Anotações do Psicanalista, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS: DAVI DAMIAN

Estava lendo teu escrito “paráfrases […]”; e sempre lembro de nossas conversas em que deixamos claro os conceitos de cada um, Dialética em Análise do Discurso e a tua jurídica para não no cairmos num abismo conceitual. Como uma professora, basicamente a mãe da Psicologia Social no RS, Tânia Galli, da qual tive a honra de ser aluno na UFRGS, dizia: “trabalhem os conceitos”; um fala de cerveja e outro de vinho, e acham ser a mesma coisa. Na dúvida, pergunte! Não vira conversa, ou debate, vira combate.
Por fim, conversamos, compartilhamos saberes ao acaso em cada esquina na correria do contemporâneo.

Lembro do “ocaso” de um título de um escrito teu e liguei com um filme “TENET” de 2020. Uma frase código entre agentes; dirigido por Christopher Nolan, “Vivemos em um mundo crepuscular, e não há amigos no crepúsculo”. (No fim, quem estará conosco?).

Por vezes vemos mais quem decompõe do que compõem, agradeço e retribuo o apreço da tua escrita. Como em Deleuze, escrevemos numa solidão povoada.

Paráfrases e seus problemas

*JULIO CÉSAR DE LIMA PRATES

Há muito tempo eu me deparo com problemas de paráfrases e enfrento isso diariamente, pois sempre que escrevo meus textos logo vem as críticas pelo meu whatsapp. É claro, eu sempre respondo e gosto da interação com as pessoas.

Ocorre que um simples conceito linguístico não é o mesmo conceito na literatura e o que é pior, nas ciências sociais e na filosofia tudo se complica ainda mais.

A Dialética, vivo escrevendo sobre isso, é um conceito polissêmico, sendo que para os sociológicos e filósofos é uma coisa e para os linguístas é outra bem diversa. Alô DAVI DAMIAN.

Ideologia, por exemplo, é o mesmo caso e mesmo entre os marxistas e marxiologistas o problema ganha contorno ainda maiores, pois o conceito do italiano Antônio Gramsci, onde o conceito é alargado e se confunde com o de  ideias, bem diverso do conceito de Karl Marx e Marilena Chauí, que aqui no Brasil,  jogou-o para o mundo jurídico brasileiro, especialmente o conceito de ideologia de Marx aos 26 anos.

O próprio conceito de paráfrase na literatura tem um sentido e na linguística tem outro, embora eu sempre use o conceito linguístico, que é a forma ou maneira de dizer uma coisa de outro jeito.

Geralmente, quando sou analisado, as pessoas esquecem-se, justamente, que muitas vezes estou empregando um conceito como Método e sou oriundo das ciências sociais, sou sociólogo; embora ciente dessa problemática fiz pós-graduação no excepcional curso de Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual, anos de 2007/2008, 390 horas, na nossa Universidade Regional Integrada, Campus de Santiago, então tão bem coordenado pela magnífica professora Sandra Maria do Nascimento de Oliveira; tive como orientadora de Monografia a Doutora Zélia Maria Viana Paim e o curso contava em seus quadros com a Doutora Désirée Motta Roth, também professora na Federal de Santa Maria. Fiz a rara disciplina  ANÁLISE DO DISCURSO com a professora Doutora Zélia Paim, que aceitou ser minha orientadora.

Sou extremamente grato a nossa URI-Campus de Santiago, embora poucos tenham entendido a profundidade da proposta concebida pela Professora Sandra Oliveira. Pessoa dócil, amável, querida e professora altamente séria.

Minha ideia de fazer pós-graduação em Letras, soa até estranho para muitos, pois eu sou visto como Advogado e sociólogo, mas o que quase ninguém sabe é que minha decisão pessoal de cursar Letras veio após eu ler e entender o Método de Harold Blomm, certamente o crítico literário anglófono mais famoso do mundo, que criou um Método linguístico usando a Cabala judaica e a Dialética Marxista. Como eu era fã a leitor dos obras de Waldomiro Lorenz, um theco que falava mais de cem idiomas e terminou sua vida em DOM FELICIANO, aqui no RS. Acho que li toda a literatura de Lorenz e foi com ele que entendi bem a Cabala judaica e a Dialética de Marx, esse eu comecei a lê-lo muito jovem, ainda aos 16, 17, 18 anos e leio até hoje. Confesso que foi Lorenz quem me jogou para buscar pós-graduação em Letras e encontrei na pessoa da professora Sandra toda uma compreensão que eu buscava na época. Chegando nas aulas no curso – ninguém sabia – mas me achei em casa, pois tudo era em torno de Louis Althusser, quem eu li desde os meus dezoito anos. Da mesma forma, tinha toda a obra da althusseriana chilena Marta Harnecker (foto).

Curiosamente, Marta Harnecker e Harold Blomm despediram-se deste mundo no ano de 2019

Fui colega de aula do grande filósofo Froilam Oliveira, que é uma pessoa que eu admiro muito pela seriedade com que leva os estudos. E é uma pessoa que sempre soma em qualquer diálogo com a gente. Autor de grandes obras sobre o neoateísmo. E somos autores juntos de um livro: O QUE IMPORTA EM ORACY, junto com a nossa cabalista FÁTIMA FRIEDRICHEWISKI, uma intelectual séria e estudiosa gabaritada.

Pelo visto, acho que dá para entender o problema que enfrento com  a pluralidade conceitual, eis que – às vezes – escrevo sobre um conceito enquanto método, outras vezes como apêndice linguístico ou literário … e assim vou indo, embora a plena consciência dessa pluralidade conceitual e o crivo diário do mestre e doutor em psicanálise pela UFRGS, DAVI DAMIAN, meu grande amigo e companheiro de interações críticas e trocas de ideias.

 


 

 

*É escritor, autor de 6 livros, jornalista brasileiro registrado no Ministério do Trabalho sob nº 11.175, jornalista com registro internacional nº 908225.

Bacharel em Direito, advogado incrito ma OAB-RS 87,557, Bacharel em Sociologia e em Teologia.  Pós-graduado em Leitura, Produção, Análise e Reescritura Textual. Também é Pós-graduado em Sociologia Rural.

 

 

 

Uma senhora gripe após a vacina

Há quase 3 semanas eu decidi vacinar-me para gripe. Ocorreu o que eu não contava e nem esperava. Desde essa vacina, a partir do próximo dia, contraí uma gripe sem precedentes e nunca mais parei de gastar com remédios.

Hoje, chegar em casa, fui novamente na farmácia e mais uma carga de remédios.

O estranho é que fazia anos que eu não me gripava. Bastou eu me vacinar, e foi um caos.

Vasculhei e vasculhei a internet atrás de explicações. Mas não encontrei respostas satisfatórias.

O certo é que a cada dia que passa eu fico pior. Já comprei todos os tipos de remédios indicados e nada de me fazerem efeito.

Meu corpo parece demolido e confesso que é algo muito diferente de tudo que já senti dessas gripes.

Vamos esperar, com calma e paciência, embora me prejudique no ato de escrever e no ato de elaborar os bons raciocínios.

Mas deve haver alguma lógica. Vamos seguir em frente. Com a vivência, a gente vai aprendendo as coisas. Como eu vivo sozinho, tento me virar como posso, mas nada é eficiente.