Contribuição de Fernando Freire Dutra, filho e neto de santiaguense

Fernando Dutra no Vietnã
Fernando Dutra no Vietnã

A fórmula *Y = A f(K,L), amplamente utilizada em teoria econômica, descreve a produção de um país (Y) como função de capital (K), trabalho (L) e, crucialmente, produtividade ou tecnologia (A). O fator A representa o nível de eficiência com que os insumos são utilizados, incorporando aspectos como inovação e avanços tecnológicos. No gráfico do Global Innovation Index de 2024, observamos que as nações mais inovadoras, como Suíça, EUA e China, se destacam não apenas pelo volume de capital e trabalho empregados, mas sobretudo pela ênfase no fator A (inovação). Esses países combinam seus recursos com elevados índices de inovação, ampliando sua produtividade. O Brasil, por outro lado, aparece no gráfico com um nível de inovação muito aquém de seu potencial, principalmente em comparação com as principais potências econômicas.

Embora o Brasil tenha uma base populacional significativa (L) e, em certa medida, acesso a capital (K), sua falta de foco em **A* — inovação, pesquisa e desenvolvimento — é uma das razões pelas quais o país não consegue maximizar seu desempenho econômico. A baixa priorização da tecnologia e da inovação impede que o Brasil faça melhor uso de seus recursos disponíveis. Esse quadro reflete uma questão estrutural na economia brasileira: uma dependência excessiva de fatores tradicionais, como mão de obra e investimentos em infraestrutura, sem o acompanhamento necessário em avanços tecnológicos. Para aumentar sua competitividade global e melhorar a produção, o Brasil precisaria de políticas públicas que estimulem a inovação, incluindo incentivos à educação em ciência e tecnologia, reformas na proteção à propriedade intelectual e investimentos em pesquisa. Só assim o fator *A* poderia alavancar o crescimento sustentável do país.

FERNANDO FREIRE DUTRA, é Bacharel em Relações Internacionais (ESPM-RS) e Mestrado em Gestão e Políticas Públicas pela FGV-Eaesp. Possui MBA em Concessões e PPP pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Especialização em Marketing Estratégico (FGV-RJ) e Especialização em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Coordenou o Observatório de Competitividade Estratégica da Agência de Desenvolvimento PóloRS – responsável por identificar informações objetivando a tomada de decisão sobre potenciais investimentos estrangeiros e nacionais para o Estado do Rio Grande do Sul. Foi Gerente de Governo e Infraestrutura na Ernst & Young e Consultor Sênior na KPMG, mais especificamente em projetos de Parceria Público Privada. Exerceu o cargo de Secretário Adjunto Municipal na Secretaria de Parcerias Estratégicas de Porto Alegre, sendo responsável pelo Programa de PPPs e Concessões do Município (PROPAR-POA). Atuou como Diretor de Gestão na Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia. Atuou como  Assessor Especial do Ministério da Economia junto a Embaixada do Brasil em Washington-DC e agora é aluno de mais um Mestrado em Política Internacional na Georgetown University, capital dos Estados Unidos, a mais tradicional universidade católica dos EEUU, fundada em 1789.