REFLEXÕES E SABERES

*JULIO PRATES
A vida é um desafio e devemos estar sempre prontos para as jornadas que se apresentam, das coisas simples até as mais complexas. Assim como viver e assim como morrer.
Iniciei a faculdade de sociologia com uma grande definição em minha vida: queria ser professor. A sociologia dos anos 80 não era somente esquerda, havia muita gente de direita, mas tanto esquerda quanto direita era tudo muito moderado, todos se davam bem e não haviam esses conflitos pós telemáticos.
Era bastante jovem, recém chegado em Porto Alegre. Logo, defrontei-me com um dilema horrível. Eu olhava os salários dos jornalistas e via o horror que eram os salários dos professores. Era o início dos anos 80. Essa história vai custar muito para mudar. No curso que eu fazia, tínhamos duas opções, o bacharelado, voltado para Pesquisas, e a licenciatura, voltada para o magistério. Neófito, mal entendia como um professor ganhava tão pouco. Hoje o governo do PT inventou os tais cursos R2, que as pessoas se formam em sociologia em um semestre apenas. Que falta de bom senso. Imaginem essa geração da R2 do PT?  E a regra vale para qualquer curso superior, basta ter o primeiro.
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Também não entendia, como, eu, sem ser jornalista, ganhava tão bem e como os demais colegas também ganhavam muito bem. Não sei bem quem sou eu até hoje, tudo cabe em mim, exceto a medicina e as ciências afins. Enquanto estudava sociologia pura, escolhi dirigir-me para Pesquisas, mas também estudava língua hebraica no Instituto Marc Chagall e francês, na Aliança francesa. No Instituto Judaico Marc Chagall, conheci e firmei grandes amizades. Leonardo Grabois, sobrinho de Maurício Grabois, virou meu grande parceiro e amigo. Leonardo era médico-psiquiatra, longa vivência na França e em Israel. Embora, boa parte da comunidade judaica seja de direita e pró-Netanyahu, embora os vínculos firmados sejam muito fortes até hoje e as amizades persistem.   Grabois formou-se em medicina há muitas décadas, na Universidade Federal do Paraná, figura humana amável e maravilhosa. Criou a dirigiu a Associação Paranaense de Psiquiatria e faleceu dia 23 de dezembro de 2023. Judeu militante e altamente respeitador das demais religiões.
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Grabois adorava girar pelo Vale do Sinos. Ele tinha uma tese sobre a mulher: “Júlio César, mulher é como socialismo, não tendo a ideal, se fica com o quem se tem”. Girar pelo vale dos Sinos era perambular pelos bares de Campo Bom, Novo Hamburgo … nós tínhamos grandes ligações com o sindicato dos sapateiros … sindicatos poderosos, fortes. O Vicente, a quem eu conheci em Campo Bom, modesto operário, acabou sendo eleito Deputado Federal naquela época. Foi em CAMPO BOM que namorei a mulher mais bonita que já conheci na face da terra.
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Mas Grabois gostava de olhar e analisar os comportamentos. Embora médico-psiquiatra, ele tinha uma veia sociológica forte e por alguma razão escolheu-me para ser seu amigo. Quando ainda cursava sociologia, comecei a abrir contato com o Mestrado em Sociologia rural, na UFRGS. Era meu sonho. Escrevia longos textos sobre o impacto do Mercosul nas pequenas propriedades familiares do Rio Grande do Sul.
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Imperceptivelmente, creio hoje, comecei a misturar economia com sociologia e a mergulhar num enredo complexo. No mestrado, em Sociologia, cheguei a receber críticas por ter uma veia econômica muito forte e até hoje não consegui dissociar a economia da sociologia, como querem as bancas de mestrado e doutorado. Mas eu também passava enfiado com o Direito acabei fazendo Direito. Mas, mal entrei para o Direito, liguei-me a nova escola jurídica, conheci pessoalmente Roberto Lyra Filho* e aí passava mais envolvido com Filosofia do que o Direito propriamente dito.
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*Jusfilosofo ROBERTO LYRA FILHO, Professor Doutor pela UNB, criador da Teoria Dialética do Direito e da Nova Escola Jurídica. Autor de obras como O QUE É DIREITO. Faziam-lhe companhia: Warat (O Saber Crítico e Senso Comum Teórico dos Juristas) , Wolkmer, Agostinho Ramalho Marques Neto ...
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Lia Foucault, mas também lia a anti-psiquiatria. No direito, nas cadeiras de medicina legal, voltei-me para a psicanálise e comecei a estudar Freud e Lacan. Achava Jung muito místico. Mas sempre amei Cooper e Laing, especialmente sua crítica a psiquiatria tradicional, tanto que são conhecidos, hoje, como fundadores da anti-psiquiatria e -recentemente – um idiota do DMJ do TJRS me disse que eu citava autores que ele não conhecia, paciência, não posso responder pela insipiência alheia.
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Mas eu também vivia uma contradição terrível. Se de um lado achava Jung místico, de outro, vivia atolado nos livros de Valdomiro Lorenz, sobre Cabala. Acabei na sociologia das religiões. O judaísmo é fascinante. Boa parte dos meus amigos judeus, são ateus. Contradição? Não, grandes líderes mundiais também o são: Marx, Lenin, Trotsky, Freud … quem não é?
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Quem acompanhou bem essa minha trajetória, em Porto Alegre (antes de  me mudar para São Paulo) foi o nosso colega, Advogado local, Cilon Pinto, ele é bem anti-judeu e era amigo íntimo do Bernardo(judeu) e sabe bem da sinagoga que frequentávamos no bairro mais judeu de Porto Alegre, o Bonfim.
Desisti da ideia de ser professor. Pensei que eu seria um homem completo quando dominasse os arquétipos das principais ciências e assim comecei e incursionar pela ciência política, pela sociologia, pela filosofia, e tudo  me levou – naturalmente – a economia, direito, psicanálise, antropologia … logo, conclui que o saber sistematizado em cada curso superior era uma robotização da pessoa, eu imaginava um ser humano com conhecimentos mais amplos … um curso superior só aliena e pessoa dentro daquela armadilha.
