*JÚLIO PRATES
Eu sempre fui de juntar livros velhos e sempre tive uma certa atração pelo que não nos é conhecido.
Francisco Waldomiro Lorenz me ajudou, e muito, a entender a CABALA e, de certa forma, após adquirir tal conhecimento vivi um certo cepticismo. E nunca mais nada me atraiu, embora sempre mantive o interesse pelo ESPERANTO e Lorenz é um esperantista reconhecido. Até volta e meio eu ainda escreva sobre o ESPERANTO.
Mas – na mesma proporção em que fui conhecendo a CABALA com LORENZ, fui concluindo, não sei se certo ou errado, até hoje, que espírito sequer existia e que todas as construções teóricas acerca de espíritos eram apenas conjeturas humanas. Quando eu era obrigado a buscar a NINA bem cedo, aos domingos, aprendi que a calma mesmo era num cemitério e devido um trecho de 40 kms no barro, no inverno … saia de Santiago sempre depois da 1 hora da manhã, levava um travesseiro e um cobertor, colocava o carro dentro de um cemitério, onde conhecia tudo muito bem, e dormia em alta paz e serenidade. Nunca vi nada sobrenatural, nem dormindo num cemitério.
Anos mais tarde, acho que era 2014, quando comprei toda a coleção da EDITORA PLANETA sobre os OCULTISTAS, apesar de ler quase todos os volumes, porém chocado com as conclusões de todos, entendi que todos pensavam iguais o mistério da vida e o destino da alma, tudo era reencarnação. O que fazer para quem não consegue acreditar em espíritos?
Admito que foi o teólogo ateu OSVALDO RIBEIRO quem me deu as luzes mais próximas do que eu sempre pensei acerca da vida e das fantasias milenares de almas e espíritos, pelo menos foi a pessoa que me deu as explicações mais convincentes acerca do nada que é a vida após a morte. No fundo, acho que nunca vou saber ou decifrar esse mistério, talvez com a minha própria morte, mas aí sera tarde demais, nunca vou poder escrever o que descobri, será bom pois viveremos sempre na incógnita.
Quando eu presidi a comissão estadual de ética do Partido Socialista, 1988, conheci o médico psiquiatra judeu Leonardo Grabois. Por alguma razão, ele tornou-se meu amigo, parceiro de viagens e confidente. Grabois era sobrinho do líder Maurício Grabois, da Guerrilha do Araguaia e quando inciamos nossa amizade, fazia pouco tempo que ele tinha voltado de Israel.
Grabois gostava de perambular pelo Vale dos Sinos, Paranhana e região metropolitana. Ademais, gostava de sentar-se nos bares operários de Campo Bom, Sapiranga e analisar os hábitos e costumes, desde a música à comida.
Foi Grabois quem levou-me nesse sebo pela primeira vez e contou para o nosso amigo proprietário que eu era iniciado; nessa ocasião, comprou dois livros de Papus, tratado de ciência oculta elementar, volumes I e II e presenteou-me, apesar de minha resistência em estudar tais literaturas.
Na ocasião, descobri que os livros de Papus integravam uma coleção da revista planeta. Apenas guardei-os pelo carinho do amigo. Passados uns anos, num outro sebo, na João Pessoa, em Porto Alegre, por acaso, encontro um outro exemplar da mesma coleção, Paracelso, “A chave da Alquimia”. Comprei o livro e guardei.
Com o passar dos anos, mais velho, mais maduro, lendo Paracelso e Papus, senti um relativo desejo de comprar toda a coleção, pois nela havia algum significado fora da simples concepção de compra e venda de livros.
Em março de 2010, no velho sebo onde se respira judaísmo, deixei meu cartão e a pedi ao amigo proprietário se algum dia ele tivesse tal coleção, que me ligasse, que a compraria.
