O comentário de GUILHES PRATES DAMIAN

Guilhes Prates Damian*

Grande tio Júlio. Tudo certo? Não entendi a polêmica. No fundo, a cruz missioneira foi uma derivação da cruz de Caravaca vinda dos espanhóis e seu catolicismo conquistador. A única coisa que causa um certo desconforto é que essa cruz é símbolo de um outro tempo, péssimo, onde espanhóis e portugueses na disputa por poder se estapeavam e faziam barbaridades por aqui pra sugar até a última gota de riqueza e doutrinar a força os povos que viviam por aqui. É um símbolo a ser lembrado pelo contexto histórico mas também esquecido pelo que ele representou. As originais que estão em pé, devem permanecer pra não se apagar a história por mais feia que ela seja. Mas erguer uma nova não faz nenhum sentido hoje. Eu sei que o povo das missões acabou adotando ela por osmose. Nesse sentido, o monumento do colono e do motorista em Jaguari é muito mais nobre e correto já que exalta exatamente os imigrantes que realmente construíram o estado e a região depois do fim do império e começo da República quando finalmente abriram mão da escravidão e houve o incentivo a imigração para suprir a força de trabalho no Brasil inteiro.


É formado em DI pela UFSM. Foi editor da Revista Veja por 10 anos e 4 meses, Integrou o iG do Brasil, é da QUByte Interactive e ganhou 2 vezes o prêmio internacional na Catalunha, ESPANHA, Malofiej International Infographic Awards. É natural de Santiago/RS.

Este artigo trata do símbolo. Para o filme, veja A Cruz de Lorena .

Wikepédia

Cruz de Lorena (em francês: croix de Lorraine ), conhecida como Cruz de Anjou no século XVI, é uma cruz heráldica de duas barras , composta por uma linha vertical atravessada por duas barras horizontais mais curtas. Na maioria das representações, as barras horizontais são “graduadas”, sendo a barra superior mais curta, embora também existam variações com as barras de igual comprimento. O nome Lorena passou a designar diversas variações da cruz, incluindo a cruz patriarcal com suas barras próximas ao topo. A Cruz de Lorena chegou ao Ducado da Lorena através do Reino da Hungria no século XV. Símbolos semelhantes de cruz de duas barras figuram com destaque na heráldica da Polônia, Lituânia e Bielorrússia. Sua origem remonta ao báculo de um arcebispo. A Cruz de Lorena foi usada como símbolo da França Livre durante a Segunda Guerra Mundial e, anteriormente, foi usada por patriotas franceses para simbolizar o desejo de recuperar as províncias perdidas para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana .

Projeto

A Cruz de Lorena consiste em uma barra vertical e duas horizontais. Na maioria das representações, as barras horizontais são “graduadas”, sendo a barra superior mais curta, embora também existam variações com barras de igual comprimento. 

História

Bandeira de resistência da França Livre

A Cruz de Lorena veio do Reino da Hungria para o Ducado da Lorena . [ 1 ] Na Hungria, Béla III foi o primeiro monarca a usar a cruz de duas barras como símbolo do poder real no final do século XII. [ 2 ] Ele provavelmente a adotou do Império Bizantino , de acordo com o historiador Pál Engel . [ 2 ] René II, Duque da Lorena, herdou a cruz de duas barras como símbolo de seus ancestrais distantes da Casa de Anjou da Hungria , [ 1 ] que a herdaram como reis da Hungria da primeira dinastia reinante do país, os Árpáds . O avô de René, René, o Bom , que a usava como seu brasão pessoal , [ 3 ] reivindicou quatro reinos, incluindo a Hungria. [ 1 ] A cruz ainda era conhecida como “Cruz de Anjou ” no século XVI . [ 4 ] René II colocou o símbolo em sua bandeira antes da Batalha de Nancy, em janeiro de 1477. [ 5 ] Na batalha, René derrotou o exército de Carlos, o Ousado , Duque da Borgonha , que havia ocupado o Ducado da Lorena, e recuperou seu ducado. [ 6 ] Todas as moedas cunhadas para René ostentaram o símbolo a partir de então. [ 1 ]

Símbolo da França

A bandeira da França Livre é a bandeira padrão da França sobreposta com a cruz de Lorena.