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Fico escandalizado com as cabeças de juízes e promotores dessa geração mais jovem. São altamente mecanicistas, embora não saibam sequer quem foi Althusser ou Marta Harneker. Se me escandalizo com o mecanicismo, não é diferente meu juízo sobre o maniqueísmo. Isso é impossível no Rio Grande do Sul? Ximango ou maragato? Grêmio ou inter? Arena ou MDB?
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Tive a felicidade de conhecer  Bárbara Freitag e sua proposta de interdisciplinaridade. Conheci-a pessoalmente, assim como seu esposo Sérgio Rouanet, diplomata, tucano, que vive sendo atacado pelos tucanos que acham que ele é PT, pela lei de incentivo à cultura que leva seu nome. Foi aí que comecei a descobrir meu verdadeiro eu. Mas já era tarde demais. Fiquei 30 anos lendo quase de tudo.
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Maduro, consciente, não há mais espaço na minha vida para ler Humberto Eco e como elaborar uma tese. A vida segue em frente. O que eu fiz foi uma loucura luxuosa de obter prazer com o conhecimento. É como ser necessário a delícia de um Henri Jayer Cros Parantoux-Vosne Romanee Premier cru numa bela taça de cristal olhando o por do sol do Guaíba … com caviar ou pão torrado com patê francês de coração de aves … e quem sabe ouvindo Bach, Tocata e Fuga, em ré menor …
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Tive o privilégio do contato com a melhor literatura alemã, francesa e russa … pude comprar os livros que desejei … Seguindo … Um dia, eu percebi que cada campo das ciências, tem seus paradigmas. Obviedade ululante, diria Nelson Rodrigues. Levei anos para entender isso.  Eu não entendia a antropologia. Mas também não tinha método para chegar nos paradigmas. Por favor, não confundam Método com metodologia. Método é produto raro e mesmo que o cita sequer sabe a extensão de seu significado.
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Foi incursionando com Método que descobri que tudo se assentava num tripé: fonologia, psicanálise e marxismo. Saussure, Freud e Marx,  Darcy Ribeiro (e Roberto da Mata) estavam debulhados em minhas mãos, até a semiologia e a construção e desconstrução de cortes epistemológicos, à Japiassu. Fiz como Olavo de Carvalho e comecei a estudar por conta. Não pensem que é fácil a vida de estudos por conta. Um dia descobri: Tudo Começou com Maquiavel, de Luciano Gruppi, aí comprei um dicionário de ciência política, de Norberto Bobbio e descobri uma obra fascinante: As concepções políticas do século XX, de François Chatelet e Evelyne Pisier-Kouchner, de onde derivou-se minha melhor visão acerca do Estado.
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Embora, ressalve, no curso de sociologia, tive uma boa base anterior, em ciência política, estudando a origem do poder e as primeiras formas primitivas de Estado. Se eu fosse pedreiro, faria casas, sentaria tijolos. Como não sei bem ao certo quem sou até hoje, vou trabalhar com quem não sabe nada ao certo, aqui todo mundo crassa a pretensão e o exílio daquilo que não compreendemos. Logo, punimos, quem pensa diferente.
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É melhor rotular, depreciativamente, aquilo que não compreendemos do que tentar entender aquilo que nos parece distante. Quero voltar à Sinagoga do Bonfim,  seguir com minhas amizades, rever velhos amigos e trabalhar, trabalhar, com meu ofício. Amizades que ficam, pois a política passa.
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Eu sou mortal, erro muito, tenho grandes limitações, sou frustrado em muitas coisas, perdi minha família e enganei-me terrivelmente com pessoas que amei muito e de forma pura e sincera. Enganei-me muito com pessoas que se diziam amigas, mas eram ávidas em cravar um punhal nas minhas costas. E foi assim que descobri a extensão da podridão da justiça Encerro o ano convicto de que a traição não tem regras e nem tecido social e inicio 2026 pronto para todos os embates, não escolho armas, mas disposto a qualquer enfrentamento, conheço bem a podridão e sei ser implacável com quem foi implacável comigo.
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Mas, chega a hora que uma decisão precisa ser tomada. Uma conjunção e uma série de fatores colidiram na conspiração cósmica para que tudo acontecesse.   O amor existe, é lindo. É conjunto de afeições profundas. Pouca gente sabe o que é amar por completo. É tudo tão complexo. Nossas almas são inquietas. Irrequietas. Buscamos sempre a mansão do amanhã.
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Dou graças a banalidade da vida e apenas carrego marcas de enganos, como eu sei o quanto fui enganado e ludibriado, conheci as pessoas mais falsas do mundo que eu jurava serem as mais retas e decentes. Eram a maior podridão e falsidade.
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Aprendi ao longo de minha vida que sempre existem vários caminhos. Assim, sei onde começa e onde termina o Direito. O Direito é apenas um caminho. Assim como a morte e o nascimento. Eu estou dizendo que a morte é também um caminho.
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Toda a violação a minha Dignidade não passará impune, não me importa quem sejam os violadores, é meu desafio e meu desafio é minha vida. Tem gente que acha que controlando meu whats ou minhas redes sociais me controla. Eu sempre sei mais do que escrevo, muito mais e sei que certos assuntos não são permitidos nas redes sociais. Por isso, só os trato pessoalmente ou por um número que só eu tenho.  Eu ainda aguardo pelo STJ para pedir autorização para apresentar 5.300 páginas, frente e verso, de folhas de ofício e agora minha fonte me baixou mais 341, sempre no mesmo estilo. Eu sei que estou grampeado, sei quem mandou me grampear e me divirto até com a insensatez de quem acha que eu não sei o que faço e o que digo.

