas no âmbito do ensino superior, mas sim no amplo contexto social, provocando imediata reação das forças dominantes.
Paradoxalmente, foi esta reação às forças de vanguarda que possibilitou a unificação e o direcionamento de seus movimentos políticos. Detectado o erro, a reação partiu para uma nova tática. Impossibilitada de reprimir pela força e repressão, fragmentou campus, afastou-os dos centros urbanos e isolou-o do conjunto social mais expressivo.
Com a redemocratização, nos governos Collor e FFHH, houve um visível sucateamento, corte de verbas, a pesquisa e o ensino viverem momentos dramáticos.
Contudo, nos governos Lula e Dilma e Lula houve novas diretrizes. Abertura de novas universidades, fomentação de centros tecnológicos, IFETs, redefinição de verbas públicas para a pesquisa, valorização do ensino, rede de estrutura predial, corpo funcional valorizado, em suma, foi o melhor período do ensino superior no Brasil, inclusive com linhas de financiamentos paternalistas que propiciaram aos filhos das camadas sociais mais humildes de sociedade atingirem o ensino superior e até freqüentarem mestrados e doutorados.
Quando eu escrevi que com Temer e Bolsonaro tudo isto iria entrar em refluxo, os alunos do IFF e seus familiares me atacarem de todas as formas possíveis. Tenho uma a uma das mensagens agressivas. Estava na cara que não entendiam nada de política e sequer sabiam ler uma conjuntura. Gente questionável, pois eu apenas analisava os desdobramentos do que seria o futuro dos IFFs e universidades federais nas mãos da direita.
Apenas isso.
O ministro boliviano da educação brasileira, governo Bolsonaro,  declarou, dentre outros absurdos, que a universidade precisa ser para uma elite. Filhos de pobres que se preparem para virarem empregados, mão-de-obra barata e desqualificada.
Finalmente, passou o estrupicio bolsonarista e eis que deve emergir uma nova realidade com o governo do PT/PSB/PSOL/PDT.
Esta é a nova realidade do ensino superior brasileiro. O PT retoma os novos rumos pós-Bolsonaro. É muito cedo ainda para uma análise mais profunda. Embora o país esteja mergulhado na dívida interna e externa. Vivemos uma crise econômica sem precedentes e os reflexos diretos na qualidade de vida do nosso povo. Por outro lado, verdade seja dita, essa elite intelectual afastou-se do conjunto da população  e sequer perceberam a extensão desse afastamento. Não sem razão, a direita cresceu fora de suas fronteiras e seus limites ameaçam a própria esquerda, que se auto-enterra.
———————————————————————————————–

*Autor de 6 livros, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registro Internacional de jornalista nº 908 225  inscrito no Ministério da Cultura do Brasil, Sociólogo e Advogado, Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural. 

Apenas um anotador nesse blog que fará 24 anos de existência e nem sei quando será sua morte.

 

O significado do sonho com os mortos

*JÚLIO CÉSAR DE LIMA PRATES

Eu estive no mercado ontem. Comprei minhas frutas e vim para casa. Bastante impressionado com a tragédia que se abate em nosso Estado com esse desgoverno e a massificação de pedágios.  Recebo muitos vídeos, muitos bem interessantes, alguns emotivos, outros eivados de emoções.

Meu pai morreu em 1994 e minha mãe morreu em 2003. Meu pai nunca gostou de mim, razões óbvias, meu pai tinha aversão à esquerda e não me aceitava de jeito nenhum. Eu, por ser contra a ditadura militar, sempre atrai hostilizações abertas de meu próprio pai. Tentei amá-lo, mas nunca deu, sempre tivemos uma rixa histórica, até que aprendi a viver sem ele, buscando pessoas com as quais tinha uma certa identidade.

Minha mãe, a rigor, essa sempre me pareceu muito simpática a esquerda, entendia a vida de Ernesto Guevara, não criticava Fidel Castro. Minha mãe sempre me criou envolto de suas histórias, histórias longas e demoradas e ela mesclava as injustiças que fizeram com Jesus Cristo e sempre me apresentada as perseguições dos romanos aos cristãos como algo grandioso, dignas de histórias para serem ensinadas a uma criança. E assim que fui sendo criado.

Meus pais nunca se deram e viviam de pontas. Criei-me num pólo de conflitos. Nunca entendi porque eles nunca se deram e nunca quiseram se separar. Acho que morreram se odiando. Não foi nada agradável minha vida em companhia de meus pais. Estão apenas sepultados juntos.

