Todos nós sabemos a verdade sobre nossos destinos. É estranho isso, mas eu sempre soube o meu. E tudo começou quando eu tinha 7 anos.
Eu vendia bolinhos no portão da Artilharia, era o ano de 1967. Um dos jovens que estava ingressando no serviço militar comprou-me um bolinho e depois não quis me pagar.
Fui até minha casa, sem a menor dúvida, apanhei um punhal muito bem pontiagudo, tapei com o pano de prato e voltei a procurar o malfeitor.
Procurei-o bastante, mas quando o encontrei, não tive a menor dúvida, cravei o punhal em sua perna. Foi um banho de sangue e ele foi socorrido para dentro do quartel.
Como meu pai não falava comigo, fui para casa e contei tudo para minha mãe.
Ela me ouviu atentamente e não me repreendeu, pois ela sabia quem eu era e apenas mandou eu ter cuidado.
Durante anos, na medida em que fui crescendo, sempre notei que eu tinha um lado vivamente assassino dentro de mim. Mas sempre fugi do meu verdadeiro eu e nunca dei vazão as brigas. Mas sempre soube quem eu era.
Formei-me em Direito e sempre quis viver dentro da legalidade e do Estado democrático de Direito. Contudo, sempre soube os limites do Direito, onde termina o Direito e onde começa o homem primitivo.
Os últimos acontecimentos de minha vida fervilharam meu lado escondido e pensei seriamente que minha hora chegou.
Eu sei exatamente o papel que cada um fez para destruir com minha vida, sei exatamente quem é quem e o que fez cada um dos planejaram me destruir por completo. Só se esqueceram que minha derrota completa só de daria com minha morte.
O meu sangue é ruim. Muito ruim.
