Contribuição crítica ao debate, por Davi Damian

*DAVI DAMIAN

Li o texto “por que escrevo”  e me potencializou a essa escrita: Sujeito individual mas não que dizer estar só; como em Deleuze, a solidão é povoada, como uma xícara de café.

Uma “cooperação interpretativa” com leitores sensíveis as palavras ato!
O autor é responsável primeiro pelo seus escritos, os éticos dizem “fiz!”

Outros: “vocês não me entenderam!”a culpa é sempre do outro para tapar a inchação idade de perceber “quem me lê?”. Alvos de censura, muitos sem assinar embaixo.

Escrevemos para sentir os pés no chão, por vezes nos pés de outrem como circular pela cidade e o sentimento de compaixão e empatia pelas vitrines vivas que vemos pelo percurso, tipo de modelo, embora sirva, sobretudo, para explicitar os processos interpretativos trabalhados pelo leitor, não o faz sem evocar os trabalhos de Bakhtin, da e na sociolinguística.

A escrita rebelde como Barthes, aquela que rompe a marteladas a repetição como em Nietzsche, “ninguém morre de verdades, existem antídotos demais!”.

Uns são redatores, escrivões, tu, Autor, por isso, revida (re Vida),escava, escapa, escreva…


*Psicólogo, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS

Por que escrevo?

*JÚLIO CÉSAR DE LIMA PRATES

 

 

Para enfrentar o longo frio que atinge nossa região, busquei nas minhas malas velhas as roupas de lãs, em especial, minhas tocas, blusões e alguns casacos, embora sequer saiba onde foram parar meus tradicionais casacos pretos.

Essa foto eu tirei para mandar para o João, filhinho da Gabriele, que ainda está com apenas 1 ano de vida, mas ela sempre me manda fotos e vídeos dele, uma criança dócil, meiga e amável.

Nesses dias frios, agora de madrugada notei na tela do notebook que marcou apenas 2 graus, dentro de casa, sinal evidente que lá fora deve estar bem menos.

Eu não sei até onde existem mobilizações em nossa cidade para socorrer as pessoas castigadas pelo rigor desse inverno. Mas sempre faz falta um cobertor, um acolchoado e até um chá, um café ou um chocolate quente.

O líder religioso que eu mais me identifico na atualidade, no Brasil, é o padre Júlio Lancelotti, que faz aqueles panelões gigantes de comida, sopa quente e vai ele mesmo para a rua, na cracolândia, em São Paulo, ajudar abrandar a fome e o frio dos nossos irmãos. Esse é um verdadeiro exemplo de irmandade, fraternidade e afeto. Em meio a tantas decepções com religiosos, gosto muito do exemplo desse adorável padre.

É claro que seu exemplo poderia ser seguido por religiosos Brasil afora, mas o que vemos é apenas cobranças de dízimos, pedidos de doações e nenhuma prática retributiva, embora a imunidade tributária e embora todos falando no amor e na principiologia de Cristo.

Eu, quando tinha minha casa, sempre acolhia os pobres no frio do inverno, gostava de sopões e confesso que a solidariedade é algo que enche nossos corações. Como eu perdi tudo e ainda sou combatido pelos abutres que fingiam ser meus amigos, consolo-me com o exemplo do padre Lancelotti e torço pela explosão de afeto nesses dias complicados para os mais desprotegidos, especialmente as vítimas do frio e da fome.

Fico imaginando como deve ser difícil passar frio numa noite como hoje. Eu acho que cada cidade devia ter um comitê de combate ao frio e a fome, pois não é difícil um panelão de sopa como faz o padre Júlio.

Eu imagino que muitas pessoas devem ser tocadas nessas noites, pois é difícil ignorar a dor dos que passam frio e fome. Acordei perto das 5 horas da manhã, não consegui mais dormir e decidi escrever e ver meus vídeos sobre a tetricidade genocida de Israel contra os povos da Palestina.

Sem querer, lembrei-me do inverno de 2020. Eu estava com Nina e saímos caminhar pelas ruas do Capão do Cipó. Foi muito bom olhar e sentir os lares e o aconchego das pessoas, o fogo aceso e todos protegidos. Embora exposto ao frio, foi muito bom sentir a sensação daquelas pessoas e daqueles lares.

Após uma longa caminhada, convidei Nina e voltamos para nossas pecinhas, singelas, mas era, enfim, nosso canto e nossa vida.

