Sobres as amizades

DAVI DAMIAN*

Teu escrito sobre amizade me lembrou deste que segue, surgiu em uma memória de 5 atrás, mas não lembrei se escrevi ou surgiu vagando e peguei associando alguma fábula medieval como em St. Agostinho na Epistemologia e Teologia.

Um guerreiro sabe que um anjo e um demônio disputam a mão que segura a espada (pensamentos, língua, palavras, atos).

Diz o demônio: “Você vai fraquejar. Você não vai saber o momento exato. Você está com medo”.

Diz o anjo: “Você vai fraquejar. Você não vai saber o momento exato. Você está com medo.

O guerreiro fica surpreso. Ambos disseram a mesma coisa.

Então o demônio continua: “Deixa que eu te ajudo”. E diz o anjo: “Eu te ajudo”.
Nesta hora, o guerreiro percebe a diferença.

As palavras são as mesmas, mas os aliados e interesses são diferentes.

Logo como as estratégias em Bovary, surge a trama de Macbeth, onde este tornou-se rei devido a Lady Macbeth e seus estratagemas influenciando tudo e todos até o rei desde o início, sussurros de veneno. As palavras venenosas só funcionam quando alguém que as engolir/ouvir; o personagem “Língua de Cobra” conselheiro/amigo em “Senhor dos Anéis” que deixou um rei Théoden de joelhos e debilitado pelo “encanto de suas palavras/conselhos.

Lady Macbeth por fim sente culpa de ter feito tudo o que fez.

Mas fica a pergunta que o teu conteúdo/escrito esconde sendo claro: “quem hoje sente culpa ou pede perdão por seus atos?”


*DAVI DAMIAN – É psicanalista, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS