Estamos apoiando o Conselho da Comunidade do Presídio Estadual de Santiago na organização da campanha de agasalho destinada aos detentos. Sabemos que a dignidade humana deve ser preservada em todas as circunstâncias, e acreditamos que esta iniciativa é uma forma concreta de exercer solidariedade e respeito aos direitos fundamentais.
Convidamos cada um de vocês a contribuir com a doação de agasalhos, cobertores, meias, calçados e roupas (masculinas, exceto na cor preta) em bom estado, que possam ser úteis neste período de frio intenso que se aproxima.
As doações podem ser entregues até o dia 13/06, na sede da OAB.
Contamos com a sensibilidade e colaboração de todos.
Atenciosamente,
Luis Paulo Pereira Camargo
Presidente da Subseção da OAB de Santiago e Jaguari
Adriane Damian Pereira
Presidente do Conselho da Comunidade do Presídio Estadual de Santiago
AMEAÇAS, LIGAÇÕES COM UM SERVIDOR com histórico em partidos de direita e até um banco digital compuseram a estratégia da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, a Conafer, para operar fraudes bilionárias no Instituto Nacional de Seguridade Social, o INSS, durante quase cinco anos.
Carlos Lopes, presidente da Conafer, Leonardo Rolim, então presidente do INSS, e Thiago Lopes, vice-presidente da Conafer, em março de 2020, na sede do INSS | Divulgação
A entidade, que se apresenta como defensora de indígenas e pequenos agricultores, mas pertence a um empresário do agronegócio, é investigada por aplicar descontos indevidos diretamente nas aposentadorias de milhares de brasileiros, utilizando autorizações falsas ou sem validade.
Quando questionada pelo INSS e cobrada a apresentar documentos, em 2020, culpava a pandemia e dizia enfrentar dificuldades logísticas. Nos bastidores, porém, representantes da Conafer contavam com o apoio de servidores estratégicos do INSS — incluindo um coordenador que já foi filiado ao PL e ao Democracia Cristã e é conhecido como “Soldado do Proerd” — e até ameaçou quem sugeriu revelar as irregularidades para manter o esquema ativo.
É o caso do empresário Bruno Deitos, que prestou serviços de informática a uma terceirizada da Conafer, mas levou um calote. Ao ameaçar denunciar o que sabia, ele diz ter sido intimidado por Thiago Lopes, vice-presidente da confederação e irmão do presidente Carlos Lopes.
O Intercept Brasil teve acesso com exclusividade ao teor dessas ameaças. Tudo começou em 10 de junho de 2021, quando Deitos entrou na 5ª Delegacia de Polícia de Brasília para fazer uma denúncia que mudaria sua rotina e, quatro anos depois, seria o centro de uma mega-operação da Polícia Federal contra fraudes no INSS.
Representante da empresa Premieer Recursos Humanos, Deitos contou aos investigadores que havia prestado serviços de informática para uma terceirizada chamada Target, ligada à Conafer. Em vez de receber os R$ 700 mil contratados, levou um calote. O serviço feito pela Premieer, segundo Deitos, foi de atualização do cadastro de associados da Conafer em seis estados. O empresário participou de reuniões com a Conafer e com a Target em que teria ouvido sobre a relação promíscua com o INSS.
Quando ameaçou expor o que sabia, segundo o relato que fez à polícia, Deitos foi intimidado. “Você não é maluco de fazer essa denúncia”, teria dito Thiago Lopes, vice-presidente da Conafer e irmão do presidente da entidade, o pecuarista Carlos Lopes.