Eu não faço nenhum esforço para buscar os fatos novos, todos caem na minha mesa.  Embora, eu até veja exageros, como vídeos de duas senhoras trocando beijos, uma pobre adolescente desmiolada que caiu numa T2, é claro tem gente que se acha acima dos demais e caem nas técnicas mais primárias do 8.

O meu amigo, que é da ABIN, sabe que eu escrevo para poucos e ele sabe o que é o 8, que tem estacas fincadas em todas as cidades da região, quase todas.  Tem muitas que eu sequer sei, mas nessa que eu conto a historieta eu sei bem desde muitas décadas atrás. Essa gente não é de tirar lições de Sun Tzu e nem de Nicolau. Eu acho uma graça desse pessoal que se acha, por isso não pertenço a seitas e mantenho minha integridade intelectual sem cair em malversações e em engodos.


Foto do dia 24/01/26

*Autor de 6 livros  todos publicados pela PALLOTTI e GRUPO EDITORIAL FRONTEIRA-OESTE, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registration International Standard Book Number nº 908 225 no Ministério da Cultura do Brasil, desde 17 de abril de 2008, Sociólogo 1983/1987, 90/91, Advogado 1994/2004 e Teólogo 2021/2024. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual 2007/2008, com o livro A LINGUAGEM JURÍDICA NA IMPRENSA ESCRITA e também Pós-graduado em Sociologia Rural,  2000/2001, com o livro O IMPACTO DO MERCOSUL NAS PEQUENAS PROPRIEDADES FAMILIARES DO RIO GRANDE DO SUL ( não editado).