O povo evangélico passa por uma onda de descontrole

O povo evangélico passa por uma onda de descontrole. As redes sociais contribuem nessa insanidade.

Primeiro, todos profetizam o fim do mundo. Dizem que é bíblico. Na esteira dessa onda, emergem as malandragens e os que faturam alto com a semeadura do medo e a disseminação do terror do fim dos tempos.

Segundo, eu, como evangélico há mais de 50 anos, pois tenho 63 anos e batizei-me nas águas aos 12, confesso que sinto-me envergonhado com tantas besteiras pregadas. Ouço que o mundo vai terminar desde que eu tinha dez anos de idade. Todos os dias inventam o fim do mundo e um anti-cristo. Já ouvi, ao longo de minha vida, diversos atores políticos serem chamados de anti-cristo. Sem pudores.

Se eu pudesse pediria aos pastores e evangélicos escutarem um teólogo batista, realmente sério, que conhece a bíblia, e que é a voz ponderada e sensata nas redes sociais. Trata-se do teólogo Osvaldo Luiz Ribeiro, que muitos especialistas internacionais apontam como o mais profundo teólogo brasileiro, não só pela formação, mestre, doutor e pós-doutor pela Universidade Federal Fluminense em teologia, mas pelo conhecimento amplo das escrituras e línguas mortas.

Em tempo: eu editei pela minha Editora o livro de Paulo Stekel sobre as línguas mortas, ou, sagradas.

Osvaldo Luiz Ribeiro, com formação paralela em sociologia, ciência política, história, economia  e filosofia, consegue contornar a leitura bíblica dentro de uma realidade bem compreensível e de fácil assimilação.

Agora, nessa noite, dando um giro pelos canais de direita que eu assisto, quase todos evangélicos, de esquerda sobra o Caio Fábio e Osvaldo Luiz Ribeiro, notei uma histeria contra os porta aviões iranianos acolhidos em nossas águas territoriais.

Primeiro, a satanização dos persas é uma realidade, oriunda do desconhecimento do zoroastrismo persa que influenciou o cristianismo, sendo bem anterior ao próprio cristianismo. Segundo, os evangélicos ignoram que os EEUU é que incentivaram a guerra usando os fantoches ucranianos para desafiar a federação russa. Terceiro, todos os evangélicos no Brasil, sem exceções, babam no governo genocida de Israel e ignoram a mortandade de palestinos, bem como todos os abusos que o exército israelense promove contra esses povos, assim como massacres contra países árabes. É bom frisar que os persas não são árabes, são indu-europeus, embora convertidos ao islamismo. Quarto, todos ameaçam o governo Lula como se Lula devesse submissão aos EEUU e como se nosso país não tivesse autonomia e nem soberania. É patético escutar os discursos evangélicos pela extensão das asneiras.

É claro, pregando para incaultos, qualquer bobagem proferida é aceita e todos praticam uma política xenófoba por não respeitarem as religiões diversas do cristianismo protestante.

No fundo, o fundamentalismo religioso que afirmamos combater é o mesmo fundamentalismo que os talibãs, no Afeganistão, praticam. Somos todos fundamentalistas.

Eu respeito o Caio Fábio pela sensibilidade, pelo fato de ser de esquerda, pai de filho homossexual, mas seu alinhamento com Israel é ponto de divergência entre o que ela prega e o que eu penso. Já com o Teólogo Osvaldo Luiz Ribeiro tenho bem mais afinidades pela identificação de conhecimento, sobretudo histórico e por não escamotear as origens de YHVH. Embora, ressalve que não conheço ninguém no Brasil com a formação próxima ou aproximada de Osvaldo Luiz Ribeiro.

Por outro lado, noto que os evangélicos não tem nenhum apreço a democracia e pregam golpes abertamente, isso é chocante e vergonhoso.

Eu não opino sobre espiritismo porque é tudo estranho a mim, mas respeito a todos, assim como as religiões de influência do yorubá. Em suma, nesse contexto religioso amplo que vivemos é salutar o respeito as diversas religiões.

Minha filha, com 12 anos, achou mais prudente ser ateia e eu respeito muito isso nela. Pelo menos nisso é sincera.

É claro, um dia a vida acaba e a gente some, vira pó e necrochorume. Se largarem uma bomba nuclear, muitas pessoas vão morrer, obviedade. Mas sempre sobra alguém, um homem, um corpo, uma mulher, uma barata e até uma lagartixa, alô xamanistas.