REFLEXÕES DO PSICANALISTA, MESTRE E DOUTOR EM PSICANÁLISE PELA UFRGS, DAVI DAMIAN
Nessa lembrei de “Gente Pobre” de Dostoiévski, a luta pela vida e sobrevivência, onde o personagem com o pouco que se tem dá tudo física e mentalmente, e relata por correspondênci com sua amiga, ou o “Capote” de Gogol em que o personagem consegue um casaco novo a duras penas e acaba sendo roubado, lidar com uma perda, um roubo arrancado de si, deixando o ser que se vire, se vire de contorcer, disforme, “o homem sem importância”, como na burocracia de Pushkin e o tcheco Kafka. A luta com o ambiente seja ele climático como relacionamento humano. Ou dito humano. Aqueles que ajudam como quem “ajuda” com segundos fins, e mesmo que tu ajude, nenhuma boa ação sai impune. Mas por fim, sabe que lutou a boa luta, não ficou na inação. O inverno um dia acaba.


