A imaginação entre a fantasia e a realidade
*JULIO PRATES
Eu li o conto O ALIENISTA, de Machado de Assis, quando eu tinha 16 anos, lembro-me bem a exploração do assunto da loucura coletiva e o quanto são frágeis os conceitos de sanidades mentais. Eu sequer era leitor de MACHADO DE ASSIS, na verdade era fã de Tolstoi e Dostoiévski, mas – não tenho certeza – foi pedido da professora Dirce Brum ou Iara Castiel (uma das duas).
Anos mais tarde, lembro-me bem, eu tinha 27 anos, foi quando comecei a ler COOPER e LAING, fundadores da anti-psiquiatria e foi onde aprofundei-me bem nos conceitos de normalidade e anormalidade. Curiosamente, sem querer, fiz uma viagem no tempo embora Cooper fosse sul-africano e Laing britânico, foram eles que me fizeram voltar a Machado de Assis e ao livro O ALIENISTA, pois foi ali que li, a primeira vez, o questionamento acerca de normalidade e anormalidade enquanto fenômeno social.
É claro, aos 16 anos nunca teria a base filosófica que eu tinha aos 27 anos, já leitor de FOUCAULT, para compreender “a história da loucura”, assim como “a história da sexualidade”, mas a arremetida ao passado foi quase fatal aos bancos escolares do Cristóvão Pereira, onde tive o contato e a leitura acerca dos primórdios sobre o que é ser normal ou anormal.
Depois, no Centro de Estudos Freudianos, no museu do trem, em SÃO LEOPODO, RS, foi quando comecei a ler direto FREUD e os seminários de LACAN.
Foram conhecimentos os quais nunca desaprendi nada e até hoje domino quase tudo, embora o mundo medíocre onde eu viva hoje. Quantidade de psicólogos de velha geração participavam dos debates comigo, mas eu sempre tive um lado muito heterodoxo, pois nunca quis ser nada e sempre quis ser um estudioso de tudo que estava ao meu alcance. Sempre admiti e nunca escondi isso que eu tenho um lado avesso aos formalismos clássicos e nunca me importei em seguir regras.
Foi assim, sem regras fixas, que eu consegui estudar e compreender as vertentes epistemológicas da psicanálise, da filosofia, da sociologia, da história, da geopolítica e da semiótica (foi isso que me levou a Saussure e a ficar 2 anos numa pós-graduação ouvindo asneiras e infantilidades, com o perdão do Froilam Oliveira um colega sério e altamente estudioso). Mas, o curso tão bem coordenado pela preparadíssima professora SANDRA OLIVEIRA foi para mim, muito fácil, devido ao conhecimento que eu já tinha de ALTHUSSER e CHOMSKY. Eu nunca contei para a professora, mas eu fui harneckeriano desde muito jovem e tinha os livros da chilena Marta todos em casa, embora muitos simplórios.
É claro, o professor RAUL PONT dava-nos aulas de sociologia lendo direto O CAPITAL, como eu me daria bem com a singeleza que vinha do Chile?
Vivi décadas dentro da esquerda e acompanhei os governos do PT todos, mas nunca recebi um centavo do PT, sempre vivi do meu trabalho e assim vivo até hoje. Só que me espanta a anarquia que o PT está fazendo no país, nem os preços dos mercados, que onde compro meu alimento, o PT consegue controlar, tamanha a irresponsabilidade.
A sensação que eu tenho é que os petistas não entram os mercados ou vivem num mundo paralelo, pois é um absurdo sem precedentes a escalada dos preços dos alimentos.
Aí quando saem as pesquisas, esses site e blogs que recebem para mentir, iludem as pessoas dizendo que está tudo bem. Na verdade, está tudo muito mal, o PT afundou e está afundando os sonhos de muitos juntos. Eu enchi o saco de ouvi dizer que as pesquisas são manipuladas e só não vê o prelúdio do caos quem não quer.
Eu controlo cada real do meu dinheiro, cada centavo, e eu nunca tinha visto uma crise assim tão escrachada, tão sem controle, tão absurda e tanta gente recebendo para mentir. Meu compromisso é com a realidade social, política e econômica do país. Ponto final.
Só quem está mamando muito bem é que consegue mentir sobre a extensão dessa crise. E olha, eu venho falando há tempo, reclamando há tempo, só que ninguém no PT tem coragem de encarar a realidade e dizer que estamos indo para um abismo econômico sem precedentes.
