Carta do Capitão do Greenpeace, Sergiy, ao blogueiro Júlio Prates

 

Olá, Julio César Prates!

Prazer, ainda não nos conhecemos. Meu nome é Sergiy, e sou capitão do Arctic Sunrise.

Escrevo para você diretamente do navio, enquanto cruzamos o Mediterrâneo em direção a Gaza, para participar de uma das missões mais críticas da minha carreira.

Este é um ato de solidariedade e resistência não violenta. Quando os governos falham em proteger a vida e garantir o acesso à ajuda humanitária, as pessoas precisam agir. É exatamente para isso que o Greenpeace existe: para agir em situações de emergência, quando vidas estão em risco e cada hora conta. Por isso, precisamos muito do seu apoio.

Por que ativistas do Greenpeace estão indo para Gaza?

Esta semana, chegamos ao marco de dois meses do início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. São mais de 60 dias de devastação, perdas irreparáveis e um sofrimento humano que cresce a cada dia.

 

Em Gaza, a ofensiva de Israel intensificou os conflitos que persistem há quase três anos. Famílias inteiras enfrentam a escassez de alimentos, água potável e atendimento médico. Hospitais estão sobrecarregados ou destruídos. O tempo, para milhares de pessoas, está se esgotando.

É por isso que nos juntamos à Flotilha Global Sumud, uma frota com mais de 70 embarcações em uma missão pacífica, liderada por pessoas, para desafiar o bloqueio e estabelecer uma rota marítima para levar ajuda humanitária vital a Gaza.

 

Como está sendo a travessia para Gaza?

 

Recebemos relatos da tripulação de que embarcações da Flotilha Global Sumud foram assediadas por forças israelenses em águas internacionais, a cerca de 45 milhas náuticas a oeste da ilha grega de Kythira e aproximadamente 600 milhas náuticas de Gaza.

 

Às 18h43 UTC (21h43 no horário local), um alerta de rádio foi transmitido no canal internacional de emergência (VHF 16), com a identificação da Marinha israelense exigindo que a flotilha mudasse de rota.

Em seguida, foram registradas interferências nos sistemas de comunicação das embarcações, afetando canais VHF, sistemas de navegação por satélite (GNSS) e comunicações via satélite Iridium.

 

No momento em que escrevo, ainda não foi possível restabelecer contato com algumas das embarcações. O  Greenpeace apela a todos os governos para que ajam com urgência no cumprimento do direito internacional e garantam a proteção da Flotilha Global Sumud com medidas concretas para assegurar sua segurança.

Ações como esta acontecem em contextos muitas vezes imprevisíveis, sem roteiro ou aviso prévio.

Por isso, precisamos estar prontos para agir imediatamente e isso só é possível quando temos recursos disponíveis. Doações mensais são o que garantem essa capacidade de resposta rápida dos escritórios do Greenpeace em seus territórios, como é o caso do Brasil.

Mas não conseguimos fazer isso sem você.

Sergiy
Capitão do Artic Sunrise
Greenpeace

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