Quem ganha com a queda de Bachar al Assad, na Síria? A estranha posição da direita no Brasil

*JULIO CESAR DE LIMA PRATES

Quem ganha e quem perde com a queda de Bachar al Assad, na Síria?  É estranha a forma como a direita no Brasil comemora a queda e Bachar al Assad. Muito estranha, assim como pregam abertamente moderação em nome dos rebeldes. Tratam como se o oriente médio não fosse altamente imprevisível.

Embora al Assad fosse um ditador, que governou o país durante 24 anos, sucedendo seu pai Hafez al Assad, a grande verdade é que os rebeldes são mais a esquerda que o grupo de Hassad, sendo dois embolados,  grupos gihadistas  dominantes, que são altamente  inimigos dos cristãos,  são inimigos de outras religiões e defendem a Guerra Santa armada e altamente violenta, são sunitas, do mesmo grupo Hamas, de Gaza, e nada indica que tenham simpatia ao governo de Netanyahu de Israel. Muito pelo contrário. Ademais, a forte presença curda, também islâmicos,  no conflito aponta sempre conflitos com os turcos.

Estou convencido que a nossa direita não sabe o que comemora.

É claro, dependendo do enfoque, a derrota  de al Assad significa derrota da Rússia, com grandes bases aéreas e navais,   do aiatolá Ali Khamenei, do Irã, e que implica em derrota também do Hezbollah, grupo xiita localizado no Libano, mas fortemente aliado do governo persa.

Segundo vários analistas de geopolítica internacional, os EEUU e até setores do Likud estavam fomentando os gihadistas  sunitas para derrubarem al Assad. É claro, essa prática é velha para quem é velho e não se constitui nenhuma novidade.

Com grandes estoques de armas químicas e biológicas quem vai tirar o maior proveito da situação é Recep Erdogan, presidente da Turquia, eis que 99,8% dos turcos são sunitas islâmicos. Isso explica facilmente a presença turca entre os gihadistas sunitas que derrubaram al Assad.

Assim como aconteceu no Iraque, esse apoio norte-americano aos gihadistas sunitas na Síria é só o ensaio de um grande carnaval, onde o ocidente comemora sem saber bem os porquês.

A Síria é um país vivamente islâmico, embora sedie Maalula, cidade onde até hoje se fala aramaico, a língua que Jesus Cristo falava, e reduto cristão permitido dentro da Síria, e que diferentemente de al Assad deverá ter um fim devido ao  radicalismo dos gihadisdas que tomaram o poder. 

Em tempo: Jesus Cristo nunca falou hebreu, embora se debata até hoje se ele entendia a língua dos seus opositores judeus.

É tudo muito cedo para prever o que acontecerá na Síria.


*Advogado,  Jornalista MTb-RS 11.75, Jornalista Internacional com registro de Editor nº 908225, Sociólogo. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual e também em Sociologia Rural.