O INÍCIO, MEIO E FIM

Essa é a primeira vez que escrevo um texto dessa natureza. De um lado, corroído pela diabete, que hoje mediu 712. Isso afeta muito minha visão e escrevo com lupa no maior formato de letras do sistema. Mas a doença é normal, vem para todos nós e isso não me assusta, não me preocupo muito com a vida e nem temo a morte. Penso que, se eu morrer, está dentro da lógica, da minha idade e da doença que contraí. Na semana passada, o médico João Luiz Azambuja, apresentou meu prontuário ao seu colega de Santa Maria que está me tratando. Tudo começou dia 22 de julho de 2013. O Dr. Azambuja é um grande médico e uma excelente figura humana, sempre prestativo e cordial, mesmo agora que parou com a medicina.

Nos últimos 4 anos tenho me arrastado entre uma crise e outra, sendo que – pelo menos – uma vez por mês, quase me deixa sem visão. Mas resistir é parte do jogo da vida, embora as pessoas atingidas pela retinopatia diabética sejam as mais penalizadas. Nunca me esqueço que  acompanhei os últimos dias de Jorge Amado, que perdeu totalmente a visão e morreu cego.

Já fui alertado que os danos podem romper os músculos e aí meu quadro fica bem dramático. Por enquanto, em meio a todas as dores que sinto, preciso resistir essa doença.

Para mim que escrevo é uma perda sem precedentes, pois ainda não encontrei uma fórmula para me ajustar. O médico, hoje, ficou impressionado com a minha perda de peso, na verdade, perdi 10 kilos.

 

Nunca pensei que a diabete fosse algo tão terrível, tão tétrico e tão machucado. Mas vou seguindo, vivo sozinho e torço por um novo amanhecer, que, talvez, nunca venha. Ademais, sofro efeitos altamente colaterais pelos remédios, enjoos, vômitos e um estado permanente de depressão e desgosto.

O médico quer que eu me afaste da escrita, mas a escrita, é também minha profissão. Sem a escrita não existe advogado.

Sei que a luta, assim como a doença, é parte da vida e não tenho nenhuma visão mística. Viver e morrer, para mim, são faces da mesma moeda, fazem parte do jogo da vida.

Tudo o que eu faço e fazia estou fazendo tudo ao meio, por isso peço desculpas a todos os amigos leais e sinceros que eu tenho.

No fundo, como não minto para as pessoas, é a primeira vez que me sinto um pedaço de mim, o eu inteiro não existe mais.

Mas sigo convicto de minhas posições e firme em minhas crenças. Viver, viverei até quando Deus quiser, morrer, será uma consequência da vida, que não assusta e nem me apavora. Só não gostaria de ficar sofrendo, sozinho, carcomido e caindo os pedaços. Aí creio que é melhor buscar o outro lado da vida. Se é que existe esse outro lado. Ou tudo é apenas uma passagem? Um dia, saberei.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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