Por que Santiago não patrocinou para seus ouvintes e nem para sua população um debate sério sequer sobre as guerras em curso no mundo?

*JULIO PRATES

Santiago é um polo regional. Somos sede uma grande universidade regional, a URI, que tem  potente rádios FMs  … temos mais de 60 universidades e faculdades virtuais. Temos mais de 40 rádios webs, 3 TV digitais, dois jornais de grande porte semanais e temos 5 rádios FMs. Ademais, somos auto-proclamados a TERRA DOS POETAS e CIDADE EDUCADORA. 

A despeito de tudo isso, Santiago não patrocinou para seus ouvintes e nem para sua população um debate sério sequer sobre a guerra em curso no mundo, entre a Rússia e a Ucrânia e, agora, com a gravíssima decisão da Rússia de colocar em alerta especial suas ogivas nucleares, superiores a 6 mil. A questão de GAZA e Israel é medíocre, ninguém sabe a diferença entre sunita e xiita.

Nossa população é abastecida pelos canais institucionais  e o episódio revela bem nossa pobreza intelectual e acadêmica.

Creio que já passou da hora de ser produzido um bom programa local, confrontando as teses dominantes na sociedade santiaguense e região. Não importa o lado, mas o debate em si, que é emergente e necessário, isso nem de longe acontece.

As famílias estão interessadas em comer, assar carne, tomar cervejas … os evangélicos estão acampados e quem não está acampado intoxica os ouvintes com a lavagem cerebral acrítica de que os EEUU são a redenção do mundo e que Putin é comunista e que precisa ser destruído. O Pastor Caio Fábio chegou ao extremo do absurdo de afirmar que Putin é um reptiliano.  A Renata vai adorar e os reptilianos locais adoraram.

Creio que a ausência de debates e reflexões demonstra bem nosso analfabetismo funcional. Entendem agora porque eu afirmo que somos uma terra de cegos?

Alienação e miséria acadêmica e intelectual é pouco.

Monólogos com uma só posição não são debates. Debates precisam posições antagônicas entre si.

Agora vem Natal, Ano novo. Depois do carnaval eles acordam e vão sair atrás de filet de mercado. Nem que inventem um, como tudo é aqui.


*Autor de 6 livros, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registro Internacional de jornalista nº 908 225  inscrito no Ministério da Cultura do Brasil, Sociólogo e Advogado, Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural. 

Apenas um anotador nesse blog que fará 24 anos de existência e nem sei quando será sua morte.