Eu sou sempre de estudar, de ler e de observar os comportamentos sociais. No caso dos bebês reborns o que mais aflora é a mística confusão da realidade com a fantasia. Até é mais producente mesmo ter um bebê reborn e viver como vivem os petistas da gema, fingindo que não veem o que está diante de nossos olhos, pois o que se desenha, visivelmente, é uma vitória acachapante da direita bolsonarista e do centro-direita em nosso país e todas as grandes conquistas do PT na área da educação, saúde, habitação popular e medicamentos, correm o risco de tudo ser perdido pela miopia ou cegueira mesmo tamanho são os erros cometidos.
Eu pego as pesquisas, leio a metodologia, a amostragem, o desvio padrão, o coeficiente de variabilidade e tento entender as amostragens. Cada vez que eu falo com o companheiro Júlio Garcia é sempre a mesma história, os institutos não são confiáveis, dando a entender que estão todos errados.
Na minha opinião o caos está semeado e não vejo o futuro com bons olhos.
O petismo vive uma alienação coletiva tal como descrita por Machado de Assis, no livro O ALIENISTA pois estão todos embebidos de uma realidade ficcional, confundindo a realidade com a imaginação, tais como os pais de reborns, imaginando que seus bebês de plásticos são pessoas, levando-as nos médicos particulares e até nas filas do SUS.
Que pena tudo isso, anos de bons projetos sendo enterrados acriticamente.
*Autor de 6 livros todos publicados pela PALLOTTI e GRUPO EDITORIAL FRONTEIRA-OESTE, jornalista nacional com registro no MtB nº 11.175, Registration International Standard Book Number nº 908 225 no Ministério da Cultura do Brasil, desde 17 de abril de 2008, Sociólogo 1983/1987, 90/91, Advogado 1994/2004 e Teólogo 2021/2024. Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual 2007/2008, com o livro A LINGUAGEM JURÍDICA NA IMPRENSA ESCRITA e também Pós-graduado em Sociologia Rural, 2000/2001, com o livro O IMPACTO DO MERCOSUL NAS PEQUENAS PROPRIEDADES FAMILIARES DO RIO GRANDE DO SUL ( não editado). Embora santiaguense, até hoje nunca foi convidado para a Feira do Livro de Santiago.
Direita fez risoto para a direita e Macir Ribeiro se lança como candidato a deputado estadual
O jantar da direita, sábado a noite, no CTG OS TROPEIROS, foi risoto, anunciado a 20 reais, mas sem convites. Confesso que não entendi nada.
Por outro lado, no final de tarde, eu estava no escritório com o colega Dr. Marco Luis quando chegou o amigo Portella, do PDT. Ele puxou seu celular e me mostrou que o ex-vereador MACI RIBEIRO efetivamente se lançou como candidato a deputado estadual pelo MDB. É um nome sério e de altíssima credibilidade.
Ex-ministro Nelson Jobim tem título de Doutor Honoris Causa negado por Conselho Universitário da UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
BRASIL DE FATO
A proposta de conceder o título de Doutor Honoris Causa ao ex-ministro da Justiça Nelson Jobim foi negada, nesta quarta-feira (14), em reunião extraordinária realizada pelo Conselho Universitário da Universidade Federal Fluminense (CUV-UFF), em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. No resultado da votação, foram 49 conselheiros contrários e 13 a favor de outorgar a honraria.
O conselho é presidido pelo reitor, Antônio Carlos Nóbrega, e tem como membros representantes do corpo docente, discente e administrativo da universidade. A proposta de conceder o título ao ex-ministro foi apresentada e defendida por professores que integram o Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC) sediado na universidade.
Já os integrantes contrários à proposta fazem parte de setores estudantis e docentes, alguns vinculados diretamente ao movimento sindical da Educação Superior. A justificativa pela posição contrária à proposta foi de que Nelson Jobim fez oposição à criação da Comissão da Verdade e à mudança na Lei da Anistia, sobretudo no final do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
As alegações se referem ao ano de 2010, quando Jobim era ministro da Defesa e declarou que cabia ao Congresso decidir se mantinha ou não no projeto da Comissão da Verdade a bilateralidade das investigações. Na ocasião, o ministro ainda disse que não se poderia “rever o acordo político que deu a possibilidade da transição política” no Brasil, mudando a Lei da Anistia.
