Justiça condena hacker que atacou o TJ-RS
TJ-RS

Um homem de 23 anos foi condenado nesta semana a 9 anos e 26 dias de prisão por comandar um ataque cibernético que paralisou os serviços do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) no último mês de março.
Segundo o G1, a decisão da 12ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre considerou os crimes de invasão qualificada de dispositivo informático e interrupção de serviço de informação de utilidade pública.
O condenado está em regime fechado e não poderá recorrer em liberdade. Ele está preso desde junho, quando as Polícias Civis do Rio Grande do Sul e da Paraíba cumpriram um mandado de prisão preventiva na cidade paraibana de Guarabira.
Na ocasião do crime, um ataque de Negação de Serviço Distribuído (DDoS) ao portal do TJ-RS causou instabilidades no acesso externo ao eProc, sistema que permite o acompanhamento de processos judiciais.
Esse tipo de ação interdita as plataformas de rede por meio do congestionamento de acessos a esses ambientes.
Além disso, o criminoso teria transmitido o ataque ao vivo por meio de um canal na Deep Web, oferecendo pagamentos via Pix para participação em ações coordenadas contra servidores públicos e outros ambientes governamentais.
Esta não foi a primeira vez que o TJ-RS sofreu um ataque cibernético, nem a segunda. Em 2020, o hotsite informativo do Eproc foi adulterado por hackers, mas o incidente não atingiu processos e outros bancos de dados do judiciário estadual.
No ano seguinte, o órgão foi vítima de um ataque de ransomware que deixou seus sistemas indisponíveis.
As consequências foram a perda de dados dos servidores nos computadores de trabalho, além de dificuldades que duraram meses no uso dos sistemas, resultando inclusive em suspensão de prazos processuais.
Em 2023, o Ministério Público expôs um descontrole sobre senhas no TJ-RS que resultava no vazamento de informações sobre operações policiais para criminosos.
Na época, foram feitas três operações para cumprir 20 mandados de busca e apreensão e três de prisão em nove cidades das regiões Central e Metropolitana do estado.

A TEORIA MAIS ASSUSTADORA SOBRE VIDA ALIENÍGENA JÁ EXISTIU
SÉRGIO SACANI – É formado em Geofísica pela USP, tem mestrado em Engenharia de Petróleo e doutorado em Geociências, ambos pela UNICAMP, atuando como divulgador científico no canal Space Today. Sua formação inicial em geofísica o levou a trabalhar com exploração de petróleo antes de se dedicar à divulgação da astronomia.
Gripe K tem 4 casos no Brasil
FIOCRUZ
Linhagem do influenza A (H3N2) foi detectada em caso importado no Pará, a partir de análise genômica realizada pelo Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC/Fiocruz.
O novo subclado K do vírus influenza A (H3N2), monitorado por autoridades de saúde internacionais, foi identificado pela primeira vez no Brasil por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
Trata-se de uma ramificação genética de um dos principais agentes causadores da influenza, doença popularmente conhecida como gripe.
Inicialmente, a amostra, coletada em Belém (PA), em 26 de novembro, foi analisada pelo Laboratório Central do Estado do Pará (LACEN-PA), no âmbito das ações de vigilância nacional de vírus respiratórios, coordenado pelo Ministério da Saúde.
A partir do resultado inicial de que se tratava de um vírus influenza A (H3N2), a amostra foi encaminhada para caracterização genética no Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC, que atua como referência nacional junto ao Ministério da Saúde e internacional junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A partir da utilização da técnica de sequenciamento genético, conduzida pelo Laboratório do IOC, foi possível determinar que se tratava da nova linhagem.
A amostra foi coletada de uma paciente do sexo feminino, adulta e estrangeira, oriunda das ilhas Fiji.
Os resultados foram prontamente informados às autoridades de saúde locais e ao Ministério da Saúde, seguindo o fluxo estabelecidos pela rede nacional de vigilância de vírus respiratórios, um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS).
Este caso foi classificado como importado, sem evidências até o momento de transmissão local associada ao subclado no país.
“A vigilância de patógenos que podem se propagar a partir de viajantes é uma ferramenta estratégica para a prevenção em saúde. Esse monitoramento contribui para a detecção oportuna de vírus emergentes e para a adoção de medidas que evitem a disseminação no país”, explica a diretora técnica do LACEN-PA, Valnete Andrade.
Atenção na Europa
A detecção no Brasil do subclado K, também identificado como J.2.4.1, ocorre em um cenário de maior atenção internacional ao influenza A.
Em dezembro, a OMS alertou para o aumento da circulação do vírus em diferentes países, especialmente no Hemisfério Norte, onde a chegada do inverno favorece a disseminação de infecções respiratórias.
Na Europa, alguns países registraram início antecipado da temporada de gripe, com predomínio do H3N2 e aumento da identificação do subclado K em amostras analisadas.
A virologista Marilda Siqueira, chefe Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC, explica que no Brasil a circulação atual do influenza A não está relacionada ao subclado K.
“Estamos observando, em diferentes estados, um pico secundário de influenza H3 neste final de ano, mas o clado associado a esse aumento não é o K. O que tem circulado aqui é o clado J.2.3”, frisa.
Esse cenário reforça que, até o momento, não há indícios de que o subclado K esteja impulsionando o aumento de casos no país, embora a vigilância permaneça intensificada diante da possibilidade de novas introduções e disseminação interna.
“A gravidade da infecção, como em outros casos de gripe, está relacionada à presença de fatores de risco individuais, como idade avançada, gestação e comorbidades, e, ainda, à falta de anticorpos contra o vírus influenza”, comenta a pesquisadora Paola Resende, do mesmo laboratório.
As especialistas ressaltam que a vacinação contra influenza segue sendo uma ferramenta fundamental de proteção, especialmente para reduzir hospitalizações e casos graves da doença.
“A composição da vacina de influenza recomendada pela Organização Mundial de Saúde foi atualizada em setembro para o próximo ano, com cepas mais próximas dos clados atualmente em circulação, incluindo o subclado K”, salienta Marilda.
“É fundamental se vacinar. O Ministério da Saúde realiza intensa campanha de vacinação todos os anos. E, mesmo para quem não se vacinou durante a última campanha, vale ir até o posto de saúde mais próximo e solicitar a imunização”, complementa Paola.
Além da vacinação, as pesquisadoras reforçam medidas básicas de prevenção, como higienização frequente das mãos, evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sintomas respiratórios, além de procurar atendimento médico o mais breve possível, em especial, em caso de febre, e usar máscara de proteção para cobrir boca e nariz.
Para os serviços de saúde, a principal recomendação é o fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica.
“A rede global de vigilância de vírus respiratórios, da qual o nosso laboratório faz parte, é essencial para detectar precocemente a introdução de novos clados e para subsidiar a atualização periódica das vacinas”, diz Marilda.
A identificação do subclado K no Brasil representa a capacidade do sistema de vigilância em detectar precocemente a introdução de novas variantes.
“Do ponto de vista da vigilância, esse achado mostra a sensibilidade e robustez do nosso sistema de monitoramento. Conseguimos identificar precocemente a possível introdução do subclado K, que, até o momento, foi detectado em apenas um indivíduo, caracterizando um caso pontual”, finaliza Paola.

