Anotações raras de DAVI DAMIAN

* DAVI DAMIAN

Vendo teu escrito e citando os termos “seppuku” e “harakiri”, ambos para o mesmo fim, corte do abdômen e outro mais “chulo” para “estrebuchar ou desentranhamento”, usavam uma lâmina curta como “tantô” ou “Wakizashi”, antes da cerimônia, escolhiam o samurai mais habilidoso para dar fim a quem estava efetuando sua “finalização”, um corte preciso no pescoço sem decapitar, o suficiente para deixar a cabeça pendurada, sem rolar e assustar quem estava por perto; me lembra os filmes do Kurosawa e do Takeshi Kitano, sem falar dos clássicos animes como “a viagem de chihiro” do Miyazaki e “ghost in the shell” vindo de um mangá.

Todos com seu toque crítico social, o que puxa o noção de honra e lealdade como “os 47 samurais” em que a vingança se come congelada, com o assassinato de seu senhor, viraram “ronins” samurais sem mestre, e por anos tramaram vingança, após completa, cometeram “seppuku”.

Hoje, desonra ou exaltar a família parte de vários modos, salvo depressão ou outra patologia, a “floresta do suicídio” chamada “Aokigahara” é um local infelizmente escolhido para isso.

Policiais circulam por lá para encontrar corpos e impedir que saqueadores entrem, mas poucos para impedir dentro de um programa em assistência em saúde mental.


*Psicanalista, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS.

Pensamentos de Hemingway, Dostoiévski, Hegel e Kundera: reflexões de uma mente provinciana