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Os erros e os acertos santiaguenses do final de semana
O dia de ontem foi muito agitado em Santiago, especialmente pela política.
O PP – extraoficialmente – lançou o nome de Ruivo como pré-candidato a deputado estadual.
Um excelente nome, sério, estudioso, aplicado, honestíssimo e merecedor de toda nossa gratidão por sua disponibilidade em contribuir com o debate.
Por outro lado, achei monumental o erro do PL em fazer essa reunião de direita aberta, especialmente com o PP. Deram a salvação para o PP, que nas pesquisas, eu leio todas, o PP não passa dos 2%.

Zuco é um nome forte, sem a menor sombra de dúvida, não sem razão lidera as Pesquisas em vários institutos.
Entretanto, essa dupla com a deputada COVATI foi muito antecipada, prematura, atraiu para Zuco essa conhecida legião de mamadores do PP e isso pode ser até fatal, especialmente porque podem gerar o parto prematuro do PT/PDT, com o casório da Juliana Brizola com Preto ou qualquer outro nome do PT. A diferença de Zuco para Juliana é muito pequena e o PT já demostrou que tem um quadro cristalizado na faixa dos 20% do eleitorado gaúcho. Se for costurado o acordo PT/PDT podem até matar Zuco no primeiro turno, eis que Juliana tem quase 30% do eleitorado gaúcho.
O que o PL não poderia fazer, aglutinando o PP nesse momento, foi feito com muita antecedência e isso vai levar trabalhistas e petistas também forçarem um acordo.
Por outro lado, essa janta do PL, no CTG os Tropeiros, foi fatal contra Magdiel, pois agora ninguém mais acredita que o PL seja oposição ao PP e já surgiram as narrativas, pagas evidentemente, propondo o esquecimento do que fizeram com GILDO. Assombroso o tamanho do erro. Se o PP estivesse preocupado com Magdiel não teria lançado seu nome de Ruivo ainda no domingo de ontem, na verdade, apenas usaram o PL e deram um chute bem dado nos liberais.
A ampla simpatia do povo com Magdiel sempre teve a ver com a revolta com o que GILDO sofreu com a bancada do PP. Com a atitude tresloucada e desvairada de unir a Direita e fingir uma coisa que ainda nem existe, tudo voltou-se contra o PL e contra Magdiel, pois ele sepultou o espectro oposicionista que o PL tinha. Pari passu ressuscitaram os mortos do PP e jogaram todo o espectro pepista na candidatura de Zuco.
Só quem não escutou as narrativas pepistas da tarde desse domingo é que ainda se ilude, Zuco já é o candidato do PP, Bianchini e Magdiel foram engolidos nesse erro tático e estratégico dessa construção discursiva altamente equivocada.
Quem ainda vai sustentar que existe oposição no PL de Santiago? E para refazer esse erro monumental muita coisa ainda vai rolar.

E não se pode subestimar a força de Eduardo Leite e sua companheira Paula Mascarenhas (foto), que deve se filiar ao PSD, e é um nome muito forte ao governo do Estado, e Leite já ensaiou apoio a Tarcísio e não terá como negar apoio a Zuco. Não sem razão Eduardo Leite lidera, em todas as pesquisas, o primeiro lugar ao senado, embora ainda nem saibamos seus próximos passos. A professora Paula Mascarenhas é muito hábil, simpática, muito bem formada, ainda jovem e muito mais fácil de ser comercializada como vice de Zuco, e tem um currículo admirável para políticos gaúchos, sendo formada em Letras/francês pela federal de Pelotas, Mestra pela federal de Pelotas e Doutora em Letras pela UFRGS.
Já a candidata do PP tem 62 anos e não tem ensino superior, embora isso não queira dizer mais nada.
Eu acho que tudo, em Santiago, foi muito cedo e muito precipitado, especialmente com essa aliança com o PP sem ouvir o governador Eduardo Leite. A discussão precisa ser melhor aprofundada. Leite, sem o PP, lidera a corrida ao senado em todas as hipóteses, portanto, é um nome forte e respeitável e lançar nomes sem ouvi-lo, mesmo sabendo que ele tem seu nome, de PAULA, é muita temeridade.
Por tudo, eu concluo dizendo que tudo foi feito errado em Santiago, E o que é pior, ainda podem unir PDT e PT contra Zuco, é só alguém saber costurar bem, embora as vaidades sejam enormes.
Sou apenas um anotador e meu voto é bem conhecido.