Quase quatro anos depois, em janeiro de 2015, ele ligou-me. Contou-me que estava com muitos livros de uma biblioteca particular de um velho iniciado, porém, de origem russa, não era judeu. Foi desse falecido que caiu em suas mãos os 20 volumes da coleção Planeta. Ofereceu-me tudo. Achei caro o valor pedido, mas pensei na Nina e decidi fazer o depósito; o fiz nos últimos dias.
Numa sexta-feira recebi o pacote. Os livros são bem conservados. Mas – finalmente – reuni KRISHNAMURTI, PARACELSO, ALLAN KARDEC, NOSTRADAMUS, BLAVATSKY, ROSO DE LUNA, BORREL, PAPUS, FIGANÍERE, MOLINERO, GUAITA, KOSMINSKY, LEPRINCE/FOUGUÉ, NICOLAS FLAMEL, SHIMON HALEVI, AUROBINDO e IDRIES SHAH.
Aproveitei a noite de um sábado para ler o até então desconhecido Idries Shah, na verdade, autor de 2 volumes, o primeiro deles intitulado “Magia Oriental” e o segundo “Ritos Mágicos e Ocultos”.
Durante muitos anos dediquei-me apenas a ler clássicos; vivi muito sociologia, filosofia e psicanálise (embora a anti-psiquatria tenha me seduzido ao extremo). Entretanto, voltei muitos anos no tempo. Num grupo de estudos freudianos que tínhamos em São Leopoldo, nos idos de 86/87/88…debochávamos de Jung, justamente pela crítica que o apresentava como místico, ligado às ciências ocultas…Curiosa minha volta, alguns diriam: curioso corte epistemológico, mas a verdade é que iniciei uma transição de Freud para Jung, um fato que jamais teria admitido anos atrás. Imaginem eu com uma biblioteca de ocultismo?
Como o ser humano é complexo. Transitei do cristianismo para o marxismo, desse para a psicanálise e identifico-me, agora, numa outra transição, de volta a Cabala judaica e lendo ciências ocultas. Talvez eu nunca tenho abandonado a Cabala, não sei exatamente, apenas notei que com o nascimento da Nina voltei a refletir sobre suas bases teóricas e pressupostos metodológicos, pela base, transmissão de valores e plano ético diante da vida. Até entre os bandidos é preciso ética, não sem razão a máfia faz escola com seu ethos.
Durante muitos anos acreditei que o Arqueômetro de Saint-Yves d’Alveydre contivesse mesmo todas as chaves das nossas religiões. Cheguei inclusive a aceitar um apêndice de apoio literário de Yves-Fred Boisset, que foi a agradável leitura do seu livro “Saint-Yves d`Alveydre: A Sinarquia, o Arqueômetro – As chaves do Oriente”. Contudo, na minha cabeça, no meu cérebro, esse livro de Boisset provocou um efeito contrário, pois muitas coisas foram desconstruídas. E depois…não consegui juntar os cacos, os fragmentos dispersos de informações que se apresentavam concatenadas, de alguma forma, em harmonia na minha mente.
Essa desconstrução foi horrível por um lado, mas de outro foi muito libertador. Durante anos parei de tentar entender tais sistemas por dentro e prendi-me mais na análise discursiva aparente. Agora, de alguma forma, estou voltando, ou dando voltas em torno de teorias, porém sempre sozinho, sem pessoas para encetar reflexões. Num terrível acaso, descobri que Steiner era discípulo de Goethe e suas teorias evolucionistas e foi quando rasguei tudo que sabia sobre antropologia num terrível nó existencial. No curso de ciências sociais, eu estudei muito, aprendi muito e pude dissecar bem o pensamento dos padres jesuítas sobre antropologia. Mas foi no marxismo que encontrei respostas bem mais sedimentadas. Apenas fiz uma junção de ambas as visões. .
Apenas escrevo em busca de compreensão e quiça de algum iniciado sincero disposto a tais reflexões.