O que me reservava dali para frente era só vendaval e tudo estava engatilhado contra mim que, tolo, nunca percebi nada, nunca agi com maldade contra ninguém. Foi uma sucessão de golpes e tudo muito doído, muito complicado, cheio de viéses e notei brotar uma podridão tão grande, tão grande, que ninguém faz ideia de como faz-nos mal a traição de pessoas que a gente julgava amigos e amigas, mas que estavam prontas para a punhada, e foi uma sucessão, algo para me matar mesmo. Cada um apunhalou de um jeito e descobri como tudo é cínico e como as pessoas são falsas.

A roda dos escarnecedores é ampla demais, creio que minha condição acadêmica foi até boa para entender a podridão humana, a falsidade, o cinismo e a extensão das mentiras.  Hoje, me dedico para escrever o que passei, as dores que senti com as descobertas e as mentiras que me aplicavam. Até um presente que recebi, um grande amigo descobriu que o mesmo estava todo programado para o embuste de minhas conversas. Como me considero uma pessoa pobre e inexpressiva, nunca pensei que ditos amigos e amigas fossem capazes de tanto para me atingir e para destruir com minha vida.

Mas considero que tudo é válido e tudo tem algum sentido. Por isso, primo pelo que estou escrevendo e sempre rendi homenagens ao Chicão, uma mente doce e pura, que me fez ver o peso da escrita como forma de imortalizar as pessoas que a gente ama e as pessoas que nos traem e nos mentem.

E assim vou vivendo, e assim vou indo. Sei que estou bem perto de minha homenagem muito especial aos falsos e mentirosos, assim como meu reconhecimento a integridade e a valorização da honradez de pessoas dignas.

Por isso, escrevo.


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225, Sociólogo e Advogado inscrito na Sociedade de Advogados nº 9980 OAB-RS. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural. Autor de 6 livros.  

 

Haverá uma pandemia de gripe aviária?

*JULIO CÉSAR DE LIMA PRATES

Relatório do International Bird Flu Summit, IBFS, que em Português quer dizer Cimeira Internacional sobre a Gripe Aviária, prepara, para o início de outubro desse ano, o anúncio mirabulante da contaminação por pessoas e do gado em geral pela gripe aviária. Até aqui tudo normal.

A gripe aviária há muito tempo está ficando sem controle dentro dos EEUU. O problema é que o relatório do IBFS deverá, segundo especulações dos cientistas e jornalistas nos EEUU, afora ser em Whashington, será que esse trará embutido o perigo e os riscos de uma nova pandemia global. Segundo os grupos trumpistas, de Republicanos dos EEUU, isso será um embuste para proporem o adiamento das eleições e tudo será maquiavelicamente criado pelos Democratas, que perceberam que Biden não renuncia e que tudo pode ficar sem controle nas mãos de Trump.

É claro, por enquanto tudo são especulações, mas Trump já correu para seu aliado Vladimir Putin e os cientistas russos estão debruçados sobre a questão.

O certo é que a discussão sequer chegou ao Brasil, afora posições de grupos locais, altamente reduzidos, pois esse debate é complexo e ninguém sabe ainda como se posicionar.  O mais certo – ainda – é que o debate tende a crescer muito e até outubro, quando houver a reunião da Cimeira Internacional sobre a Gripe Aviária, o debate já estará devidamente fomentado para uma nova pandemia e, certamente, com a proposta de adiamento das eleições nos Estados Unidos.

É claro, nesse momento, tudo são especulações, embora a pandemia de gripe aviária a partir dos Estados Unidos já seja uma realidade há bastante tempo. O ideal – aqui no Brasil – é a busca de leituras e o aprofundamento sobre o Tema gripe aviária, pois aí poderá estar a chave para compreensão de uma emergente pandemia, se isso realmente se corporificar, embora, nos bastidores dos EEUU, tudo seja resumido a um eventual conflito entre Republicanos e Democratas.

Quem viver, verá. Ou são tudo meras especulações ou existe algum fundo sério nessa questão?


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225, Sociólogo e Advogado inscrito na Sociedade de Advogados nº 9980 OAB-RS. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural. Autor de 6 livros.  

A complexa pós-modernidade política mundial (texto do dia 06/07/24)

*JULIO CESAR DE LIMA PRATES

O primeiro-ministro do Reino Unido, que comandará a chefia de governo, é o trabalhista Keir Starmer, embora a chefia de Estado seja exercido pelo Rei Charles III. Trata-se de uma monarquia constitucional, mas a vitória do trabalhista de esquerda e centro-esquerda, vai na contramão de uma forte tendência direitista que emergiu com força na Europa.