*JULIO CÉSAR DE LIMA PRATES
Nesses dias prolongados  de inverno  consegui sair fora da rotina da prática jurídica, voltei-me aos problemas da nossa língua e o reencontro com a escrita e a busca de tempo para os encantadores filmes que amo.
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Assim, o primeiro filme que curti intensamente foi Hemingway & Martha. O filme é dirigido por Philip Kaufman que também dirigiu o fabuloso filme A Insustentável Leveza do Ser, adaptado do romance de Milan Kundera, de mesmo nome. Inspirado nessa velha recordação e também porque conheço um pouco a obra de Hemingway, optei por assistir Martha antes de todos. Aliás, conheci Hemingway aos 15 anos, quando tive a rara oportunidade de frequentar a biblioteca comunista na casa do saudoso Aparício Gomes da Silveira.
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Martha, no cinema, é interpretada por Nicole Kidman, que até se sai bem…Judia, disposta a ser repórter de guerra, envolve-se com Ernest dentro de sua própria casa e ante os olhares da  sua própria esposa. 
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Para quem conhece um pouco da obra de Hemingway e aspectos psicológicos de sua vida, especialmente nós – americanos do sul – é fácil inferir que Philip Kaufman não foi muito feliz ao apresentar um escritor extrovertido, festivo, beberão, sedutor e altamente engajado com a política oficial de Moscou. Creio que não foi feliz nessa tentativa. 
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As ilações acerca das posições políticas de Hemingway com o contexto da guerra espanhola foram muito óbvias. Ademais, Hemingway não era de viver se vangloriando (parece até que Kaufman buscou inspirações santiaguenses  kkkkkk). O escritor era modesto, tímido, recatado e depressivo. Tanto, que terminou sua vida com um tiro na cabeça, em julho de 1961. É claro que os escândalos e aventuras de Hemingway são notórias, mas daí criar um perfil psicológico distinto, vai um abismo. 
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Creio que já estava na hora de produzirem um filme honesto sobre Ernest  Hemingway e sua atribulada vida. Esse, é centrado em Martha e deixa muito a desejar. É um bom filme, bom, mas nada que lembre A Insustentável Leveza do Ser. Fiquei um pouco frustrado. 
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O segundo filme que assisti, atualizando-me, OS MISERÁVEIS, inspirado na obra de Victor Hugo. Esse sim é um filme de rara qualidade, alta sensibilidade, e profundamente impactante. A história transcorre  no curso da Revolução Francesa. O personagem Jean Valjean rouba um pão para alimentar sua irmã mais nova e termina preso. As narrativas das perseguições ao ex-preso são chocantes. Ademais, existe uma boa especulação acerca do drama da readaptação de um ex-preso e sua redenção. A fotografia é demais e diria até que se trata de um filme perfeito.
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No retorno à advocacia, sinto-me a vontade para emitir um juízo, pois noto que o dia-a-dia da advocacia embrutece, é tudo muito mecânico e não existe espaço para especulações sociológicas, psicológicas e filosóficas. É tudo muito seco, muito óbvio, muito feijão com arroz, muito formalismo preso a regras prontas e rígidas.
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Outro dia fiquei de cara com a IA que sequer sabia o que era aporema, tive que buscar meu velho Dicionário de Filosofia, de Nicola Abaggnano, pois escrevia sobre silogismos e paralogismos. Imaginem, a IA não conhecer o mais conhecido filósofo italiano da modernidade, falecido em 1990, é uma IA burra ou mal alimentada, imagino o STJ não alimentá-la com os conceitos de Abaggnano.
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Eu tinha uns 4 mil livros, mas aposto que perdi a conta dos que estão na rua. 99% das  pessoas que levam livros emprestados, não devolvem. Antes, não me importava em doar meus livros. Agora, mudei.  Comprava, em média, 10 a 15 livros por mês. De cada 10 livros que compro, 9 são usados. Raramente compro livros novos, exceto alguns de Direito. Mas sou sebeiro por amor e identidade.
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Mas na semana passada fui extremamente feliz em minhas aquisições. Encontrei os volumes 1 e 2 de CRIME E CASTIGO, de Dostoiévski, capa dura, em ótimo estado de conservação, de uma coleção editada em 1979, pela Editora Abril. Da mesma coleção, no mesmo estado, encontrei também OS LUSÍADAS, de Camões, (tinha apenas uma edição de bolso), DECAMERÃO de Boccaccio e Machado de Assis (esse comprei apenas para guardar).
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Por outro lado, recebi uma coleção de Karl May, que houvera mandado encadernar. Ficou muito boa e também isso deixou-me profundamente satisfeito. Essa coleção pertenceu ao médico e advogado Guido Emmel, de Santo Ângelo, mas estava em precário estado de conservação.
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Assim, curti intensamente as trevas  aproveitei bem meu tempo, fugi do quotidiano massante do Direito e pude novamente compenetrar-me naquilo que eu mais gosto de fazer: lidar com meus livros, apreciar bons filmes, no almoço, e escutar música clássica, especialmente Frédéric Chopin, Mozart e Beethoven.
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E assim vou indo, tocando a vida e vivendo em Santiago. Esses foram os dias importantes em minha vida.
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Nossa sociedade continua sendo uma sociedade de aparências, ou, como dizia a Nina, de imagens. Aqui, a essência não tem voz e nem espaço e quem tenta ser essência logo é linchado. Somos uma mentira e uma farsa. Será que alguém percebe que quando uso os conceitos aparência e essência sou vivamente hegeliano? Hegel, Hegel, Hegel, quantas pessoas leram Hegel em nossa sociedade?
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Ficava feliz com Nina … e – às vezes – notava-a debruçada sobre grossos livros de Harry Potter. Já é um começo. Sem questionar a literatura.
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Casualmente, nunca tive identidade com J.K. Rowling. Outra paixão de Nina são os mangãs e Suehiro Maruo, onde ela mergulha no mundo das gueixas e samurais, embora o mérito de Maruo, com sua vasta obra sobre  o Japão, com fortes traços do expressionismo germânico e do surrealismo ( ou sobrerrealismo) de Salvador Dalí.
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É um começo, mesmo imperceptível.
Fiquei com medo de ferir minha psicóloga com a tônica de minha fala acerca da ética e da honra. A honra dos samurais é odiada pelas feministas de esquerda, pois consideram tudo muito machista. Mas é o paradigma de honra que mais me seduz, inclusive o harakiri (Seppuku).
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Minhas grandes derrotas geraram-me a ideia de  não aceitar a quebra da palavra empenhada. Deriva-se daí meu conceito de honra e honra para mim é tudo. Admito perder tudo, menos minha honra.

