Memórias de ciência política e as candidaturas avulsas

Hoje, gostem ou não, existe um forte debate sobre as assim chamadas candidaturas avulsas.

Era agosto de 1987. Tarso Genro iria participar de um debate sobre a Assembleia Nacional Constituinte, no Direito da UNISINOS, e convidou-me para que eu fosse com ele.

Sai do gabinete do Deputado Bisol, onde trabalhava e fui até a Jerônimo Coelho, prédio em frente ao Tribunal de Justiça onde ele morava, para dali seguirmos para São Leopoldo.

Ao chegar em seu apartamento, nem ele e nem Luciana estavam. Sandra, sua esposa, sempre gentil e cordial, uma conceituada médica, convida-me para entrar e começamos a conversar. Ela me pergunta se gosto de uísque e começa a me contar os segredos da Luciana, dentre eles, que ela acordava pela madrugada e assaltava a geladeira, com um prazer especial com comer feijão preto gelado. No outro dia, no almoço …

Na época, Tarso tinha um FIAT UNO e era advogado trabalhista. Seu escritório ficava ali na ladeira, quem desce do Teatro São Pedro para o calçadão.

No meio da minha conversa com Sandra, Sílvia avisa-nos pelo telefone que Tarso me esperava em frente ao escritório.

Despedi-me de Sandra e desci até o local onde Tarso me esperava.

Tarso debateria com o Deputado do PDS Rubi Dhiel. Aliás, trucidou com o coitado.

Mas foi a primeira vez que entendi a sistemática de candidaturas avulsas.

Tarso entendia, na época, não sei se mantém a mesma posição até hoje, que deveriam ser possíveis os registros de candidaturas avulsas, pessoas do povo, sem estarem filiadas a partidos políticos, poderiam se inscrever na justiça eleitoral e disputar os pleitos sem passar por dentro dos partidos políticos e ainda exemplificou o caso de José Lutzemberg.

Depois, nas aulas de ciência política, no curso de sociologia, ministradas por Raul Pont, que acabara de sair do Mestrado em Ciência Política na UNICAMP-Campinas-SP, acabei aperfeiçoando melhor meu entendimento sobre as assim chamadas candidaturas avulsas.

Pois hoje, lendo lendo sobre o assunto, veio-me à memória todo esse debate e a importância de instar a factibilidade desse tipo de candidatura.

É um belo debate e uma bela proposta, hoje, com ampla aceitação popular: candidaturas avulsas.

Está mais do que na cara que muitos candidatos precisam de uma legenda, nem que seja de aluguel.  Por que não retomar o debate sobre candidaturas avulsas?