A miséria é a matéria-prima que torna o povo pobre refém da máquina clientelista e de favores pessoais. Santiago continuará sendo uma cidade atrasada e com uma elite que vive da exploração da miséria e fomentada por uma legião de miseráveis.

Eu sou um homem calejado, experiente, de brigas e embates eu entendo bem. Minha origem social é pior que a pior, sou filho dos esgotos, fruto da discriminação e da marginalização. Abri caminhos a ferro e a fogo. Só eu sei como uma pessoa pobre, miserável como eu, sem apoio de família, padece, é perseguida e sofre com as armações. Nem conto a extensão dos ataques que sofro, e eles partem de onde menos se imagina,

Sempre fui marginalizado, oprimido, discriminado, exceto um ou outro amigo, a vida não me foi fácil. Só que logo entendi que a vida nunca me seria fácil e que era preciso lutar sempre, contra tudo e contra todos, sem medo e com destemor.

Aqui em Santiago a virtude é punida, e quem tenta abrir seu próprio espaço fora dos tradicionais currais de dominação, são mortos, ou fisicamente ou simbolicamente.

Cheguei nessas alturas de vida tão pobre quanto nasci. Mas tão perseguido e cassado que só eu sei como resistir. E resisto. E vou continuar resistindo. Fui forjado na luta. Enquanto Deus me der vida, lutarei e resistirei. O controle dos aparelhos ideológicos da sociedade santiaguense exercido pelas elites, demonstrado no meu livro PAMPA EM PROGRESSO, fez com que as portas se fechassem ainda mais.

Eu sou santiaguense, sei o que é preconceito de classe, sei o que é discriminação, sei como funciona essa máquina de triturar pessoas, sei como coptam a imprensa, pessoas, a máquina de favores, o clientelismo, o assistencialismo, sei como manobram os interesses de grupos, dos santiaguenses fora do boqueirão, que sequer se tocam que são manipulados politicamente.

Pessoas que querem fazer o bem comum coletivo são facilmente engolidos por essa prática anti-política, pois os adversários atuam em cima da miséria do indivíduo pobre e exploram as áreas sensíveis de uma pessoa, desde a limpeza de um pátio, um prato de comida, um remédio para abrandar a dor. A prática é conhecida. É a exploração política da miséria.

A política é uma arte nobre. Bem feita, ela rende frutos coletivos e não gera a pobreza e a miséria. O que acontece em Santiago é que o parasitismo político vive da exploração da miséria e da desgraça.

A política decente, coletiva e voltada para os interesses coletivos do povo, não prospera em meio à miséria, a fome e ao caos.

A elite precisa da miséria. A miséria é a matéria-prima que torna o povo pobre refém da máquina clientelista e de favores pessoais. Santiago continuará sendo uma cidade atrasada e com uma elite que vive da exploração da miséria e fomentada por uma legião de miseráveis.

Tirar o povo da miséria, dar-lhes dignidade, condições dignas de vida, de moradia, de estudos, significam luzes e luzes são esclarecimentos e esclarecimentos fazem um povo esclarecido e um povo informado percebe quando é usado e manipulado.

Por isso, a aposta na miséria e na alienação, sempre.

Se isso acontecesse, esses que vivem explorando as debilidades da miséria, da fome, da pobreza, perderiam seu espaço e seria o fim dos que parasitam da política, como ratos.

Por isso, fazem de tudo, para impedir a emergência de novas lideranças, de novas ideias, por isso jogam o exército explorador nas ruas para atacar e destruir as lideranças políticas que não pensam como eles.

A máquina destruidora é complexa. Começa onde ninguém sonha e termina onde ninguém imagina, usando os tentáculos repressores do próprio Estado.

E todos se prestam para bem desempenhar seus papéis cínicos nessa engrenagem destruidora de pessoas e de famílias, o enredo é perfeito.

Minha vida foi destruída, tiraram tudo de mim, inclusive minha pequena família. O belzebu nazista insuflou até contra minha pequena e indefesa filha.

Mas eu e minha vida, só me matando e aí todos poderão pagar, embora a coisa esteja um tanto sem controle, como nunca esteve.  Os relatos que recebi hoje de pessoas que sequer conheço são assombrosos e difícil até de acreditar que seja verdade, particularidades em sala de aula.

A situação está fora de controle em Santiago.