Da privatização da CEEE

*Fernando Dutra

O Ministério da Economia, por meio do BNDES, e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, viabilizaram hoje a privatização da CEEE-D na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Estatal criada em 1961, que gera mais de R$ 6 bilhões em passivos para o Estado Gaúcho, e que agora será assumido pelo setor privado.


O trabalho foi desenvolvido em âmbito do Programa de Apoio a Projetos de Desestatização, conduzidos pelo BNDES e Ministério da Economia. O Programa tem como objetivo apoiar estados e municípios na estruturação e viabilização de projetos de Privatizações, Parcerias Público Privadas e Concessões. O apoio se dá na construção de modelagens financeiras, de engenharia e jurídicas – que garantam independência e isonomia ao longo de todo processo de estudos até o Leilão.

O Projeto de privatização da CEEE-D, ocorre em um momento oportuno, tendo em vista a tramitação do Novo Marco do Setor Elétrico, que visa potencializar ainda mais a participação privada ao setor, trazendo maior segurança jurídica aos contratos e permitindo maior concorrência e investimentos.


Até o momento, o Estado do Rio Grande do Sul e municípios gaúchos já viabilizaram diversos projetos em conjunto com o Ministério da Economia em âmbito desse programa de apoio a projetos de desestatização, dando destaque para: a PPP de Iluminação Pública de Porto Alegre, a PPP de Iluminação Pública de Sapucaia do Sul, a desestatização da CEEE-D e diversos outros que estão por vir.
Será por meio de exemplos como esses, um estado pequeno e eficiente para a população, que incentive a concorrência e a liberdade empreendedora que o Rio Grande do Sul voltará a prosperar.

SAIBA QUEM É FERNANDO DUTRA

Fernando Dutra

*Fernando Dutra é neto de Milton Garcia Dutra. Atualmente é Diretor do Ministério da Economia, exerceu o cargo de Secretário Municipal Adjunto de Parcerias e Desestatização de Porto Alegre. Além de ter atuado em mais de 5 anos em consultorias multinacionais


É formado em Relações Internacionais, Pós Graduado em Gestão de Negócios (Fundação Dom Cabral), Pós Graduado em Marketing Estratégico (Fundação Getúlio Vargas) e Pós Graduado em PPP e Concessões (Fundação Escola de Política e Sociologia de São Paulo em parceria com a London School of Economics). Atualmente é mestrando em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas.

Oposição e situação em Santiago. Nomes e legendas, virtudes e devaneios…

O futuro da oposição em Santiago é – certamente – o mais nebuloso possível. A última eleição municipal demonstrou cabalmente a extensão dos erros oposicionistas.

Miguel Bianchini

As lideranças mais fortes são Miguel Bianchini, Guilherme Bonotto e Marcelo Brum. O advogado Paulo Rosado, em que pese a bela performance de notável orador e preparo técnico, já declarou que não concorre mais, e isso é uma perda para todos nós.

Guilherme Bonotto, a quem apoiei, entusiasticamente, embora derrotado, fez uma votação bem expressiva para os padrões das oposições santiaguenses. Conseguiu unir amplo espectro de forças em torno de si e constituiu-se uma liderança exemplar. Entretanto, logo após a performance eleitoral, abandonou completamente a política partidária, abdicou do próprio capital político que constituiu e deixou órfãos todas as pequenas lideranças emergentes, mas com futuro.

Guilherme não fez nenhum trabalho e nenhum esforço para manter unido o seu pessoal; isso foi um grande erro. Certamente ficou magoado com as questões pessoais derivadas do insucesso e de sua brevidade na leitura. Mas tinha um grande futuro, até por ser jovem, muito preparado e tido como um amigo leal e muito fraterno. Construiu-se pelos seus méritos e suicidou-se – politicamente – pelo abandono de tudo e de todos, embora o escopo de sua opção seja o trabalho.

Marcelo Brum

Marcelo Brum é um desastre completo, não soube nem organizar um diretório em Santiago, inobstante ter a máquina e o poder derivado de um mandato legislativo federal. O PSL em Santiago amargou um grande fracasso em 2020. Ademais, atua em cima de máxima que sua preocupação é com as pessoas e não com os partidos. Um lindo epiteto, mas que contraria a lógica do sistema eleitoral atual, que sequer admite candidaturas avulsas. Marcelo teria tudo para firmar-se no campo oposicionista local. Porém, preferiu uma carreira solo, não aglutina e cometeu o terrível erro de sair de sua terra natal e do berço que lhe premiou generosos seis mil e tantos votos.   É claro que terá um reconhecimento individual pela importância das emendas que carreia ao hospital, o que é o ponto alto de sua atuação parlamentar.

Miguel Bianchini sofre do mesmo mal e tem uma trajetória um tanto ziguezagueante. Mas ainda é a maior liderança que temos em Santiago no campo oposicionista. Não se rendeu, soube assimilar os resultados desfavoráveis, não abandonou a vila onde mora, anda de cabeça erguida, e tem tudo para reverter o quadro desfavorável. Ademais, é extremamente honesto. É o tal honesto até demais. Pessoalmente, tenho uma leitura que ele crescerá na eleição de 2022, pois foi elegante na derrota, não fugiu de Santiago, e segue firme na luta ao lado do Vereador Gildo. As pessoas observam o comportamento dos políticos. O Bianchini tem demonstrado firmeza e convicção e isso amplia o seu poder de convencimento e persuasão. É só fingir que ama a todos e sair distribuindo beijos em velhinhas que nem o Thiago.