Amanhã, a França deve consagrar o direitismo da Presidenta do Rassemblement National (RN),  Marine Le Pen. A França  elege amanhã 577 cadeiras na Assembleia Nacional Francesa e a previsão é que a ultra-direita francesa eleja 289 cadeiras, dando maioria absoluta a Le Pen.

Na França, diferente do Reino Unido, presidente é eleito por um mandato de 5 anos, podendo ser reeleito apenas uma vez. O mandato de Emmanuel Macron vai até 2027, mas governará sem maioria do congresso. No Reino Unido temos uma monarquia constitucional desde 1688, implantada com a Revolução Gloriosa do mesmo ano.

Entretanto, o Reino Unido assombra um espectro da Europa, pois vai na contramão do direitismo europeu, em especial na França e na Itália que tem como primeira-ministra a jornalista direitista Giorgia Meloni. Após muitas leituras, até para entender bem o trabalhismo inglês, nota-se que o premiê é um misto entre a esquerda e centro-esquerda do Reino Unido.

Com toda prudência pode-se afirmar que o Reino Unido, mais uma vez, está na contramão da tendência majoritária da Europa, pois a eleição de Keir Starmer é um claro indicativo disso, seja pela tendência centro-esquerda do trabalhismo, sejam pelas raízes históricas do trabalhismo do Reino Unido.

É claro que amanhã a França, estranhamente a França de François Mitterrand, socialista que exerceu 2 mandatos quando este ainda era de 7 anos, acabará consagrando a direita mais xonófoba da Europa, porém, contraditória, pois Marine Le Pen é altamente simpática de Vladimir Putin, líder russo. Aliás, essas alianças pós-modernas não têm uma tendência clara, pois Donald Trump, que lidera a corrida para a Presidência dos EEUU, pelos Republicanos, também é altamente aliado de Vladimir Putin, embora seja mais à direita que Joe Biden, presidente democrata atual dos EEUU.

A pós-modernidade política é um tanto complexa e nem sempre encontramos a mesma lógica que tínhamos nos tempos de François Mitterrand. Hoje, teremos – estranhamente – a direita francesa e italiana altamente aliada de Putin e se se confirmar a vitória da Trump a própria OTAN está com os dias contados.

É claro, no meio disso tudo existe a complexa questão Palestina e o embate do Hamas com Israel, assim como o Hezbollah, embora o Hamas seja sunita e o Hezbollah seja xiita, embora ambos sejam majoritariamente islâmicos.

É evidente que o massacre judeu em Gaza afetou barbaramente a boa imagem de Israel e será muito alto o custo da reconstrução dessa imagem, pois Israel emergiu com força após a segunda-guerra mundial, inclusive após sua fundação em 14 de maio de 1948 e Benjamin Netanyahu provocou danos sem precedentes na causa de Israel.

Putin, ao contrário do que disseminam os evangélicos maldosos, é aliado de primeira mão de Israel e jamais ficaria contra os interesses de Israel, embora o massacre em Gaza tenha feito o ideólogo russo Alexandr Dugin, que é o grande pensador russo da atualidade e esse tem fortes inclinações em defesa dos palestinos e contra o massacre/genocídio em Gaza.

Dugin é cientista político e filósofo político que pensa tudo pelo staff de Putin, é autor de 35 livros de ciência política e tem apenas 63 anos, um pensador jovem pelo volume de obras.

É claro que Dugin elabora os passos de Moscou e dita as regras seguidas por Putin, muitas delas altamente complexas pela nossa leitura aristotélica, mas é um grande pensador de a arte da guerra. Uma espécie de Sun Tzu da era cibernética.

Putin é simpatizante dos trabalhistas britânicos, está com um pé na França com Le Pen e ainda tem Trump, que morre de amores por ele, tendo tudo para se tornar um grande líder mundial, embora o imbróglio de Israel e do Hamas ainda longe de uma solução.

Assim, a compreensão e a leitura atual da política mundial, em especial a partir dos desdobramentos da Europa, é uma leitura que pesa muito fora da lógica aristotélica ocidental, pois aí estão os fatos presentes na Europa, mas com relação com a Rússia, China, Irã, Israel e Palestinos, tornando-se assim uma leitura globalizada que enseja conhecimentos de várias realidades locais para encetar a necessária reflexão da atualidade com seus vieses e particularidades.


*Jornalista nacional registro nº 11.175, Registro de Editor Internacional nº 908225, Sociólogo e Advogado inscrito na Sociedade de Advogados nº 9980 OAB-RS. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura  Textual e também em Sociologia Rural. Autor de 6 livros.