RedeTV confirma morte de apresentadora aos 29 anos

César Nascimento / REDE TV

RedeTV! Confirmou a morte de uma apresentadora falecida há menos de um mês após revelar diagnóstico nas redes sociais. Através de uma mensagem publicada por seus familiares nas redes sociais, eles se despediram da famosa e lamentaram a perda precoce.

Confirme informado pelo site da emissora, Lillian Sze, morreu em Hong Kong, aos 29 anos. Ela lutava contar um câncer no ovário e faleceu na última terça-feira (23). “É com o coração partido que anunciamos que Lillian Shi Keying faleceu pacificamente esta manhã, cercada por seus entes queridos e familiares”, informou a família.

Sobre uma destruição simbólica dos sentidos

Não se trata de uma perda biológica dos sentidos, mas de um enfraquecimento de sua potência para acolher a complexidade da realidade.

 

Nossos sentidos nos concedem a capacidade de experimentar o mundo, percebê-lo, interpretá-lo e atribuir-lhe significado. Contudo, parece-me que vivemos um processo contínuo de destruição simbólica dessas capacidades. Não se trata de uma perda biológica dos sentidos, mas de um enfraquecimento de sua potência para acolher a complexidade da realidade.

Em 2023, o filme Zona de Interesse mostrou de maneira contundente como nossa capacidade de evitar elementos que geram conflitos internos pode ser imensa. Em alguns casos, essa evitação alcança a própria suspensão da capacidade de sentir horror diante de nossas ações ou daquilo que ocorre ao nosso redor. O título da obra é particularmente elucidativo. Trata-se, precisamente, de uma “zona de interesse” que direciona nossos sentidos para determinadas regiões da experiência, fazendo-nos enxergar algumas coisas enquanto ignoramos outras. Constitui-se, assim, uma percepção de mundo que não considera a totalidade de seus elementos, mas apenas aqueles que julgamos próximos, úteis ou suportáveis.

Essa reflexão remete à teoria do pensar de Bion. Em “Aprender com a Experiência” (1962), o autor propõe a existência dos chamados elementos beta: fragmentos da experiência emocional que não puderam ser transformados em pensamento. São experiências não digeridas psiquicamente, incapazes, naquele momento, de compor o campo do pensamento consciente. Entretanto, parece-me que parte desse material não desaparece simplesmente. Ainda que não seja pensado conscientemente, ele permanece operando em algum estrato da vida psíquica, influenciando percepções, afetos e modos de relação com o mundo.

Quando discorro sobre a possibilidade de uma obliteração da capacidade de pensar, refiro-me não apenas ao pensamento em si, mas também à exclusão dos elementos que se vinculam àquilo que é vivido como aversivo ou ameaçador. O sujeito não apenas evita determinados conteúdos; ele tende a afastar tudo aquilo que, de alguma forma, possa conduzi-lo novamente a eles. Desse modo, a defesa psíquica não atua apenas sobre uma ideia específica, mas sobre regiões inteiras da experiência.

O que pretendo afirmar é que, da mesma forma que não somos integralmente aquilo que pensamos ser, tampouco conhecemos o mundo e a trama de suas relações tal como efetivamente são. Entre nós e a realidade existe um campo ficcional constituído por fantasias, narrativas, identificações, desejos e defesas. Esse campo captura e organiza nossa percepção, determinando o que pode ou não ser visto. Não é possível eliminá-lo por completo, pois ele é parte constitutiva da experiência humana. Nesse sentido, a destruição simbólica dos sentidos não é uma exceção, mas uma condição permanente da existência. O que podemos fazer é desenvolver, paralelamente, uma capacidade mais sofisticada de elaborar a nós mesmos e à realidade que nos cerca.

Nesse ponto, cabe uma aproximação com o ensaio “O Último Messias” (1933), de Peter Zapffe. O filósofo norueguês sustenta a provocativa tese de que a consciência humana constitui uma espécie de erro evolutivo, responsável por um sofrimento singular da espécie. Embora o ensaio possua um tom marcadamente pessimista, parte de sua análise parece bastante coerente, sobretudo quando descreve as estratégias pelas quais os seres humanos procuram restringir ou anestesiar a consciência. Nesse aspecto, sua reflexão dialoga diretamente com o argumento aqui desenvolvido. Se a consciência nos expõe à angústia, ao desamparo e à percepção de nossa finitude, torna-se compreensível que haja uma tendência constante à sua limitação.