José Shulte

Temos um fato novo em Santiago, pouquíssimo explorado, mas que tem potencial e bala na agulha. É o médico neurocirurgião José Shulte. Altamente formado, referência em amplos grupos bolsonaristas espalhados pelo Estado, bem situado financeiramente e potencial candidato em 2022. Soube uma reunião do grupo que o apoia em Santiago com o grupo afim de Cruz Alta. Tudo indica que concorrerá a deputado federal, tendência maior do grupo, ou a estadual, tendência menor do grupo…. mas é o fato novo emergente dentro de Santiago. Ademais, carismático, atencioso e atende em 21 municípios. Todos sabemos do poder de influência que os médicos exercem nas comunidades. Shulte é de direita, é bolsonarista e não é ligado ao grupo tradicional do PP. Ademais, tem voo próprio, tem luz própria, não é falcatrua, é um médico muito sério e honrado. É um potencial candidato.

O PP ainda vai se digladiar. Tiago Lacerda quer largar o cargo de prefeito e empreender uma carreira de deputado estadual. Corre o risco de repetir o fenômeno Vanderlan Vasconcelos, ex-prefeito de Esteio, que após uma belíssima vitória largou tudo e apostou numa candidatura a deputado estadual e foi massivamente reprovado pela população.

Tiago, na minha opinião, deveria cumprir o mandato para o qual foi eleito, pois corre o risco de repetir o fenômeno Vanderlan e se matar precocemente por ter ido com muita sede ao pote. O PP está tão bem que só se matando entre si é que podem naufragar. Num confronto direto Tiago contra Bianchini, a população pode se vingar por Tiago ter abandonado o cargo e votar no Bianchini. É um risco que ele corre e ninguém do staff pensa nessa hipótese.

Júlio Ruivo

O melhor do PP seria Ruivo ir a estadual. Está sem mandato, se ferrou sozinho na última eleição, mas está vivo, é bem formado, relativamente novo ainda e agora já sabe quem são os jacarés dentro do próprio lago.

Também, o desgaste de Bolsonaro, curiosamente, agora o beneficiará, pois ele e seu grupo mais próximo foram todos de Haddad. Agora, para presidente, vai de Eduardo Leite.

Ruivo é o páreo mais duro para Bianchini, por incrível que pareça. Só vai ter que largar a tetinha do IPE Saúde, mas sabendo que será deputado estadual, vale a pena.

Creio que a dobradinha Ruivo e Tiago, indo um para federal e outro para estadual não emplaca dentro de Santiago. Embora isso é o que passe na cabeça do Heinze, que é o mais forte candidato ao governo do Estado, hoje.

Em suma, as cartas no PP estão postas e a hegemonia é absoluta. Para morrerem, só se matando entre si.

Restará a Bianchini a tarefa de ser o grande pai das oposições de Santiago. É claro, pessoas morrem e alteram o curso da história. Ainda temos muita coisa pela frente até outubro de 2022. Temos COVID semeando desgraça, acidentes de carros, escândalos sexuais, mortes naturais, maridos traídos matando candidatos ( já tivemos isso, nunca esqueçamos) enfim, a história não é absoluta. Aqui em Santiago, em nosso Estado e no país … tudo são hipóteses.

Supremacia branca e o governo Bolsonaro, casos fortuitos ou orquestração imperceptível?

É gesto praticado por Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais do palácio do planalto, nitidamente identificado com o nazismo e com com os supremacistas brancos, não foi um fato isolado no governo Bolsonaro e deve acender uma luz na vigilância anti-nazista. Seguidamente surgem manifestações afins e isso é fortemente preocupante.

As raízes nazistas podem estar mais profundas do que imaginamos. Por outro lado, é evidente que a simbologia se dirigia a um público específico e aí fica nítido que o caso não foi fortuito e nem isolado.

Só notas de repúdio não bastam. Há muito tempo eu venho denunciando, de forma isolada, que o supremacismo branco ganha muita força em círculos de direita e o governo Bolsonaro se tornou um nazistário, mesmo que imperceptivelmente. A rigor, não existe um estudo investigatório mais profundo acerca dessas raízes, sua origem e como elas têm se fincado em nosso meio, como um silencioso câncer que avança corroendo as instituições democráticas e o próprio Estado democrático de Direito.

Como Presidente estadual da comissão de ética socialista no Rio Grande do Sul, coube a mim estudar a buscar a genealogia desse movimento neonazista, especialmente quando foi pedida a expulsão de Hilton Marx dos quadro do PSB. Eu e o meu secretário-geral, o médico Leonardo Grabois, identificamos uma intensa literatura nazista, símbolos e até propostas para o Brasil. É tudo muito mais profundo do que se imagina, assim como a divulgação e a propagação ao ódio contra o povo judeu.

Em janeiro de 2020, o secretário de cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, proferiu uma manifestaão copiando trechos inteiros do discurso de Joseph Goebbels,  ministro de Estado da propaganda na Alemanha Nazista no período compreendido entre 1933 e 1945.

Reservo-me o direito de dizer que não são fatos isolados. Talvez a orquestração seja mais profunda do que todos nós possamos imaginar.

Que o despertar não seja tarde e que a vigilância da democracia não seja sonolenta.