Os ratos cresceram e multiplicaram-se

Dyonélio Machado, nos idos de 1935, presenteou-nos com o célebre livro intitulado OS RATOS. Trata-se de uma narrativa sobre o uso do espaço geográfico assentado no individualismo e na ausência de uma concepção coletiva de vida em sociedade. É um perfeito  retrato do caos psicológico.

O absurdo veto gramadense a Ministra Carmem Lúcia e ao Ministro Dias Tófolli, ambos do STF, assim como a desistência desses, a um evento jurídico programado com bastante antecedência, deveria soar o alerta em todos os democratas do país.

Primeiro, o direito de ir e vir não pode sofrer restrições, independente de quem seja.

Segundo, esses atos contrários a presença dos ministros em solo gaúcho, mais precisamente na região serrana, são indicativos sérios da presença de uma ideologia excludente, bárbara, primitiva, e que mancha nossa tradição de fidalguia e respeito aos nossos semelhantes.

Terceiro, poucos conseguem identificar os germes nazi-fascistas que contaminam algumas regiões do Rio Grande do Sul. Não soa novidade a tentativa segregacionista de cobrarem ingresso dos visitantes na entrada dessas cidades. Isso mesmo. Essa novidade é abertamente discutida em cidades gaúchas.

O pensamento segregacionista gaúcho, ante a desistência da vinda ao nosso Estado de Carmem e Tóffoli, vai ficar mais forte, encorajado e potentoso. Aí reside um perigo que poucos conseguem vislumbrar em toda sua extensão. Em boa parte do Estado existem festejos.

Os ratos estão mais fortes. O desprezo ao pensamento divergente e a repulsa aos nossos irmãos de pátria, são indicativos perigosos demais para tempos complicados como os que vivemos.

A vontade que eu tenho é dizer que eles não sabem o que fazem.

Só que eles sabem muito bem o que fazem. A sabem muito bem o que dizem.

Os ratos estão soltos.

Cresceram e multiplicaram-se.

Conclusão inconclusa.