
As pessoas que leram o discurso de João Lemes, no Jornal Expresso Ilustrado, foram enganadas por uma construção discursiva falaciosa, sofista e paralogística.
A construção desse texto tem 3 falhas centrais, que assustam pela coragem de tentar engambelar o povo de Santiago sobre o problema da URI que demitiu um professor.
Primeiro, o regime dos servidores e professores da URI é celetista e ninguém goza de estabilidade. Segundo, a URI passa por momentos complicados, mas isso não é um problema da URI. Todas as universidades comunitárias do Estado passam por sérios problemas financeiros, é só olhar no que virou a UNISINOS, a São Judas Tadeu, a FEVALE, a UNIRRITER, a UNIJUÍ … … … Esse problema que afetou o ensino presencial em nosso país afetou a URI. As universidades presenciais não tem como concorrer com os preços praticados pelas virtuais. Eu estou fazendo R2 em Letras e pago um mensalidade de 79 reais. Ainda sábado, eu me defrontei com uma anúncio de um curso virtual em pedagogia com mensalidade de 49 reais e 90 noventa centavos.
Os diplomas tem a mesma validade.
E agora eu pergunto: que condições as presencias têm de concorrer em face das virtuais com essa diferença abismal de preços das mensalidades?
Logo, é fácil inferir que o problema da URI, assim como das universidades citadas, não é nada de má gestão, é tudo uma questão de mercado, pois a proliferação das virtuais emergem num contexto tecnológico de explosão da telemática, que é irreversível.
Os alunos podem estudar em casa, com o celular nas mãos, na hora que quiserem, e pagando mensalidades que não existe concorrênia entre as virtuais e as presenciais.
Ademais, as virtuais avançam para áreas tradicionais, como a psico e o direito, sendo que a OAB gestionou junto ao MEC pelo cancelamento, nesse momento de virtuais em direito, embora eu não acredite que seja possível segurar por muito tempo. É claro que a preocupação da OAB é pertinente, mas nem os cursos virtuais de medicina vão conseguir segurar o roldão, muito pior será o direito.
Quanto a demissão do professor da URI existem distorções de todos os lados, senão vejamos o artigo do Jornal Expresso Ilustrado:
“Um time mais radical bem a lá bolsonarista deve se reunir com Bianchini e companhia para sentar o ferro nos progressistas …
( … )
Embora os Progressistas também sejam apoiadores de Bolsonaro, raros são da ala radical.
( … )
A oposição em Santiago, que só da jeito nos “candidatos” na véspera, será que vai ficar olhando o tempo se armar ou vai tomar um rumo, somando-se aos radicais ou aos progressistas”.
João Lemes cria um falso paradoxo, sempre resguardando os progressistas do PP, que são os que mais investem verbas públicas em seus veículos de comunicações.
Esses não são da ala radical e jogam a culpa toda nos ombros do pobre do Bianchini, que virou a nossa Geni, joguem pedras na Geni.
Ademais, resume a eleição de Santiago aos radicais bolsonaristas ou aos anjinhos moderados e não radicais progressistas, leia-se a turma do Tiago, que foi o coordenador da campanha do senador bolsonarista Heinze em Santiago.
Por outro lado, João Lemes, que não assina a matéria, escamoteia que existe em Santiago uma oposição livre, autônoma e que não tem a ver com Bolsonaro, que é o grupo PT/PDT. Divergindo da opinião do meu amigo, sim, o Lemes é meu amigo, mas esse grupo não é dos moderados progressistas e nem dos radicais bolsonaristas, embora eu não os veja como radicais como ele pinta.
Logo, fica fácil inferir que sua construção argumentativa é essencialmente falaciosa, senão vejamos:
1 – Ele omite a existência do grupo PT/PDT que não é progressista e nem radical bolsonarista, pelo contrário, é oposição aos dois grupos.
2 – Tentar criar uma falsa imagem de que em Santiago só temos dois grupos políticos.
3 – Associa um grupo de bolsonaristas como radicais e furiosos, quando na verdade, é um grupo altamente moderado, que apenas é oposição ao PP e a Tiago Gorski. Como é oposição ao PP, ele tenta desconstrui-los para agradar os patrocinadores de verbas públicas.
4 – Na verdade, eu que conheço a política de Santiago, sustento que Bianchini sequer participa e pertence ao grupo mais de vanguarda bolsonarista de Santiago.
5 – É um erro generalizar os estudantes que pediram, ingenuamente e acriticamente, a volta de um professor demitido, como se todos os estudantes que fizeram um diminuto protesto, como se todos fossem bolsonaristas. Eu tenho duas amigas que marcharam no protesto e são trabalhistas. Afora o erro de generalizar os estudantes todos como bolsonaristas, mais grave é associar, maniqueisticamente, os estudantes ao grupo dirigente do PL, pois isso só existe na cabeça do redator da matéria, João Lemes.
6 – Por respeito a autonomia da direção da URI, eu sei que o PT e o PDT sequer se meteram numa questão administrativa da universidade, que merece todo o nosso respeito pelo esforço de gestão numa crise sem precedentes na história do ensino superior em Santiago.
7 – Logo, é fácil inferir que o passeio dos estudantes pela volta de um professor não tem nada a ver com o futuro da eleição de 2024, até porque boa parte dos estudantes lá presentes são eleitores do próprio PP.
Eu sustento que não existe nenhuma relação do movimento setorizado de uma pesseata de alunos, com os líderes do PL e outros partidos, que são oposição a Tiago e ao PP. Só que João Lemes criou uma narrativa altamente falaciosa, para agradar ao PP e o prefeito Tiago, como se o passeio dos estudantes tivesse a ver com os opositores de Tiago Gorski. Nada mais falacioso.
Nem os estudantes do passeio são todos bolsonaristas.
Nem o movimento dos estudantes é organizado pelo PL, embora o Bianchini, em sua pureza primária, tenha feito uma leitura errada desse movimento.
Mas isso é normal, em Santiago não se escutam quem conhece política e nem a oposição tem um staff pensante, é só ver a forma ridícula como Cadó reúne as oposições de SANTIAGO e como exclui os que ele não gosta. E ele não conta que é porque derrotaram ele e a cúpula da EMATER na Justiça do Trabalho sobre os colegas que ele quis demitir da EMATER. Como ele mistura alhos com bugalhos, só reúne quem se submete ao seu pensamento e aos seu ditames. Pobre oposição.