Poderíamos afirmar, portanto, que existe um impulso inicial em direção à inconsciência. Diversas teorias do desenvolvimento humano apontam nessa direção. A tradição kleiniana (1935; 1940; 1945), por exemplo, demonstra que a capacidade de integrar aspectos contraditórios da experiência constitui uma conquista psíquica complexa, e não uma condição originária que nasce com o sujeito, mas sim um desenvolvimento. A inconsciência, em muitos aspectos, apresenta-se como uma forma mais econômica de sobrevivência do que a consciência. Ser consciente é algo que inicialmente evitamos, mas que inevitavelmente precisamos construir para compreender a nós mesmos e ao mundo.

É nesse contexto que a reflexão de Adorno e Horkheimer se torna particularmente relevante. Na “Dialética do Esclarecimento” (1944/1947), os autores argumentam que o próprio esclarecimento, embora tenha produzido formas inéditas de dominação e instrumentalização da razão, permanece sendo a única via possível para a emancipação humana. O problema não reside no esclarecimento em si, mas em sua redução à racionalidade instrumental. Em outras palavras, a forma contemporânea de esclarecimento frequentemente esclarece pouco, pois não promove sujeitos verdadeiramente livres, autônomos ou maduros. Ainda assim, a fuga da ignorância, a sua saída, continua exigindo mais consciência e esclarecimento (principalmente sob a forma de uma racionalidade objetiva), e não menos.

Essa orientação não se fundamenta em uma luta direta contra as defesas psíquicas, mas na construção de um espaço mental continente, capaz de acolher a complexidade do mundo sem reduzi-la imediatamente a certezas simplificadoras. Trata-se de um espaço em que os diferentes elementos da experiência não precisam destruir uns aos outros para coexistirem; onde a contradição pode ser observada, suportada e elaborada antes de ser julgada ou eliminada.

Afinal, pensar não é apenas produzir ideias. Pensar implica tolerar a dúvida, sustentar a ambiguidade e suportar a frustração decorrente do encontro com aquilo que desmente nossas convicções. Talvez seja justamente nessa capacidade de permanecer diante do desconforto, sem recorrer imediatamente à negação, à anestesia ou à simplificação, que resida uma das formas mais genuínas de preservação dos sentidos. Preservá-los, nesse caso, significa manter viva a possibilidade de encontro com a realidade em sua complexidade irredutível. E talvez seja precisamente nessa abertura ao que nos desestabiliza que se encontre uma das condições fundamentais para uma existência mais consciente, mais livre e mais autenticamente humana.

Mas, diante de uma época marcada pela dispersão, pela aceleração da experiência e pela multiplicação de mecanismos de fuga, resta uma pergunta inevitável: será que hoje pensamos mais? Ou será que, apesar de todo o conhecimento disponível, nos tornamos menos conscientes de nós mesmos, dos outros e do mundo que habitamos?

Se a segunda hipótese estiver correta, talvez isso signifique que nossos sentidos encontram-se simbolicamente obliterados; que ainda não somos suficientemente conscientes e que perdemos, ao menos em parte, a capacidade de sentir o mundo em sua plenitude. Nesse caso, a tarefa de pensar não seria apenas um exercício intelectual, mas uma forma de recuperar aquilo que nos torna verdadeiramente humanos: a possibilidade de experimentar a realidade para além das zonas de interesse que construímos para nos proteger dela.

Ralf Souza, responderRalf Diego Silva de Souza é psicólogo, psicoterapeuta e docente no ensino superior. Participou do Programa de Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui especialização em Psicologia Hospitalar. Sua produção intelectual e interesses de pesquisa concentram-se no campo da Psicanálise, com ênfase nas contribuições de Melanie Klein e Wilfred Bion, do Marxismo, da Teoria Crítica e da tradição da Escola de Frankfurt.

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Ijuí: O InCor do Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) é polo de cardiologia e hemodinâmica para cerca de 120 municípios. 

Porto Alegre: Sedia o Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (ICFUC), instituição de excelência e pesquisa responsável por cerca de 70% dos atendimentos cardiológicos do SUS no estado. 

Santa Maria: Sedia o Instituto do Coração de Santa Maria (ICOR). 

Serra Gaúcha (Caxias do Sul): Conta com o Instituto do Coração da Serra Gaúcha.