Nunca sonhei com meus pais juntos.

Nunca. Nunca, exceto hoje.

Hoje, comi minhas frutas, liguei um site da nova democracia em defesa dos palestinos e fiquei assistindo ao vídeo. Sem querer, peguei no sono e no sono veio um sonho.

Foi o meu sonho mais estranho e mais incompreensível de toda minha vida. Eu entrei numa casa e estavam meus pais, sorrindo amistosamente, como nunca os vi em vida.

Eles estavam deitados, era um acampamento, como os palestinos em Gaza, só o ambiente era de afeto e o amor transcendia e fazia tudo diferente da realidade massante de Gaza. E qual minha surpresa, pois no meio  do sonho, dentre eles, está a Nina, feliz, brincando e correndo envolta (aqui um adjetivo). É claro, só me lembro dela criança.

Acordei e fiquei pensando longamente no meu sonho. É um tanto estranho e deverá ter algum significado. Mas não me é fácil decifrar tamanhas incógnitas, especialmente pelos pruridos e tantas incongruências e contradições. E mesmo porque Nina só nasceu em 2010, quando ambos já eram falecidos.

Li muito Freud sobre interpretações dos sonhos e nunca fui de perfilar no esoterismo. Embora eu tenha leitura ocultista, pois até hoje sequer consigo acreditar que tenhamos alma e espírito. Por mais que eu não queira, esse sonho de hoje foi muito surreal, foi preocupante, assombroso e misterioso. Algum sentido, certamente terá. Mas, bloqueado para viagens astrais, fico apenas com o perfil das imagens do sonho. Boas imagens, por alguma razão minhas ondas REM foram bombardeadas de imagens do inconsciente, onde certamente adormecem meus pais e a NINA, embora os dois sejam mortos e ela recém iniciando a vida.

Decifrar sonhos nunca foi uma arte fácil, por isso, prefiro apenas escrever e deixar fluir o que tiver que fluir, enquanto eu sei bem o que devo fazer. Eu sempre escrevo sobre pessoas, elogio ou critico, nunca fui indiferente, embora muitas idiotices sequer eu perca tempo. Mas existe uma pessoa que captou minha alma profundamente, em essência. Ela captou toda a subjetividade. Mas vou ficando quieto.  Chegará a hora.

Tudo tem sua hora, inclusive o acerto de contas entre bandidos, existe uma estranha lógica na vida que ninguém pode evitar as conspirações cósmicas, pois é o próprio cosmo que ajeita tudo, mesmo que seja tudo desajeitado.

Como eu não acredito em destino e nem em reencarnação, muito menos em alma e nem em espírito, prefiro esperar pela lógica absurda da subjetividade cosmológica do caos e da anarquia … e de alguma sinergia.

Espero que a Nina nunca se tatue, não suporto ver uma mulher tatuada,  e fiz ela me prometer que nunca usaria drogas. Mas eu estou morto, e tudo perdeu o sentido, por isso vivo quieto e encerrado, saio apenas para comprar comida e espero calmamente as notícias que chegam.


*Autor de 6 livros, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registro Internacional de jornalista nº 908 225  inscrito no Ministério da Cultura do Brasil, Sociólogo e Advogado, Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural. 

Apenas um anotador nesse blog que fará 24 anos de vida e nem sei quando será sua morte.

Um dia, um colega advogado me disse que ninguém era amigo de advogado, que apenas interesses moviam as pessoas. Hoje, concluo o quanto ele foi sábio e o quanto tinha razão. Honestamente, sequer acredito que exista amizade. 

 

Reflexões de JOÃO LEMES

*JOÃO LEMES

Étienne de La Boétie foi um pensador francês do século 16 que escreveu o “Discurso da Servidão Voluntária”, um texto curto, mas poderoso. Nele, ele questiona por que as pessoas aceitam ser dominadas quando nasceram livres. Para ele, os tiranos só existem porque os próprios súditos consentem com isso, acostumando-se à obediência e confundindo submissão com segurança. A servidão, segundo ele, nasce do hábito e da covardia de enfrentar o poder.

La Boétie acreditava que a liberdade não precisa ser conquistada à força, mas apenas retomada com a recusa em servir. Quando as pessoas deixam de obedecer, o tirano perde o poder, pois ele depende da aceitação dos dominados. O texto continua atual porque mostra que toda forma de opressão é sustentada pela passividade de muitos e que romper com isso exige apenas uma decisão: não se submeter.


*Pedagogo, Mestre e Doutor em Letras pela UFSM.