A Cruz de Lorena é um emblema da Lorena , no leste da França. Entre 1871 e 1918 (e novamente entre 1940 e 1944), a parte nordeste da Lorena (o departamento de Mosela) foi anexada à Alemanha, juntamente com a Alsácia . Durante esse período, a Cruz serviu como um ponto de convergência para as ambições francesas de recuperar suas províncias perdidas. Essa importância histórica conferiu-lhe um peso considerável como símbolo do patriotismo francês. Durante a Segunda Guerra Mundial, o capitão de corveta Thierry d’Argenlieu sugeriu a Cruz de Lorena como símbolo das Forças Francesas Livres, lideradas por Charles de Gaulle, como resposta à suástica nazista .

Na França, a Cruz de Lorena foi o símbolo da França Livre durante a Segunda Guerra Mundial, da libertação da França da Alemanha nazista e da França de Vichy, juntamente com os aliados Reino Unido e Estados Unidos , e do gaullismo , e inclui diversas variações de uma cruz de duas barras .

A Cruz era exibida nas bandeiras dos navios de guerra da França Livre e nas fuselagens das aeronaves da França Livre. A medalha da Ordem da Libertação ostenta a Cruz de Lorena.

O próprio De Gaulle é homenageado por uma Cruz de Lorena de 43 metros de altura em sua aldeia natal, Colombey-les-Deux-Églises . A Cruz de Lorena foi posteriormente adotada por grupos políticos gaullistas, como o Reagrupamento para a República .

A cruz de Caravaca ou a cruz de Lorena

Em Santiago inauguraram  a cruz de CARAVACA, como sendo a cruz missioneira. Nada mais errado.

A cruz de CARAVACA ou cruz de Lorena é uma cruz de origem espanhola e foi usada em Santiago como a cruz missioneira. Meu Deus, não sei o que gente faz diante de tanto erro.

Essa cruz foi trazida ao sul, nos séculos XVII e XVIII pelos padres jesuítas espanhóis e nunca foi cruz missioneira.  Anos mais tarde, ganhou o apelido de cruz missioneira, mas o certo mesmo é cruz de  Caravaca ou de Lorena, embora LORENA seja na França e tenha a ver com o nome Lorraine.

Evangelização e símbolo jesuíta: Os jesuítas, muitos de origem espanhola, traziam a Cruz de Caravaca como símbolo de sua ordem e para demarcar a conquista do território. Como os espanhóis foram derrotados, restaram alguns padres e sua cruz de CARAVACA. 

Nem os padres da UNISINOS, que são da mesma ordem, seguem o símbolo. Ficou semeada a ideia por ser uma cruz diferente, mas não tem nada a ver com o discurso de inauguração da noite passada.  Cheio de erros e impropriedades.

A cruz missioneira só não tem as duas mãos que a seguram, mas é a mesma cruz de CARAVACA.

É só procurarem na internet que tem muito material sobre a cruz de  CARAVACA ou LORENA,

Nem vou contar tudo senão perde a graça.

 

ANOTAÇÕES DO DOUTOR DAVI DAMIAN*

Lendo teu último escrito, me lembrei de um texto de Kafka: “O castelo”, onde um agrimensor recém contratado vai de um lado pra lá e pra cá pela burocracia do Estado. No qual, os mecanismos de estado foram elaborados para funcionar para não funcionar.

E o pragmatismo atual maniqueísta como pré 1ª Guerra Mundial,

Contemporâneo (na concepção de Foucault, Deleuze, Guattari) vemos a busca destes conceitos já que ouvimos “no meu tempo era tal…” as práticas discursivas se atualizam, hoje são fugidias, são areia, não concreto, mas autarquias, oligarcas de recursos bélicos e teocratas para isolar e alienar são presentes, a mídia como em Chomsky é o cassetete do governo.

Uma diglossia de Ferguson (análise do discurso) Pêcheux, e beirando um silogismo erístico estatal, apenas premissas que vemos hoje; depois Pão e Circo, não temos memória de longo prazo, amanhã esquecemos (em alguns casos).

Até paradoxal, nem tudo que é justo é Justiça e nem tudo que é Justiça é justo; mas para quem?

*DAVI DAMIAN é psicanalista, Mestre e Doutor em Psicanálise pela UFRGS.