ÓPERA MUNDI – RÓKIO PAIK e VICTOR FARINELLI
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva classificou a reunião com o homólogo norte-americano Donald Trump nesta quinta-feira (07/05) em Washington, na Casa Branca, que durou mais de três horas, como um “passo importante na consolidação da relação democrática e histórica”. Durante coletiva, o líder sul-americano ressaltou que uma boa relação entre as “duas maiores democracias do continente” pode servir como um “exemplo para o mundo”.
De acordo com Lula, os Estados Unidos, durante um bom tempo, “deixaram de olhar para a América Latina, só olhavam com olhar de combate ao narcotráfico, como a União Europeia também deixou de olhar para a América Latina”. Acrescentou ainda que somente agora “perceberam a importância, outra vez” do continente em meio a um cenário global conturbado.
O mandatário também se colocou à total disposição para eventual “ajuda” que os Estados Unidos precisam referente ao assunto da situação em Cuba, criticando o bloqueio histórico imposto pela nação contra a ilha. “Ele [Trump] disse que não pensa em invadir Cuba. Eu acho que esse é um grande sinal, até porque Cuba quer dialogar e quer encontrar uma solução para colocar fim ao bloqueio que nunca deixou Cuba ser um país completo, livre desde a vitória da Revolução de 59″, disse Lula.
“Acho que é o bloqueio mais longevo da história da humanidade. Então eu estou à disposição. Se precisar que o Brasil converse sobre qualquer país, com qualquer país, sobre a questão das interferências americanas, em Cuba, no Irã, o Brasil está disposto a conversar”, acrescentou.
Além disso, o mandatário brasileiro também abordou a situação na Venezuela, país onde o governo dos Estados Unidos articularam uma invasão militar no início do ano e sequestraram o presidente Nicolás Maduro, junto de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores. Desde então, quem lidera a nação caribenha de forma interina é Delcy Rodrigues.
Lula diz que Trump não interferirá nas eleições brasileiras
“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida seu destino”, posicionou-se Lula. “A nossa relação é muito boa. Diria que uma relação que pouca gente que acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez. Aquele negócio da química”.
Questionado pela imprensa sobre um possível apoio oferecido pelo governo do republicano para a oposição brasileira nas eleições presidenciais previstas para outubro, Lula negou “qualquer possibilidade de tratar do assunto com qualquer presidente”.
“Esse é um assunto brasileiro. eles sabem disso. Eles também são presidentes. Eles também disputam eleições. Então o meu respeito ao presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. E só pelo fato dele ter sido eleito pelo povo americano não cabe a mim questionar. Cabe a mim levar muito a sério que ele tem mandato do povo americano para ele ser presidente daquele país. E é assim que o Brasil trata ele, como tratamos qualquer outro presidente que foi eleito pelo povo”, disse.