Há muitos anos li e compreendi Maquiavel e Sun Tzu. E entendi a podridão humana, a falta de ética e a alta traição de pessoas que estavam próximas de mim apenas aguardando a hora para praticarem seus atos pueris e covardes. A podridão fecunda de onde menos imaginamos e mesmo quem não aparenta exala os mais fétidos odores sociais de suas práticas blasfêmicas. A contradição é algo complexo em termos de uma vida, pois sempre existem os anteparos e esses se expressam em hallows onde sequer imaginamos. Entendi que as pessoas mais próximas de mim, eram todas minhas inimigas. Foi um choque o que eu vivi. A gente atrai inimizades até pelo simples jeito de ser gente e não existe pureza no ser humano, como prega o cristianismo, existe muita maldade, independente de serem homens ou mulheres.
Essa desconstrução foi horrível por um lado, mas de outro foi muito libertador. Durante anos parei de tentar entender tais sistemas por dentro e prendi-me mais na análise discursiva aparente. Agora, de alguma forma, estou voltando, ou dando voltas em torno de teorias, porém sempre sozinho, sem pessoas para encetar reflexões. Num terrível acaso, descobri que Steiner era discípulo de Goethe e suas teorias evolucionistas e foi quando rasguei tudo que sabia sobre antropologia num terrível nó existencial. No curso de ciências sociais, eu estudei muito, aprendi muito e pude dissecar bem o pensamento dos padres jesuítas sobre antropologia. Mas foi no marxismo que encontrei respostas bem mais sedimentadas. Apenas fiz uma junção de ambas as visões. .
Apenas escrevo em busca de compreensão e quiça de algum iniciado sincero disposto a tais reflexões.
Há muitos anos li e compreendi Maquiavel e Sun Tzu. E entendi a podridão humana, a falta de ética e a alta traição de pessoas que estavam próximas de mim apenas aguardando a hora para praticarem seus atos pueris e covardes. A podridão fecunda de onde menos imaginamos e mesmo quem não aparenta exala os mais fétidos odores sociais de suas práticas blasfêmicas. A contradição é algo complexo em termos de uma vida, pois sempre existem os anteparos e esses se expressam em hollow onde nós sequer imaginamos.
Eu descobri o poder do ocultismo, mesmo sendo céptico. Descobri que o que tentaram fazer comigo era fácil de ser respondido. Entendi que a transversão nos ensina até a responder, sem usar armas, apenas pontuando o DNA de quem nos praticou o mal, fazendo a jornada da purina e os compostos heterocíclicos nitrogenados.
Eu gosto de interagir com meu amigo DAVI DAMIAN. Ele é Doutor em Psicanálise pela UFRGS e conhece muito seriamente filosofia. Ele me entendeu raramente, percebeu e anotou que eu escrevo para poucos. A percepção e a sabedoria no DAVI andam juntas. É claro, existem pessoas sagazes e de enorme sabedoria em Santiago, onde eu sou obrigado a incluir a Dra. Marta Marchiori, com que converso muito e ela associa a teoria a praticidade da vida.
Ontem, meu sobrinho, GUI DAMIAN ficou horas escutando meu colega MARCOS LUIZ, um grande sábio e depois, quando fomos jantar, GUI me falou, no meio da conversa, sobre as observações do colega MARCOS. De alguma forma ele ficou impressionado e observou bem as ponderações.
Soube ontem, jantando com o GUI, que dia 22 de dezembro a Marianinha, minha primeira sobrinha-neta. fará 14 anos. Doce de pessoa, amável, calma, prudente, quieta e introspectiva. Ela não mora aqui e já estou registrando seu aniversário porque ela é uma raridade, embora seja dessas pessoas que mais observem e que guardam tudo para si, sem externalizações. É dificil prever o futuro da Marianinha, tamanha é sua introspeção, mas imagino,
empiricamente, que ela tenderá a psicanálise, pois já é filha de uma psicóloga.
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*Jornalista MTb-RS 11.75, Sociólogo, Teólogo e Advogado.
Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual e também em Sociologia Rural.
Autor de 6 livros e com um sétimo pronto.