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Poderia ser cálido?

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*Júlio Prates é jornalista com registro nacional nº 11.175 no MTb-RS,  jornalista internacional com registro nº 908225 no Ministério da Cultura do Brasil.

Bacharel em Sociologia, Teologia e em Direito.

É autor de 6 livros e pós-graduado em Leitura,Produção, Análise e Reescritura Textual. Pós-graduado em Sociologia Rural.

Amazon deverá substituir 600 mil pessoas por robôs

BAGUETE

A Amazon, gigante de e-commerce estadunidense, teria planos para automatizar cerca de três quartos de suas operações até 2033, em um movimento que poderá substituir gradualmente sua força de trabalho.

Segundo noticia o The New York Times, a ação permitirá deixar de contratar mais de 600 mil pessoas, em busca de reduzir gastos trabalhistas e de acelerar o ritmo de entregas de pacotes da companhia.

Os documentos obtidos pelo jornal indicam que a estratégia pode gerar uma economia de US$ 0,30 por pacote, montante que representa bilhões de dólares em um cenário mais amplo.

O portal explica que a iniciativa é parte de um projeto em andamento em um centro logístico da empresa localizado no estado de Lousiana, nos Estados Unidos, onde mil robôs já executam a maior parte das tarefas de separação, empacotamento e transporte.

Neste galpão, a tecnologia reduziu em 25% o número de funcionários no ano passado.

A ideia é que o modelo utilizado na unidade seja replicado em ao menos 40 outras dentro de dois anos.

STF reafirma validade da contratação direta de serviços advocatícios por entes públicos

CONSELHO FEDERAL DA OAB

O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a constitucionalidade da contratação direta de serviços advocatícios por inexigibilidade de licitação. A decisão, assinada pelo ministro Dias Toffoli, analisou o caso da Câmara Municipal de Imperatriz (MA) e determinou o trancamento de procedimento instaurado pelo Ministério Público estadual.

O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, celebrou a decisão como vitória histórica para a advocacia. “Ao reconhecer a constitucionalidade da contratação direta de serviços jurídicos, em situações específicas e dentro dos parâmetros legais, o Supremo reafirma a singularidade da atividade advocatícia e a indispensabilidade da confiança na escolha do profissional. Trata-se de um marco que fortalece a autonomia dos entes públicos e valoriza a expertise da advocacia na defesa do interesse público”, afirmou.

Em seu voto, Toffoli ressaltou que, para a configuração de improbidade administrativa, é indispensável o dolo do agente, não bastando a mera culpa. O ministro frisou que a boa-fé ficou demonstrada no processo de contratação, desde a solicitação de prorrogação até o parecer jurídico favorável da Procuradoria da Câmara. “O simples fato de o aditivo ter sido assinado em data posterior ao fim do contrato não indica dolo dos envolvidos. Os atos praticados evidenciam regularidade e transparência”, registrou.

O relator reafirmou que a contratação direta só é legítima quando atendidos requisitos objetivos, entre eles a natureza singular do serviço, a notória especialização do profissional e o preço compatível com o mercado. Nesses casos, destacou, a avaliação cabe ao gestor público, que possui margem de liberdade para escolher o especialista em quem deposita maior confiança. “A confiabilidade, ainda que determinada subjetivamente, deve ser aferida a partir da experiência e da reputação do profissional, sendo a confiança elemento essencial para a contratação”, escreveu Toffoli.

Outro ponto abordado foi a inexistência de obrigação constitucional de criação de procuradorias em todos os municípios. Segundo o ministro, mesmo a presença de procuradores concursados não impede, por si só, a contratação de escritórios externos, desde que demonstrada a necessidade e cumpridos os requisitos legais.

Na decisão, o Supremo também reiterou que a tese do Tema 309 da repercussão geral continua vinculante para todo o país: a contratação de serviços advocatícios por inexigibilidade é constitucional quando houver necessidade concreta, serviço de natureza singular e notória especialização do profissional, respeitado o valor de mercado.

Leia a íntegra da decisão.