
O censo do IBGE/2022 aponta claramente uma diminuição de pessoas no Vale do Jaguari. Mas redução populacional indica o quê?
Os fatores jogados no debate sao múltiplos, entretanto, nem o município pólo do Vale, Santiago, escapou do decremento. A exceção, rara, foi Nova Esperança do Sul, que manteve o crescimento de 4.15% de população. Já a queda em Unistalda, Cacequi, São Francisco de Assis e Mata são indicadores muito complexos.
Embora Santiago se firme como pólo regional na área de saúde, outros indicadores não tiveram o mesmo desempenho e o decremento é generalizado. Certamente, o que mais afasta as pessoas da nossa região é a falta de empregos e aqui não existe nenhum indicador de reversão desta tendência. Em Santiago a queda a cada resultado do censo já virou rotina e isso é preocupante, afinal nossa condição de pólo regional fica ferida. Isso não quer dizer que a qualidade de vida das pessoas tenha piorado, pelo contrário, mas a marca estática e reducionista da população deve acender as luzes de quem estuda a região como um todo.
A crise que muitos falam que atingiu a URI, com a drástica redução de alunos. é a mesma que atingiu o ensino superior privado no Rio Grande do Sul, pois há bem poucos dias atrás publicamos a assustadora matéria da quebra insolúvel do IPA na capital do Estado. E aqui os elementos jogados no debate são outros e tudo se relaciona com a telemática e a facilidade de propagação do ensino superior virtual, crise essa expressa também na ULBRA, Unisinos, Unijuí, URI, UNIVATES, PUC … …
O certo é que Santiago também foi atingido pelo ensino virtual, pois os reflexos da URI estendem-se aos mercados imobiliários, de alimentos e vestuários.
Só que existem outros grandes elementos para serem analisados no debate. A crise do setor primário, que é válvula propulsora de nossa economia, pode ser sentida no preço da terra, que cai assustadoramente. É claro, aqui devem ser pesados outros elementos, que é a política do governo federal de incentivar a reindustrialização do pais e, por consequência, a diminuição dos investimentos no setor primário como um todo. Contudo, nossa ausência de vocação industrial também se reflete em nosso isolamento.
E assim vamos indo. Marchando no escuro, certos de que cada vez mais as pessoas buscarão refúgio no setor público, esquecendo-se de que esse tem um limite e tende – cada vez – a ser enxuto e reduzido.
Os jovens, sem futuro, logo ameaçarão a própria sociedade de onde emergiram seus pais e avós. Esse cenário aponta no sentido da massificação dos velhos problemas sociais da urbanização sem planejamento e totalmente descontrolada.
