Guilhes Prates Damian*

Grande tio Júlio. Tudo certo? Não entendi a polêmica. No fundo, a cruz missioneira foi uma derivação da cruz de Caravaca vinda dos espanhóis e seu catolicismo conquistador. A única coisa que causa um certo desconforto é que essa cruz é símbolo de um outro tempo, péssimo, onde espanhóis e portugueses na disputa por poder se estapeavam e faziam barbaridades por aqui pra sugar até a última gota de riqueza e doutrinar a força os povos que viviam por aqui. É um símbolo a ser lembrado pelo contexto histórico mas também esquecido pelo que ele representou. As originais que estão em pé, devem permanecer pra não se apagar a história por mais feia que ela seja. Mas erguer uma nova não faz nenhum sentido hoje. Eu sei que o povo das missões acabou adotando ela por osmose. Nesse sentido, o monumento do colono e do motorista em Jaguari é muito mais nobre e correto já que exalta exatamente os imigrantes que realmente construíram o estado e a região depois do fim do império e começo da República quando finalmente abriram mão da escravidão e houve o incentivo a imigração para suprir a força de trabalho no Brasil inteiro.
É formado em DI pela UFSM. Foi editor da Revista Veja por 10 anos e 4 meses, Integrou o iG do Brasil, é da QUByte Interactive e ganhou 2 vezes o prêmio internacional na Catalunha, ESPANHA, Malofiej International Infographic Awards. É natural de Santiago/RS.
